
Do Jeito que eu Gosto

                   Gossip Girl


Contra capa:

Adolescentes adoram fofocar em qualquer lugar do mundo, mas no mundinho fabuloso
dos jovens da alta sociedade nova-iorquina as fofocas so sempre mais divertidas, sem
que seja pelas suas roupas caras de estilistas famosos, pelas casas de frias em lugares
hiperchiques, pelos litros de bebidas que consomem ou pelas brigas sem qualquer motivo.
Em Gossip Girl, iremos conhecer o universo quase secreto dos alunos de tradicionais
escolas particulares para meninas e meninos, onde nem mesmo os horrveis uniformes
conseguem esconder a beleza desses afortunados. Todos moram nos endereos mais
caros da cidade, em apartamentos suntuosos com vista para o Central Park. Herdaram os
traos clssicos de suas famlias aristocrticas e no tm muito com o que se preocupar:
podem beber  vontade, contanto que no deixem seus pais constrangidos; so
inteligentes; tm toneladas de privacidade e, no mximo, ficam um pouco nervoso
quando o assunto  sexo ou decidir em qual universidade iro se inscrever. Mas tudo
sempre com muita classe, of course.

Neste Gossip Girl: do jeito que eu gosto h muita expectativa no ar, pois as frias de
primavera esto chegando. Serena e Blair esto de malas prontas para muita diverso e
esqui em Sun Valley, para onde vo em companhia de Eric, o gatssimo irmo de Serena
por quem Blair se descobre loucamente interessada. Nate tambm parte para a estao de
esqui, e s pensa nos momentos incrveis que vai passar com sua bela e doida namorada.
Mas as novidades tambm no do trgua aos que ficam em Nova York: Dan 
convidado a estagiar numa renomada revista literria e se sente atrado por algum
diferente; Jenny se depara com chocantes descobertas sobre seu adorado Leo; Vanessa
est cheia de novidades, incluindo um novo namorado... E toda essa movimentao s
suscita  e ressuscita  novas e antigas questes: Blair perder a virgindade com o irmo
de sua melhor amiga? Dan vai se apaixonar? Um novo amor far com que Vanessa se
esquea de Dan? Gossip girl finalmente se revelar?
Considerada a Sex and the City para adolescentes, Gossip Girl  uma das sries mais lidas
pelos jovens americanos, com mais de um milho e meio de exemplares vendidos. Os fs
de Segundas Intenes, The O.C., Gilmore Girls vo se deliciar com a alta dose de
drama, romance, intriga e, claro, muita fofoca. Um dos motivos que torna esta srie to
real  que sua autora, Cecily von Ziegesar, foi criada na alta-roda nova-iorquina e foi
aluna de um dos mais chiques colgios da cidade, convivendo com pessoas to
requintadas, elegantes, fteis e divertidas como os personagens que criou. Atualmente,
ela escreve outros livros da srie enquanto cuida dos filhos.
Gossipgirl.net
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temas / anterior / prxima / faa uma pergunta / respostas

Advertncia: todos os nomes verdadeiros de lugares, pessoas e fatos foram abreviados
para proteger os inocentes. Quer dizer, eu.

oi, gente!

Obrigada a todos por virem  minha festa na semana passada.
Eu teria escrito antes, mas, sinceramente, precisei de muito tempo para me recuperar. Sei
que foi mesmo meio louco dar uma festa numa segunda a noite, mas a semana no voou
depois dela? Tenho certeza absoluta de que todos vocs ainda esto tentando adivinhar se
eu era a loura magrela com os Jimmy Choos verde-esmeralda ou o cara alto e negro com
os maravilhosos clios falsos azul-safira. E foi to meigo que vocs tenham me dado
presentes - especialmente o adorvel filhote de poodle caramelo - quando nem sabiam
quem eu era! A verdade  que eu meio que gosto de ser uma mulher internacional cheia
de mistrio. Ento, por enquanto, vou manter minha identidade para mim mesma, embora
isso seja frustrante. Pense nisso como uma diverso dos dias interminveis de espera para
descobrir se entramos na universidade, um quebra-cabea para montar enquanto
suportamos o estresse e o tdio destas semanas amargas de maro.
No que a gente realmente precise de diverso. Temos muito com o que nos distrair 
lindas roupas de grife, enormes apartamentos no Upper East Side com empregados,
vrias casas de campo e retiros de feriados, cartes sem limite de crdito, lindos
diamantes, carros sensacionais (embora a maioria de ns ainda nem tenha carteira de
habilitao) e pais bobalhes que nos deixam fazer absolutamente o que quisermos, desde
que no criemos constrangimento para a famlia. Alm disso, as frias de primavera esto
chegando, dando um monte de tempo livre para ficarmos ocupados.

Flagra

S andando pela Madison Avenue desenhando bigodes naqueles lindos cartazes de
propaganda do novo perfume da Les Best, o Lgrimas de Serena. B na Sigerson
Morrison na Prince Street, entregando-se a seu fetiche por sapatos. N depositando uma
sacola de compras cheia de papel de cigarro, prendedores de cigarro, cachimbos e
isqueiros na lixeira da rua 86 leste. D fumando um cigarro na plataforma do metro na 72
com a Broadway tarde da noite, desafiando os guardas de trnsito a prenderem-no e lhe
darem o muito necessrio material para sua poesia. J com a nova amiga, E, e o
namorado, L, bisbilhotando pelo distrito de arte de Chelsea  abominavelmente
sofisticado para um bando de alunos do primeiro ano. Pera, acho que ele pode mesmo
estar no segundo - algum a sabe realmente alguma coisa sobre esse cara?! V e a irm
mais velha roqueira largando sacos de lixo na calada do prdio em que moram em
Williamsburg. Faxina de primavera? Ou talvez o corpo de D todo retalhado? Eca!
Desculpe, essa foi podre.

Seu e-mail
P: Cara gossipgirl,
estou ficando frustrada porque vc nunca vai dizer a gente quem vc . pq eu queria mesmo
te conhecer pessoalmente, sabe como , talvez eu j conhea! pelo q sei, vc basicamente
admitiu q est no terceiro ano da constance.
naum ?
- curiosa

R: Cara curiosa,
Eu no vou ceder e dar meu endereo aqui e agora, nem dizer a voc em que ano estou.
Se voc fosse cool o bastante para ir a minha festa, podia ter me visto, embora em geral
eu fique completamente cercada por minha... comitiva e seja difcil ate dar uma olhada
em mim. Continue curiosa. Um dia voc pode descobrir.
- GG

P: Cara GG,
Voc tem de ser gostosa, porque, se no for, vai ser bem difcil para voc depois que todo
mundo souber quem voc . Tipo assim, ela era s uma baranga invejosa!
- wise

R: Caro wise,
Voc nem sabe o significado de gostosa, e s vai saber quando me conhecer, o que
provavelmente jamais acontecer.
- GG


AGORA SOBRE AQUELA COISA QUE VEM APOQUENTANDO
SECRETAMENTE VRIOS DE NS...

Ir para a faculdade virgem ou no?

Vamos tomar uma providncia com relao a isso agora mesmo com um cara que
conhecemos h anos? Vamos nos livrar disso nas frias de primavera? No vero? Ou
vamos nos estabelecer nos nossos alojamentos do jeito que estamos, atrevidas mas
inocentes, prontas para perd-lo com o primeiro galinha do campus que disser "Vem c,
gostosa"? Talvez a gente deva s ouvir nossa me e as irms mais velhas e "esperar pela
poca certa", sei l o que isso significa.  claro que algumas de ns cortaram esse
problema pela raiz h muito tempo, optando por passar os anos de universidade
concentradas em coisas mais importantes, como geologia e Freud.
No. Encare a realidade: mesmo que no seja mais virgem agora, voc vai se sentir
virgem de novo no minuto em que chegar ao campus. E isso  bom.

Obrigada novamente por meus presentes! Um beijo... vocs so demais!

Pra voc que me ama,
gossip girl
no h lugar como o nosso lar

- Pra que ilha a gente vai, afinal? - perguntou Blair Waldorf a me. Eleanor Waldorf Rose
estava empoleirada na beira da cama de Blair, vendo a filha se arrumar para a escola
enquanto discutiam as frias de primavera.
- Oahu, querida. Acho que disse a voc. Vamos para aquele resort no North Shore, para
que os meninos possam aprender a surfar. - Eleanor passou as mos em concha na barriga
de-quase-sete-meses-de-gravidez e fez uma careta para as paredes creme como se
tentasse receber as vibraes do beb com relao ao papel de parede preferido dele. Ela
ia dar a luz em junho e Blair entraria para a faculdade logo em seguida. Hoje Eleanor e o
decorador discutiriam os planos de transformar o quarto de Blair no quarto de um
bebezinho.
- Mas ns j fomos a Oahu - lamentou Blair dramaticamente.
Ela sabia havia semanas que eles iam passar as frias de primavera no Hava, mas at
agora no tinha pensado em perguntar onde. Blair fechou a gaveta da cmoda de mogno
antiga e parou diante do espelho de corpo inteiro nas costas da porta do armrio,
enfeitando-se. O cabelo castanho quase  escovinha estava elegantemente desgrenhado; a
cashmere branca de gola em V era decotada o bastante para sugerir um pouco do colo
sem que ela precisasse se preocupar em ser mandada para a Sra. M, a diretora, por se
vestir como uma puta; e os novos sapatos turquesa sem salto Sigerson Morrison ficaram
to maravilhosos com as pernas nuas que ela decidiu no vestir a malha, embora estivesse
fazendo um ms de maro incomumente frio e ela fosse congelar desse jeito. - Eu queria
ir a um lugar novo - acrescentou ela, fazendo beicinho para o espelho enquanto aplicava
uma segunda camada de brilho labial Chanel.
- Eu sei, meu bem. - Eleanor se levantou da cama e se agachou para olhar uma tomada
eltrica que parecia potencialmente perigosa no rodap perto da janela. Depois que a
decorao acabasse, ela teria de contratar algum para deixar toda a casa a prova de
bebs. - Mas voc nunca foi ao North Shore. Aaron disse que tem o melhor surfe do
mundo.
Para consternao de Blair, a me estava usando a cala de um agasalho de veludo bege
com a palavra Suculenta no traseiro.
Al-, inadequado?!
- Ento minha preferncia no conta mais?  retrucou Blair. Ela arrastou a bolsa de
carneiro azul-beb para fora do armrio e enfiou as coisas da escola nela. - Primeiro voc
me expulsa do meu quarto e agora no posso falar do lugar onde vamos passar as frias?
- Agora mesmo os meninos esto comprando umas coisas de surfe para a nossa viagem.
Voc podia dar uma olhada rpida no computador do Aaron. Veja se tem algo que voc
queira - respondeu a me, distrada. Agora ela estava de quatro, contornando o quarto,
verificando qualquer perigo que pudesse estar de tocaia a altura de um beb. - Sabe de
uma coisa, eu estava pensando mesmo em abacate para o esquema de cores...  to de
menininha, mas no fica radical demais? Mas agora estou pensando que talvez um
amarelo esverdeado fique ainda melhor. Endvia.
Para Blair, era o bastante. Ela no queria ir para Oahu, no estava interessada em comprar
equipamento de surfe, no queria falar de esquemas de cores para o quarto do beb idiota
e certamente no precisava ver a palavra Suculenta na bunda gorda e grvida da me por
nem mais um minuto. Com um ltimo borrifo do perfume Marc Jacobs favorito, ela foi
para a escola sem nem mesmo se despedir.
- A, Blair. Vem c um minuto! - gritou do quarto o meio-irmo de 17 anos quando ela
passou.
Blair parou e enfiou a cabea pela porta do quarto. Aaron e o irmo dela de 12 anos,
Tyler, estavam dividindo a cadeira de fibra natural de Aaron - bem fraternais  enquanto
encomendavam roupa de surfe online com o carto de crdito de Cyrus Rose.
- Tyler tinha parado de pentear o cabelo numa tentativa de fazer dreadlocks como Aaron,
e parecia ter uma espcie de fungo capilar maluco. Blair mal conseguia acreditar que esse
era o quarto em que ia ter de morar ate ir para a universidade.
A colcha de cnhamo e o carpete de alga natural de Aaron estavam cobertos de capas de
velhos discos de reggae, garrafas de cerveja e roupa suja de Aaron, e o quarto fedia aos
cigarros naturais e aqueles revoltantes cachorros-quentes de soja que ele sempre comia 
crus.
- Qual  o seu nmero? - perguntou Aaron. - A gente pode comprar uma camiseta de
neoprene para voc. Evita o atrito da prancha.
- As cores so legais - acrescentou Tyler, entusiasmado. - Verde-non, por a.
Blair no ia ser vista nem morta usando verde-non, e muito menos neoprene verde.
Ela podia sentir o lbio inferior tremendo, com um misto de pavor e mgoa
sobrepujando-a. Aqui estava ela, as sete e meia da manh, e j a beira das lgrimas.
- Achei! - Cyrus Rose, o padrasto desagradvel, gritou atrs dela. Ele saiu gingando do
quarto principal para o corredor usando apenas um roupo de seda vermelha preso com
um n perigosamente frouxo. O bigode eriado e grisalho precisava ser aparado e a cara
gorda estava vermelha e gordurosa. Ele acenou uma enorme sunga laranja para Blair.
Tinha uns peixinhos azuis impressos nela e teria sido meio bonitinha em qualquer pessoa,
menos nele.
- Adorei esta aqui. Os meninos vo pedir para mim uma neoprene para combinar! -
anunciou ele, feliz.
A idia de passar o feriado de Pscoa vendo Cyrus bancando o idiota numa prancha de
surfe, usando sunga laranja e neoprene da mesma cor foi o bastante para levar Blair as
lgrimas. Ela escapuliu pelo corredor para o vestbulo, puxou o casaco do armrio e
correu para encontrar a melhor amiga.
Esperava que Serena pensasse em alguma coisa - qualquer coisa - para anim-la.
Como se isso fosse possvel.

s tem uma idia de gnio

Serena van der Woodsen bebia o latte e olhava de esguelha para a Quinta Avenida de seu
poleiro na escadaria do Metropolitan Museum of Art. a cabelo louro-claro abundante
cobria o capuz do casaco de cashmere branco acinturado e caia nos ombros. L estava, de
novo, na lateral do nibus M 102  O anncio do Lgrimas de Serena. Ela no tinha
problema com o modo como aparecia na foto. Gostava de como o vento frio chicoteava
seu vestido de vero amarelo entre os joelhos bronzeados de St. Barts e como, embora ela
s estivesse calando sandlias e um vestido leve no meio do Central Park em fevereiro,
o arrepio que sentira nos braos e pernas fora cuidadosamente retocado. Ela at gostava
de como ficou sem batom, e assim seus lbios perfeitamente cheios pareciam meio
rachados e arroxeados. Eram as lgrimas nos enormes olhos azul-escuros que a
incomodavam.  claro que era o que tinha levado a Les Best a batizar o novo perfume de
Lgrimas de Serena, mas o verdadeiro motivo para Serena ter chorado na foto foi
porque era o dia - no, o exato minuto - em que Aaron Rose (por quem Serena tinha
certeza de estar apaixonada, pelo menos por uma semana) a havia magoado. E o que a
incomodava, o que a fazia se sentir como se chorasse tudo novamente, era que, agora que
eles tinham terminado, ela no tinha ningum para amar e ningum que a amasse.
No que ela no amasse quase todos os caras que conhecera, e no que todo cara do
mundo no fosse totalmente apaixonado por ela. Era impossvel no ser. Mas ela queria
algum para am-la e inund-la de ateno como s um cara que estava completamente
apaixonado por ela podia fazer. Esse amor raro. O amor verdadeiro. O tipo de amor que
ela nunca teve.
Sentindo-se incomumente sombria e melanclica, ela pegou um cigarro Gauloises na
amarfanhada bolsa Chanel de veludo cotel preto e acendeu s para v-lo queimar.
- Eu me sinto feia como este clima - murmurou Serena, mas depois abriu um sorriso
quando viu a melhor amiga, Blair, subindo os degraus em direo a ela. Pegou o latte
extra que tinha comprado, levantou-se e estendeu-o para Blair. - Demais, os sapatos -
assinalou ela, admirando a mais recente compra de Blair.
- Pode pegar emprestado - ofereceu Blair generosamente. - Mas vou te matar se voc
derramar alguma coisa neles. - Ela puxou a manga de Serena. - Vem, vamos chegar
atrasadas.
As duas meninas desceram lentamente a escada e subiram a Quinta Avenida na direo
da escola, bebendo o caf enquanto prosseguiam. Um vento frio soprava atravs dos
galhos nus das rvores no Central Park, fazendo-as tremer.
- Meu Deus, est frio - sibilou Blair e enfiou a mo livre no bolso do casaco de cashmere
branco de Serena do modo como s uma grande amiga faria. - Mas a - comeou a falar.
Tinha controlado as lgrimas, mas a voz ainda estava meio instvel. - No s minha me
fica zanzando pela casa, tipo assim, alisando os ovrios dela,como hoje o decorador vai
transformar meu quarto num parquinho de beb, em tons de chicria e cu!
De repente O desejo de Serena por amor parecia meio banal. Os pais deLa no se
divorciaram porque O pai era gay; a me dela no estava grvida; o meio-irmo no tinha
dado em cima dela, depois da melhor amiga e depois deu o fora nas duas; e ela no ia ser
obrigada a mudar de quarto. No s isso, ela no era virgem na idade avanada de 17
anos e no tinha beijado o entrevistador de Yale e depois quase perdido a virgindade
para o ex-aluno de Yale que fez outra entrevista, avacalhando completamente as chances
de entrar para a universidade. Alis, ao pensar realmente no assunto, Serena via que sua
vida era um mar de rosas se comparada com a de Blair.
- Mas voc pegou o quarto do Aaron, n? E acabou de ser redecorado para ele...  legal.
- Pra quem gosta de cortinas de cnhamo e mveis de folha de ginkgo ecologicamente
corretos - zombou Blair. - Alm disso, Aaron  um idiota. Ir a Oahu para passar as frias
de primavera foi totalmente idia dele.
Serena no achava que Oahu parecesse to ruim, mas no queria contradizer Blair quando
ela estava de mau humor e corria o risco de furar os olhos dela. As duas meninas
atravessaram a rua 86 no sinal aberto, esbarrando uma na outra enquanto corriam para
escapar de serem atropeladas por um txi. Quando chegaram  calada, Serena de repente
parou, os olhos azuis enormes brilhando de empolgao.
- Ei! Por que no vem morar comigo?
Blair se curvou para abraar as pernas nuas e congeladas.
- Ser que a gente pode continuar andando?  perguntou ela, rabugenta.
- Voc pode morar no quarto do Erik- continuou Serena, animada. - E pode deixar Oahu
pra l e ir esquiar em Sun Valley com a gente!
Blair parou e soprou no caf, espiando a amiga atravs do vapor. Desde que Serena
voltou do internato, Blair a odiava totalmente, mas s vezes a amava totalmente. Ela
tomou o ltimo gole e atirou o copo meio cheio numa lixeira.
- Me ajuda a fazer a mudana depois da aula?
Serena passou o brao pelo de Blair e cochichou no ouvido dela:
- Voc sabe que me ama.
Blair sorriu e pousou a cabea exausta de problemas no ombro de Serena enquanto as
duas viravam a direita na rua 93. Algumas centenas de metros alem ficavam as grandes
portas azul-real da Constance Billard School for Girls. Meninas de rabo-de-cavalo com as
saias cinza pregueadas do uniforme andavam em crculos na calada, tagarelando
enquanto a notria dupla de veteranas se aproximava.
- Ouvi dizer que Serena conseguiu um baita contrato de modelo depois que fez o anncio
do perfume. Ela vai trazer o filho de volta da Frana. Sabe qual , aquele que ela teve
no ano passado antes de voltar para a cidade. Todas as supermodelos tem bebes - piou
Rain Hoffstetter.
- Eu soube que ela e Blair vo pegar um apartamento no centro e criar o beb sozinhas
em vez de ir para a faculdade.
Blair decidiu nunca transar com homens, e obviamente Serena teve sexo suficiente para a
vida toda. Olha s pra elas - entoou Laura Salmon. - Lsbicas totais.
- Aposto que elas pensam que esto fazendo alguma grande declarao feminista ou coisa
assim - observou Isabel Coates.
- , mas elas no vo se sentir to bem com isso quando os pais delas, tipo assim, forem
obrigados a deserdar as duas - afirmou Kati Farkas. A primeira sineta tocou, levando as
meninas para dentro da escola.
- Oi - disseram Serena e Blair enquanto passavam pelo grupo de meninas ao entrar.
- Sapato bacana! - Rain, Laura, Isabel e Kati cantarolaram em resposta, embora s Blair
estivesse usando sapatos novos. Serena estava com as mesmas botas de camura marrom
surradas que usava desde outubro. Blair sempre teve os melhores sapatos e as melhores
roupas, e Serena sempre era linda, de qualquer forma, mesmo com as roupas rasgadas e
queimadas de cigarro do internato. E esse era outro motivo para odiar a dupla, ou am-la,
dependendo de quem voc fosse e de seu estado de esprito.

o nico careta no time de lacrosse

- Peguei! - Nate Archibald girou o basto de lacrosse sobre a cabea, rebateu a bola e a
atirou com habilidade para Charlie Dem. Seu rosto vermelho estava sujo de terra e os
cachos castanho-dourados estavam colados de suar e pedaos de grama seca do
Central Park, fazendo com que ele parecesse ainda mais gostoso do que o modelo mais
gostoso de todo o catlogo da Abercrombie & Fitch. Ele levantou a camisa para enxugar
o suor dos olhos verdes brilhantes, e at os pombos empoleirados nas mores piaram
de prazer com essa viso. O grupo de calouras do Seaton Arms que assistia da lateral deu
risadinhas de excitao.
- Caraca. Ele deve ter malhado muito na priso  disse uma menina a meia-voz.
- Ouvi dizer que os pais dele vo mand-lo para o Alasca depois da formatura, pra
trabalhar numa fabrica de atum enlatado - cochichou a amiga dela. - Eles esto
preocupados que ele volte a traficar drogas se for para a faculdade.
- Eu soube que ele tem um problema cardaco bem raro.
Ele tem de fumar maconha para no ter ataques  acrescentou outra. - Na verdade,  meio
cool.
Nate deu um sorriso distrado para elas e as meninas fecharam os olhos para no
despencarem no cho. Meu Deus, ele  perfeito.
Era o incio da temporada e ainda no tinham apontado nenhum capito do time, ento
cada garoto dava o mximo de si. Depois das jogadas de sempre, o treinador Michaels
pediu a eles que fizessem uns lanamentos livres. Nate estava lanando com o amigo
Jeremy Scott Tomkinson quando ouviu o celular tocar na pilha de casacos. Ele acenou
para Jeremy e correu para atender.
Georgina Spark, namorada de Nate h semanas, estava morando em uma clnica
exclusiva de reabilitao de drogas e lcool em sua cidade natal de Greenwich,
Connecticut, e s tinha permisso para dar telefonemas vigiados em determinadas
horas do dia. Da ltima vez em que Nate perdeu um telefonema dela, ela ficou to
arrasada que tomou um porre e depois foi encontrada no telhado da clnica, mascando
chiclete Nicorette e cheirando um frasco de removedor de esmalte, coisas que tinha
roubado da bolsa de uma enfermeira.
- Voc est ofegando - observou Georgie timidamente quando Nate atendeu. - Estava
pensando em mim?
- Estou no treino de lacrosse - explicou ele. O treinador Michaels cuspiu ruidosamente na
grama s a alguns metros de distncia. - Mas acho que est acabando. Voc est bem?
Como sempre, Georgie ignorou a pergunta.
- Adoro o jeito como voc est todo atltico, saudvel e sem qumica, e eu aqui nesta
priso, definhando de saudade de voc. Como uma princesa de conto de fadas.
Ou no.
Algumas semanas antes, Nate foi pego pelos tiras enquanto comprava uma trouxinha de
erva no Central Park e foi mandado para a reabilitao na Breakaway, em Greenwich.
Nate conheceu Georgie na terapia de grupo. Uma noite, durante uma tremenda
tempestade de neve, Georgie convidou Nate para ir  manso dela para namorar. Eles
ficaram chapados juntos e depois Georgie desapareceu no banheiro para tomar
comprimidos controlados. Logo ela desmaiou de calcinha na cama e Nate no teve
absolutamente nenhuma alternativa a no ser ligar para o pessoal da Breakaway para que
viessem peg-la. E desde ento eles estavam namorando.
Este seria um conto de fadas meio tosco.
- Ento o motivo para eu ligar ... - cantarolou Georgie no telefone.
Os colegas de time de Nate se reuniram em volta dele, pegando os casacos e tilitando as
garrafas de Gatorade que tinham trazido. O treino acabara. O treinador Michaels cuspiu
um catarro preto perto da ponta do tnis de Nate e apontou um indicador nodoso para ele.
-  melhor eu ir - disse Nate a Georgie. - Acho que o treinador quer me indicar como
capito.
- Capito Nate! - guinchou ela ao telefone.  Meu capitozinho lindo!
- Ento eu te ligo depois, t legal?
- Pera, pera, pera! Eu s queria que voc soubesse que consegui que minha me
convencesse esses macacos a me deixarem sair nos sbados, desde que eu esteja com um
adulto ou mentor responsvel. Ento vamos para a casa de esqui da minha me no Sun
Valley nas suas frias de primavera, t bom? Voc vem?
O treinador Michaels grunhiu alguma coisa para Nate e ps as mos nos quadris de velho.
Mas Nate no precisava pensar por muito tempo na pergunta de Georgie. Sun Valley
parecia um inferno muito melhor do que fazer reparos no velho catamar do pai na casa
de vero em Mt. Desert, no Maine.
-  claro que eu vou.Claro que sim. Olha, eu tenho de ir.
- Oba! - gritou Georgie. - Eu te amo  acrescentou ela com a voz rouca e depois desligou.
Nate atirou o celular em cima do casaco de l azul-marinho Hugo Boss e esfregou as
mos com energia. Os colegas de time j haviam ido para casa.
- Que foi, treinador?
O treinador Michaels deu um passo na direo dele, sacundindo a cabea enquanto
puxava o ranho das vias nasais.
Mas que eca.
- No ano passado eu quase fiz de voc o capito, quando o Doherty machucou o joelho -
disse o treinador. Ele cuspiu e sacudiu a cabea de novo. - Ainda bem que no fiz.
Epa.
O sorriso de esperana de Nate entortou um pouco.
- Por que isso?
- Porque voc no foi feito para ser capito, Archibald! -ladrou o treinador. - Olha pra
voc, tagarelando no telefone como um playboy enquanto o resto do time esta l, dando
duro. E no pense que no sei sobre sua priso por drogas. - Ele deu uma rosnadinha. -
Voc no e lder, Archibald. - Ele cuspiu novamente e deu as costas para Nate, enfiando
as mos nos bolsos da parca vermelha Lands' End enquanto se afastava. - Voc  s um
monte podre de decepo.
- Mas eu nem tenho fum... - gritou Nate para ele, a voz falhando no vento. O cu era de
um cinza de ao e os galhos nus das arvores estalavam e gemiam. Nate ficou de p
sozinho na grama marrom de maro, segurando o basto de lacrosse e tremendo um
pouco de frio. Seu pai era um ex-capito da marinha, ento ele estava acostumado a
desprezar velhas figuras de autoridade arrotando poder com seus sermes.
Mas ainda era muito ultrajante que o treinador Michaels pensasse que o nico sujeito
careta no time no era adequado para ser o capito. O treinador nem mesmo lhe deu a
oportunidade de se defender.
Ele se curvou e pegou o casaco. Se estivesse chapado agora, teria dado um sorriso sereno
para as acusaes do treinador e acendido um baseado. Em vez disso, jogou o casaco
nos ombros, mostrou o dedo mdio para as costas do treinador e arrastou-se pela campina
que escurecia em direo a Quinta Avenida.
Charlie, Jeremy e Anthony Avuldsen estavam esperando por ele no caminho que saa do
parque. Anthony era doido demais ate para praticar esporte, a no ser pelo jogo
ocasional de futebol no parque, mas ele sempre encontrava os rapazes depois do treino
com baseados j apertados e um grande sorriso na cara sardenta de cavanhaque louro.
Devagar, os garotos saram do parque e foram para a Quinta Avenida.
- Cara, ele te nomeou capito, no foi?  perguntou Charlie, a voz falhando como sempre
acontecia quando ele estava chapado, o que significava basicamente o tempo todo.
Nate pegou a garrafa de Gatorade azul da mo de Charlie e tomou um gole. Embora
aqueles caras fossem seus melhores amigos, ele no ia contar o que tinha acontecido.
- O treinador me ofereceu, mas eu recusei. Quer dizer, no tenho certeza se j estou na
Brown, de qualquer forma, ento no  que eu precise do titulo de capito de lacrosse no
meu histrico escolar. E provavelmente vou perder alguns jogos de fim de semana saindo
com a Georgie em Connecticut. Eu disse ao treinador para dar a um calouro.
Os trs garotos ergueram a sobrancelha, surpresos e admirados.
- Meu Deus, cara  disse Jeremy num sussurro.  Isso , tipo assim, grande da sua parte.
De repente Nate sentiu o tipo de rubor que podia ter sentido se realmente tivesse dito ao
treinador para fazer de capito um calouro em vez dele. Como ele teria sido grande se
isso realmente tivesse acontecido.
- , isso a. - Ele sorriu, pouco  vontade, e abotoou o casaco. No s tinha mentido sobre
a oferta da posio de capito do treinador, como tambm mentira sobre suas chances
de ser aceito na Brown.  claro que seu pai tinha ido l e  claro que ele fez uma
entrevista de arrasar, mas ele estava chapado como uma fatia de po em cada prova e
teste padronizado que fizera desde o primeiro ano, ento suas notas mal passavam de
medocres.
- Toma. - Anthony estendeu um baseado aceso. Ele tinha a tendncia a esquecer a toda
hora que Nate parara de fumar aquilo. -  cubano. Comprei do meu primo, que conseguiu
com Rollins, na Flrida.
Nate afastou o baseado.
- Tenho de escrever um trabalho - disse ele, afastando-se do grupo na direo de casa. Era
difcil se acostumar com isso: no ficar doido. Sua mente estava to clara que quase
doa. E de repente havia tanta coisa em que pensar.
Caraca.

o copo de d est meio vazio

Quando a escola liberou os alunos para o dia, o antes desgrenhado e agora arrumadinho
na moda Daniel Humphrey no ficou zanzando pelos arredores da Riverside Prep com os
outros alunos do terceiro ano, quicando bola de basquete e comendo pizza em fatia na 76
com a Broadway. Em vez disso, fechou a nova jaqueta preta APC, amarrou novamente os
sapatos de boliche Camper e foi para o Plaza Hotel encontrar-se com sua agente.
O salo de jantar decorado em ouro do Plaza estava zumbindo da multido habitual de
turistas russos vestidos espalhafatosamente, vovs extravagantes e algumas famlias
ruidosas do Texas, todos com sacolas de compras da FAO Schwarz e da Tiffany, e todos
tomando cho exceto Rusty Klein.
Mud! Mud!
Rusty soprou beijos no ar dos dois lados do rosto de Dan enquanto ele se sentava.
- Mystery vem? - perguntou ele, cheio de esperana.
Dezenas de pulseiras de aura chocalharam ruidosamente quando Rusty deu um tapa na
prpria testa.
- Mas que merda! Acho que esqueci de contar. Mystery est numa turn mundial do livro
por seis meses. J vendemos 500 mil exemplares no Japo!
A ltima vez em que Dan vira Mystery foi em uma apresentao no Rivington Rover
Poetry Club, no centro da cidade. Eles praticamente transaram no palco enquanto faziam
uma recita improvisada de poesia juntos. Depois a poeta lnguida, excitada e de dentes
amarelos se retirou para escrever e Dan no a viu desde ento.
- Mas o livro dela ainda nem saiu - protestou ele.
Rusty empilhou o cabelo vermelho-fogo no alto da cabea e enfiou um lpis nmero dois
nele. Pegou o martni e bebeu, borrando toda a borda da taa com o batom rosa.
- No importa se o livro nunca sair. Mystery j  uma celebridade - declarou ela.
Fumante vido, Dan de repente ficou desesperado por um cigarro. Mas era proibido
fumar, ento em vez disso ele pegou um garfo na mesa e apertou os dentes na palma da
mo trmula. Mystery, que tinha apenas 19 ou 20 anos (Dan no tinha certeza),
conseguira escrever um livro de memrias intitulado Por que eu sou to fcil em menos
de uma semana. No dia em que terminou, Rusty o vendeu a Random House por um
adiantamento de surpreendentes seis dgitos, com um acordo para o cinema.
Rusty puxou a cadeira para a frente e empurrou a taa meio bebida de gua velha para
Dan, como se esperasse que ele tomasse.
- Mandei "Cinzas, cinzas" para a North Dakota Review disse ela de forma precipitada. -
Eles odiaram.
"Cinzas, cinzas" era o ltimo poema de Dan, escrito na voz de um sujeito que perde o co
morto, mas deixava que o leitor deduzisse que o narrador estava se dirigindo a um
cachorro, e no a uma ex-namorada ou coisa assim.

 o primeiro jogo de basquete da temporada
Espero por seu beijo
O bafo de carne feito chocolate
Meus sapatos ainda l
Um na sua cama, onde voc o deixou
O outro no banco traseiro do meu carro

Dan afundou na cadeira. Na semana em que "Putas" saiu na New Yorker, ele se sentiu
invencvel e famoso. Agora ele se sentia um imbecil.
- Queridinho, posso pensar em vrios motivos para seu texto no agradar a todos como o
de Mystery  cantarolou Rusty. - Voc ainda  novo, meu benzinho. S o que precisa
 de um bom treinamento. Que merda, preciso de outro drinque. - Ela arrotou no pulso e
depois ergueu as duas mos, segundos depois um martni transbordando era colocado
diante dela.
Dan pegou o copo de gua pela metade e depois o baixou novamente. Queria perguntar a
ela sobre aqueles "vrios motivos" por que seu texto no agradava a todo mundo como
o de Mystery, mas de novo tinha certeza de que sabia a resposta. Enquanto Mystery
escrevia principalmente sobre sexo, Dan escrevia principalmente sobre a morte, ou querer
morrer, ou se perguntar se estar morto e melhor do que estar vivo, o que era meio
deprimente, se pensarmos no assunto. Alm disso, ele no era rfo, como Mystery - de
acordo com a lenda, de qualquer forma. Uma rfo criada por prostitutas. Dan era s um
garoto de 17 anos que morava num apartamento enorme pr-guerra no Upper West Side
com o ultrajante mas adorvel pai divorciado, Rufus, e a irm mais nova relativamente
adorvel e de peitos grandes, Jenny.
- Ento, era isso que voc queria me dizer?  perguntou ele, sentindo-se deprimido.
- Est brincando? - Estimulada pelo quarto gole do martni nmero dois, Rusty pegou um
celular da bolsa Louis Vuitton edio Snapdragon. - Prepare-se, Dannyzinho. Estou
ligando para Sig Castle, do Red Letter. Vou conseguir que ele te d um emprego!
A Red Letter era a publicao de literatura de maior prestgio do mundo. Comeou cinco
anos antes, com o poeta alemo Sigfried Castle, em um armazm abandonado em Berlim
Oriental, e recentemente foi comprada por Cond Nast e se mudou para Nova York, onde
prosperava no papel de filhote-vanguarda-moleque dos editores da vogue e da Lucky.
Rusty comeou a discar antes que Dan sequer tivesse a oportunidade de responder. 
claro que trabalhar na Red Letter seria uma honra, mas ele no estava procurando um
emprego no mercado.
- Mas eu ainda estou na escola - murmurou ele.s vezes a agente tendia a se esquecer de
que ele s tinha 17 anos e portanto no podia se encontrar com ela para tomar expressos
no meio da manha de uma segunda-feira ou pegar um avio para Londres
impulsivamente para comparecer a um recital de poesia. Ou ter um emprego de tempo
integral.
- Sig-Sig,  a Rusty - cantarolou ela. - Escute, meu amor. Estou mandando um poeta para
voc. Ele tem potencial, mas voc podia dar uma afiadinha nele. Entendeu?
Sigfried Castle - Dan ainda no conseguia acreditar que Rusty estava realmente falando
com o Sigfried Castle  disse alguma coisa que Dan no pde ouvir. Rusty passou o
telefone a ele.
- Sig quer dar uma palavrinha.
As mos de Dan pingavam de suor quando ele levou o telefone a orelha, nervoso, e disse,
a voz tremida:
- Al?
- Eu no tenho a menorrr ida de quin voz , mas Rrrusty cuida da vantstica Mysterry
Crraze, ento ajo que devo conziderrar voz tambin, hein? - balbuciou Sigfried Castle
num sotaque alemo arrogante.
Dan mal conseguiu entender uma palavra, exceto a parte de Mystery Craze. Como  que
todo mundo ouvira falar de Mystery, e no dele? Afinal, ele foi publicado na New Yorker.
- Muito obrigado pela oportunidade - respondeu ele com humildade. - Na semana que
vem estarei livre, de frias, ento poderei trabalhar o dia todo. Depois que as frias
terminarem, s posso trabalhar depois da aula.
Rusty arrancou o telefone dele.
- Ele estar a na segunda de manh - declarou ela. - Bye-bye, Sig-Sig. - Desligando, ela
atirou o telefone na bolsa e atacou o martni. - Ns ramos amantes, mas  melhor agora,
que somos amigos - confessou ela. Ela estendeu a mo e beliscou a bochecha plida e
confusa de Dan. - Nossa. Voc  p novo estagirio de Sig-Sig, seu estagiariozinho
bonitinho-cuticti!
Rusty falou num tom aviltante, como se Dan fosse passar os dias de trabalho mexendo os
cafs descafeinados de Sigfried Castle e fazendo ponta nos lpis dele. Mas um estgio na
Red Letter era um cargo de tanto prestigio e to impossvel de conseguir que ele no
podia reclamar.
- Mas e a, a Red Letter recebeu esse nome por causa da letra A de adultrio que Hester
Prynne teve de usar em A letra escarlate?- perguntou ele, genuinamente interessado.
Rusty o encarou de um jeito interrogativo.
- Como  que eu vou saber, porra?

como no falar com quem voc no est falando

Depois da reunio de editorial da Rancor, Vanessa Abrams disparou pela porta da
Constance Billard e desceu a escada. Os cabelos no voavam atrs dela, batendo
lindamente nos ombros, porque ela mantinha a cabea raspada e praticamente no
tinha cabelo. E ela no precisava se preocupar com uma toro no tornozelo por causa
dos saltos porque ela nunca usava saltos. Na verdade, ela nunca usava sandlias, s botas.
E das grandes, com biqueira de ao.
O motivo de toda essa pressa de Vanessa era porque Ruby tinha lhe dado uma lista de
umas porcarias para comprar na loja de produtos naturais quando sasse da escola, e ela
realmente precisava conseguir tudo e chegar em casa antes dos pais, para se certificar de
no ter esquecido de se livrar de alguma prova de seu trabalho de cineasta e eles
descobrirem e a desmascararem.
Na base da escada, ela quase atropelou a ltima pessoa que esperava ver. Dan, o ex-
melhor amigo e ex-namorado. O cabelo castanho-claro de Dan estava elegantemente
arrumado, com costeletas compridas emoldurando o maxilar srio, e ele vestia um temo
cinza que parecia francs e caro. Isso de um cara que antigamente s cortava o cabelo
quando no era mais capaz de enxergar e que usava a mesma cala de veludo marrom at
que as bainhas ficassem pudas e tivesse buracos nos joelhos.
Vanessa puxou a malha de l preta que aquecia as pernas e cruzou os braos.
- Oi. - Por que voc est aqui, merda?
- Oi - respondeu Dan. - S estou esperando pela Jenny - explicou ele. - Consegui um
emprego hoje. Queria contar a ela sobre isso.
- Que bom pra voc. - Vanessa esperou que Dan dissesse mais alguma coisa. Afinal, foi
ele quem a traiu com aquela piranha da Mystery e foi ele quem se vendeu totalmente para
ficar famoso. Ele podia pelo menos se desculpar por isso.
Dan continuou mudo, os olhos passando do rosto de Vanessa para as portas da escola e
de volta ao rosto dela. Vanessa podia dizer que ele estava morrendo de vontade de contar
a ela sobre o emprego, mas ela no ia lhe dar a satisfao de perguntar.
Ela pegou uma bisnaga de vaselina do bolso da jaqueta de aviador e passou um pouco nos
lbios. Era a coisa mais prxima de brilho labial que Vanessa tinha.
- Eu vi sua irm a dentro, falando com a professora de arte. Vai sair num minuto.
- O que  que t rolando? - perguntou Dan, exatamente quando ela estava prestes a sair.
Vanessa suspeitou de que ele s estava perguntando para que ela perguntasse a ele o que
estava rolando, e depois de pudesse contar tudo sobre como foi indicado ao Prmio
Pulitzer ou uma merda dessas.
- Meus pais vo chegar hoje  noite - respondeu ela, cedendo um pouco. - Voc sabe
como isso sempre  divertido para mim - acrescentou ela, depois desejou no ter feito
isso. No fazia bem nenhum lembrar que os dois sabiam tudo um sobre o outro, agora
que no estavam se falando mais.
-  isso a. Tchau.
- T. - Dan ergueu a mo e deu um largo sorriso, o tipo de sorriso falso de merda que ele
nem sabia dar antes de comeara ir a desfiles de moda com agentes que davam beijinhos
no ar e poetas famosas, esquisitas e piranhudas. - Foi bom te ver.
Foi bom te ver tambm, baba-ovo, respondeu Vanessa em silncio enquanto ia para a
Lexington pegar o metr para Williamsburg.
Na verdade, era mesmo meio bom ver o Dan, e ela queria contar mais a ele. Queria contar
como o incessante "somos artistas, olha como rugimos" dos pais sufocava qualquer
migalha de criatividade dela. Como os pais dela sequer sabiam que ela fazia filmes,
embora fosse basicamente a nica coisa que gostava de fazer. Como eles nem mesmo
sabiam que ela fora admitida antecipadamente na Universidade de Nova York,
puramente com base na fora de sua arte. E como eles no iam saber, em toda a visita de
quase duas semanas, que o armrio do quarto dela estava abarrotado de equipamento de
filmagem e os velhos vdeos preferidos. Apesar de parecer irnico, Ruby - a filha que
nunca foi a faculdade, usava cala de couro o tempo todo embora fosse vegetariana e
tocava baixo numa banda de garagem esquisita, ruidosa e quase toda masculina - era a
filha criativa, a favorita.
. Dan no ia gostar nem um pouco disso. Isto , se eles ainda estivessem se falando.
Chegando a Williamsburg, ela correu para fora do metr e entrou na loja de produtos
naturais a algumas quadras de distncia. Mussarela de soja, massa de lasanha sem
glten, tempeh..., ela leu a lista que Ruby lhe dera. Nesta noite Ruby ia fazer sua
famosa lasanha de soja e tempeh em homenagem a chegada dos pais. Havia outra coisa
que isolava Vanessa. Ela era carnvora, enquanto Ruby e os pais eram totalmente
vegetarianos.
Ela pegou um bloco de tempeh na geladeira da loja.
- Voc nem olha para esse tipo de comida - disse ela, atirando o tempeh na cesta de
compras. Sacudiu a cabea e sorriu com amargura enquanto ia para o corredor em busca
da seo de produtos sem glten. Seu pai sempre falava com objetos inanimados. Era
parte da mstica de "artista piradinho" dele. Mas Vanessa no era realmente artista - ainda
- e, se no encontrasse algum para conversar alem de um bloco de carne vegetariana
cujo sabor sequer lhe agradava, ela ia ficar mais do que piradinha: ia ficar totalmente
insana.
"Por que no sai e faz alguma coisa com seus amigos?", Ruby sempre perguntava quando
Vanessa parecia particularmente triste, amargurada e solitria. Vanessa sempre tratava
essa questo da mesma maneira como tratava a pergunta "Por que no usa cores em vez
de s preto?". Porque, para ela, o preto era uma cor - a nica cor. Assim como Dan era o
nico amigo. Ia ser estranho quando os pais dela perguntassem por ele e ainda mais
estranho no ter ningum para sair nas frias.
A no ser que... a no ser que ela conhecesse algum com quem sair.

gosto de uma boa pele falsa

L estava ele! Jenny voou escada abaixo ao sair da escola. Leo - que era abreviatura de
Leonardo, claramente representativo de Leonardo da Vinci, que foi um grande, se no o
maior artista, na opinio dela -, Leo, o Leo dela, estava esperando por ela depois da aula
como um bom namorado, o melhor namorado. Superalto e superlouro, com olhos azuis
felizes, um adorvel dente da frente torto, andava a passos largos. E ele era dela, todo
dela!
- Olha,  o seu irmo. - Jenny ouviu a nova melhor amiga, Elise Wells, dizer atrs de si
enquanto ela corria ao encontro de Leo. S a meio metro de distncia, Dan estava
parado, curvado, as mos nos bolsos, como se ela tivesse dez anos de idade novamente e
ele a estivesse esperando para lev-la para casa.
Jenny ficou na ponta dos ps e deu um beijo no rosto de Leo enquanto Dan ficou
observando.
- Oi - murmurou ela na orelha de Leo, sentindo-se extremamente madura. Com sorte,
toda a turma - no, a escola inteira - estava olhando invejosamente neste exato momento.
- Voc esta toda quente - sussurrou Leo, pegando a mozinha dela na mo desajeitada e
desengonada dele. O pulso dele acidentalmente esbarrou no peito de Jenny e ela corou.
Jenny Humphrey era baixinha, a garota mais baixa de todo o primeiro ano, mas tinha os
maiores peitos da escola, ou talvez do mundo todo. Eram to grandes que ela havia
pensado em reduzi-los cirurgicamente, mas depois de pensar um pouco mais ela decidiu
que faziam parte do que a tomava ela mesma, e ento decidiu deix-los como estavam. E
aps viver com eles por 14 anos, ela se acostumou com as pessoas esbarrando neles
por acidente porque eles apontavam muito para fora, mas Leo claramente ainda estava
tentando entender como lidar com eles.
 claro que estava.
- E a, o que vamos fazer? - perguntou ele, a voz mal podendo ser ouvida. No comeo,
Jenny teve problemas para entend-lo, porque ele falava quase aos sussurros e preferia
e-mails a telefone. Mas quando pensou no assunto ela meio que gostou de que ningum
mais pudesse ouvir o que Leo lhe dizia. Era como se eles tivessem a prpria lngua
particular. E isso fazia com que Leo parecesse mais problemtico e misterioso, como
algum com um passado obscuro.
Dan tinha ouvido de tudo sobre Leo Berensen, o garoto que Jenny conhecera online, mas
no pessoalmente. Ele se aproximou e se apresentou.
- Ento voc est no segundo ano da faculdade? Na Smale? Soube que as artes grficas
so timas por l.
-  - respondeu Leo inaudivelmente, o olhar nebuloso mal roando o rosto de Dan. Jenny
ergueu o brao de Leo e sorriu exultante como se ele tivesse acabado de salvar o mundo
com suas palavras. - Muito.
- Legal. - Dan estava meio irritado por ter tido o trabalho de ir at a escola para encontrar
Jenny depois da aula e poder se gabar do estgio na Red Letter, e agora esse louro
palerma estava atrapalhando.
- Hmmm, odeio interromper desse jeito, gente, mas ser que a gente pode, tipo assim, ir a
algum lugar? - pediu Elise Wells do lado de fora do crrculo. Seu cabelo louro e duro
estava enfiado atrs das orelhas frias e rosadas. - Estou ficando com hipotermia.
No era de todo surpreendente, considerando que o uniforme cinza pregueado estava to
curto que mal cobria a bunda. O estilo de Elise sempre foi de boa-menina-patricinha-
misturado-com-puta-barata, mas ultimamente ela estava pecando para o lado do puta-
barata.
- Vamos pegar o nibus para a minha casa - piou Jenny alegremente. Ela nunca se sentiu
to... procurada em toda a vida. - Talvez o papai esteja em casa. Ele est morrendo de
vontade de te conhecer - disse ela a Leo.
Dan sorriu para si mesmo enquanto os seguia pela Quinta Avenida para a rua 96.  mais
provvel que o pai deles quisesse comer Leo no almoo.
Elise andou ao lado dele, as mangas do suter cor-de-rosa puxadas sobre as mos para
mant-las aquecidas.
- E ai, voc  um poeta de verdade? - perguntou ela enquanto o nibus encostava e eles
entravam. Jenny e Leo j estavam sentados juntos, de mos dadas. Dan foi para uma
cadeira bem atrs deles e Elise se sentou ao lado dele. - Eu odeio redao criativa. Nossa
professora age como se todo mundo estivesse cheio de idias o tempo todo... s
precisamos colocar no papel. Mas toda vez que temos de fazer uma redao em aula, no
consigo pensar em nada para escrever. Sabia?
Dan no sabia. Para ele, a redao em aula era um completo dom divino. Ele era to
cheio de idias que no tinha tempo para escrever todas. Ainda assim, era meio
refrescante conversar com algum que o achava um poeta de verdade.
- Na verdade, eu acabo de descobrir que vou fazer um estgio na Red Letter nas minhas
frias de primavera. Estou muito animado. Quer dizer, aqueles estgios so muito difceis
de conseguir.
Elise inclinou a cabea e apertou os lbios.
- Red o qu?
- Sabe qual , a Red Letter. E tipo a revista trimestral de vanguarda literria mais bem-
sucedida do mundo.
- Ah. - Elise olhou para ele de lado, como se quisesse saber se ele era ainda mais
bonitinho de perfil.
E era, especialmente com aquelas novas costeletas hipster. - Posso ler um poema seu? -
perguntou ela descaradamente.
Jenny se virou quando ouviu isso. Ento Elise estava paquerando seu irmo. Ela olhou
para Leo e pensou em cochichar alguma coisa com ele sobre isso, mas Leo no era do
tipo de fazer fofoca.
Por acaso se escreve c-h-a-t-o?
Mas ento Leo a surpreendeu, inclinando-se e cochichando no ouvido dela.
- Olha s o casaco daquela mulher do outro lado.  falso, mas d pra dizer que  um J.
Mendel pela cor. A maioria das peles falsas e toda de uma cor s, mas o mink verdadeiro
tem montes de cores diferentes. A J. Mendel faz as melhores peles falsas.
Jenny olhou o casaco da mulher, insegura quanto ao que fazer com tudo aquilo. Pele falsa
era uma coisa meio estranha para um cara conhecer. Ela ainda no tinha perguntado o que
os pais dele faziam para viver. Talvez fossem importadores de peles russas exticas,
caadores ou coisa assim.
- Como...?- Ela virou a cabea para responder, mas Leo estava olhando intensamente pela
janela enquanto zuniam pelo Central Park, to imerso em pensamentos que ela no quis
interromp-lo. Olhando para o buraco escuro da orelha esquerda dele, ela se perguntou se
ele podia ser meio surdo, e da os sussurros. Ele at tinha uma pequena cicatriz no
pescoo que podia ter sido de varola, ou de um tiro.
Ela apertou mais a mo dele. Ah, que maravilha ter um Leo, um Leo louca e
maravilhosamente misterioso!

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temas / anterior / prxima / faa uma pergunta / respostas

Advertncia: todos os nomes verdadeiros de lugares, pessoas e fatos foram abreviados
para proteger os inocentes. Quer dizer, eu.
oi, gente!

EU, GLORIOSAMENTE EU

Parece que ultimamente todo mundo que  algum esta falando de mim. Totalmente
lisonjeiro, sim, mas tambm totalmente intil. No h melhor lugar para andar incgnita
do que aqui em Manhattan, onde qualquer pessoa notvel pelo menos finge que no quer
ser notada. Sabe, como as celebridades, tipo Cameron Diaz, esto sempre andando de
bon e culos de sol para esconder a identidade? As pessoas normais no fazem isso,
ento, se voc fizer, imediatamente atirar a ateno e as pessoas constantemente tentaro
imaginar quem voc , e a questo  exatamente essa. Basicamente, sou gulosa por esse
tipo de ateno - eu adoro! Por que eu estragaria tudo revelando quem sou? Se por acaso
voc  um certo cara por quem eu par acaso tenho uma quedinha imortal, e voc fica
interessado em descobrir quem eu sou, eu s posso mandar um beijo...

Seu e-mail

P: Cara GG,
Ento eu estava me perguntando o que voc acha da idia de tirar um ano, em vez de ir
para a faculdade, e seguir uma banda que eu gosto e que viaja muito. Eu podia ganhar
algum dinheiro vendendo biscoitos ou camisetas de batique no estacionamento dos shows
deles ou coisa assim e s ver o que e a vida. Quer dizer, meus pais querem que eu v para
a universidade, mas achei que seria muito mais divertido se talvez eu s fizesse minhas
coisas, entendeu?
- cheese

R: Oi, cheese,
Sei l. No parece o plano-mais-bem-pensado para mim. Imagino que voc no seja
apaixonada pelo cantor da banda nem nada, n? Porque no  que ele v se apaixonar
por voc, mesmo que ele veja sua cara no estacionamento vendendo biscoitos. Alm
disso, acho que a faculdade vai ser divertida. Um tipo de diverso diferente, mas muito
divertida. Conheo caras de bandas que so totalmente sensuais, mas, pelo que eu soube,
toda universidade est cheia de caras em bandas, e voc e eles esto vivendo e dormindo
no mesmo campus pequeno. Agora me diz, no parece divertido?
-GG

Flagra

N com os amigos no parque, de porre. Um mito,  o que achamos. G, a namorada doida
herdeira do ao, numa excurso acompanhada da enfermeira da reabilitao ao Darien
Sport Shop em Connecticut para se vestir com roupas de esqui bonitinhas Bogner e
comprar os mais rpidos esquis da Rossignol. C, tambm na Darien Sport Shop, com a
me, comprando uma nova prancha de snowboard e olhando cobiosamente para G. S e
B no departamento de lingerie da Barneys, fazendo estoque de coisas de mulherzinha
para vadiar durante a festinha noturna na casa de S. D na seo de publicaes de
literatura da Coliseum Books, fartando-se para o novo emprego. V filmando pombos
empoleirados no peitoril da janela do quarto. Ai, do que e que ela esta lanando mo? E
um casal de artistas de meia-idade meio parecidos com V, se ela tivesse cabelo grisalho
pegajoso, no vernissage da exposio de escultura deles na Holly Smoke Gallery, no
distrito da carne. Uma pea envolvia uma roda mofada de queijo brie e uma cama
inflvel. No pergunte.

S mais dois dias para as frias, e amanh  noite vamos aquela festa. Voltarei antes
disso.

Pra voc que me ama,
gossip girl

b fica excitada s de ver os sapatos dele

- Pode dormir aqui - disse Serena a Blair enquanto as duas arrastavam as malas Louis
Vuitton superlotadas de Blair para o quarto de Erik. - Meu irmo levou a TV; o aparelho
de som e tudo com ele, ento est meio vazio aqui, mas a gente vai ficar a maior parte do
tempo no meu quarto...
- Est tudo bem. Blair olhou em volta. Comparado com a decorao suntuosa do resto do
apartamento dos van der Woodsen, o quarto era bem pobre. Uma cama antiga de solteiro
sob as janelas duplas que davam para a Quinta Avenida, o Met e o Central Park. Ao lado
dela uma cmoda comprida e baixa, e, na parede oposta, mesa e cadeira, tudo da mesma
madeira escura da cama. No cho havia um tapete turco em tons de azul-marinho e
tangerina. A porta do armrio estava entreaberta e Blair pode ver a silhueta da velha
jaqueta de brim de Erik, pendurada no cabide.
Blair respirou o cheiro de madeira do quarto. A idia de dormir na toca de um cara mais
velho que ela no conhecia bem era estranhamente excitante.
- Voc se importa se eu guardar minhas coisas?
- Tudo bem, vai nessa. - Serena se jogou na cama e pegou uma revista Playboy embaixo
do colcho de Erik, coando o nariz perfeitamente reto enquanto passava as pginas.
As duas meninas sabiam bem demais o que os garotos realmente faziam quando estavam
sozinhos em seus quartos para se contorcer e gritar a viso de uma Playboy.
Blair pegou uma cala na mala e abriu o armrio. Ao lado da jaqueta de brim, duas
camisas brancas J. Press com o colarinho e os punhos pudos penduradas ao lado de um
smoking preto Hugo Boss que mal fora usado. No cho do armrio havia um par de tnis
Stan Smith surrados e ao lado deles uma caixa de sapatos Prada.
Blair deu uma olhada em Serena, mas a amiga estava completamente hipnotizada pela
Playboy. Ela se ajoelhou, perguntando-se que tipo de pessoa deixaria para trs os sapatos
Prada. A caixa preta estava empoeirada, e quando ela levantou a tampa descobriu que no
havia sapato nenhum, s um pequeno caderno de capa de couro marrom. Cautelosa, ela o
ergueu e abriu na primeira pgina.

No acredito que estou escrevendo na porra de um dirio feito
a porra de uma garota, mas estou bbado de
tequila da festa de formatura do Case e, em vez de apagar
como uma pessoa normal, estou pirando de vez.
Acabamos de nos formar. Vamos para a faculdade. No
sei quem sou nem o que vou fazer, nem quem quero ser,
e agora estou deixando tudo que sei e FODA-SE!
Serena tem tanta sorte - ela s acabou de comear o
ensino mdio e eu vou poder contar a ela qual  a parada
com a faculdade, ento ela vai saber. Ningum vai
contar para MIM. E no e que eu v procurar qualquer
um dos meus amigos e admitir que estou assustado.
Eles s falam das mulheres com quem podemos
transar. E tenho certeza de que isso vai acontecer, a no
ser que eu me transforme num daqueles anormais que
moram num quarto sozinhos e nunca saem, e finalmente
precisam arrombar a porta por causa do cheiro.
Foda-se, isso e maluquice. vou para a cama.

Blair virou a pgina para ler mais, mas o resto do caderno estava em branco. Obviamente,
Erik conclura que escrever um dirio no era a dele. O corao de Blair bateu alto
enquanto ela relia a primeira e nica entrada. Que loucura era essa de Erik van der
Woodsen um cara que ela mal conhecia, ter apreendido com tanta perfeio o modo
como Blair se sentia nas ltimas semanas?
Ela se levantou e foi at a foto de famlia num porta-retratos de prata em cima da cmoda
de Erik. Os van der Woodsen estavam escarrapachados numa praia em algum lugar em
trajes de banho, todos bronzeados, o cabelo louro-claro, sorrisos brancos e olhos azuis
enormes. Blair podia dizer que Serena tinha uns 14 anos na foto porque ela ainda tinha
aquelas mechas na testa que conseguiu no fim da sexta srie e passou o resto do ano
cultivando. Ento Erik devia ter 17. Com o short de surfe surrado, o corpo dele parecia
musculoso e pronto para a ao, mas o rosto bonito estava um tanto cansado, como se ele
tivesse passado a noite na farra, ou talvez estivesse meio triste.
Por que eu nunca prestei ateno nele?, perguntou-se Blair. Atrs dela, Serena virava as
paginas da Playboy.
- Erik tem namorada? - perguntou-se Blair em voz alta.
- Vamos perguntar a ele. - Serena atirou a revista no cho e pegou o telefone, um sorriso
malicioso brincando no rosto. Ela estava acostumada a incomodar Erik na Brown pelo
menos trs vezes por semana, queixando-se com ele de sua vida amorosa ou da falta dela
enquanto ele reclamava da ressaca permanente.
- Oi, pervertido. Eu estava lendo sua Playboy grosseira com a Demi Moore nas pginas
centrais. Ela no tem uns cinqenta anos?
- E da? - bocejou Erik como resposta.
- Mas af, que sorte voc tem de a mame e o papai no arrastarem mais voc para as
festas beneficentes.
- Vai ser hoje  noite?
- Amanh  noite. Uma coisa de arte no Frick  respondeu Serena num tom cansado. -
Nem vale a pena comprar um vestido. Blair e eu simplesmente vamos trocar as roupas
para que elas paream novas. Alis, ela quer te perguntar uma coisa. - E depois, sem
avisar, Serena atirou o telefone para Blair.
Blair o pegou e o segurou nas mos.
- Al? - Ela ouviu Erik dizer. Ps o telefone na orelha.
- Oi.  a Blair. Hmmm, eu vou ficar no seu quarto. Espero que esteja tudo bem.
- Claro. Olha s, minha irm me disse h algum tempo que voc estava superpreocupada
com Yale e a merda de entrevista que fez l, essas coisas...
Os olhos de Blair se arregalaram de pavor. A porra da entrevista em Yale era a ltima
coisa que Erik precisava saber a seu respeito. Serena era uma...
- Bem, no precisa - continuou Erik. - Minha entrevista na Brown foi totalmente
retardada e eu consegui entrar. Sei que voc  fera no tnis, faz um monte de coisas de
caridade e Serena disse que suas notas so sensacionais. Ento, no encana, t legal?
- Tudo bem - prometeu Blair, trmula. No surpreende que Serena ligue para o irmo o
tempo todo. Ele era absolutamente o cara mais sexy e mais doce do mundo!
- E a, vai pra Sun Valley com a gente nas frias?  perguntou ele.
Blair tirou os sapatos turquesa e mexeu os dedos pintados de vermelho. Ela gostava da
sensao spera do tapete de Erik sob os ps descalos.
- Eu tenho de ir para o Hava com a minha famlia.
- No tem no - intrometeu-se Serena da cama.  Ela no vai! - gritou alto o bastante para
Erik ouvir. - Ela vai para Sun Valley com a gente!
- Voc no quer mesmo ir para o Hava, quer?  perguntou Erik meio de gentileza, meio
de brincadeira.  Vai ser muito melhor esquiar com a gente.
Blair analisou o rosto de Erik na fotografia. ser que ele sempre falou com ela desse jeito
familiar, de voc-sabe-que-me-quer? Ser que ela sempre foi completamente surda? Ela
se imaginou recostada com ele perto do fogo no bar do Sun Valley Lodge. Ela fazia a
Marilyn Monroe com sua magreza gostosssima, usando um casaco de pele de coelho
branca, o jeans Seven favorito e as botas de inverno brancas de pele de ovelha que tinha
com prado em janeiro e nunca usou. Ele era... Ernest Hemingway, todo alto-mar e
instrudo, usando um daqueles suteres de gola rul apertados, azul-marinho, com fecho
na gola, que os patrulheiros sensuais de esqui sempre usam meio abertos. Eles
bebericavam conhaque aquecido e viam as sombras formadas pelas chamas que
brincavam no rosto um do outro enquanto ela acariciava os msculos fortes e quentes por
baixo da blusa dele.
Trs anos antes, Erik no tinha idia de quem era ou do que ia fazer, ou do que queria ser,
mas agora j se passaram trs anos e ele definitivamente sabia. S a idia de dormir na
cama dele a noite era extremamente reconfortante. Ela podia ate usar uma das velhas
camisas dele na cama para criar um clima.
- Sim - disse Blair em seu sussurro mais Marilyn Monroe. - Sim, acho que eu vou.
E voc, docinho, prepare-se para um prazer especial.

ser que n vai resistir a entrar na da gata com bafo de erva?

No dia seguinte, depois do treino de lacrosse e antes de ter de ir para casa se arrumar para
a festa beneficente no Frick, Nate fez um desvio para a Scandinavian Ski Shop na rua 57
Oeste a fim de se equipar para Sun Valley.Ele esquiava e fazia snowboarding
praticamente desde que nasceu e j possua toneladas de equipamento, mas estava tudo
no Maine - e, alm disso, este era o tipo de compra que ele realmente gostava de fazer.
A Scandinavian Ski Shop da Madison Avenue era especializada em trajes Bogner de
esqui em pele e botas de pele, e havia um certo clima de florestas tirolesas de mentirinha
ali, com paredes revestidas de madeira e carpetes verde-mata, mas ainda era a melhor loja
de produtos para esqui de Nova York.
Nate foi direto para os fundos da loja, onde as pranchas de esqui e snowboarding eram
vendidas. Ele enfiou as mos nos bolsos da cala cqui, contemplando as pranchas
encostadas na parede. Imediatamente seus olhos deram numa prancha vermelho-escura
com a imagem de uma folha de maconha. A palavra normal estava impressa numa das
extremidades da prancha, e a palavra pateta na outra. Ele estendeu a mo e passou o
polegar pela borda da prancha.
- Essa  demais, se voc faz saltos. - Uma voz enfumaada de mulher vagou at ele.
Nate se virou e viu uma garotinha com cabelo louro curto e um nariz arrebitado olhando
para ele. Vestia casaco de capuz Roxy verde-oliva e cala Roxy cinza-clara. Os olhos
castanhos eram cados, como de um filhotinho de cachorro. Ou talvez ela estivesse
chapada.
- Voc trabalha aqui? - perguntou ele.
A garota sorriu. Os dentes eram muito pequenos e juntos.
- s vezes. Quando estou de folga. Vou para Holden, New Hampshire, sabe? Sou capit
da equipe feminina de snowboarding. - A garota sorriu mais um pouco e Nate concluiu
que ela estava definitivamente chapada.
- Posso te ajudar em alguma coisa? - ofereceu ela.
Nate bateu os dedos na prancha vermelha.
- Acho que vou levar esta. E preciso de botas e amarras.
A garota continuou sorrindo enquanto procurava numa estante de caixas um par de botas
Raichle do tamanho dele e as melhores amarras K2 do mercado.
- Acabei de experimentar este jogo em Stowe no fim de semana. - Ela se ajoelhou aos ps
de Nate para ajud-lo com as botas. -  totalmente demais.
Nate se levantou e olhou para a frente do casaco dela, que estava aberto um pouco abaixo
do colo. Ela no usava suti, s um top branco, e ele pode ver tudo.
Ela sorriu para ele, segurando o p com bota de Nate nas mos.
- Como se sente?
Ele pensou em estender a mo e lev-la para a cabine de provas. Podia at imaginar como
a boca da garota teria o gosto fumacento e de mate que ele gostava, o gosto de depois-de-
fumar-um-bagulho. Era estranho, mas desde que parou de fumar maconha Nate ficava
basicamente excitado o tempo todo. E ter uma namorada na reabilitao que s tinha
permisso para visitas supervisionadas no ajudava muito.
Georgie, Georgie, Georgie. Ele mal podia esperar por Sun Valley.Eles iam esquiar o dia
todo e se agarrar a noite toda. O que poderia ser melhor?
- Posso montar esses agora? - perguntou ele com uma pressa repentina.
A garota reuniu as amarras e pegou a prancha do tamanho correto na estante.
- Eu vou montar para voc.
Claro que ia.
- Volto j.
Enquanto esperava, Nate bisbilhotou uma pilha de bons de esqui e comeou a
experiment-los. Pegou um verde felpudo com protetores de orelha e uma borla comprida
no alto - muito granola-com-Ralph-Lauren - e o colocou.
- De jeito nenhum - murmurou, enquanto se examinava no espelho. Em geral ele no
pensava muito em como estava ou no que vestia - no tinha de se preocupar - mas
queria ficar legal para Georgie. Ele devolveu o bon verde para a prateleira e
experimentou um bon tipo beisebol, preto, com protetores de orelha que podiam ser
dobrados para cima, meio que uma verso moderna do chapu de caa do Gaguinho do
Pernalonga.
- Esse bon fica incrvel em voc - disse a vendedora, voltando com a prancha. Ela
apoiou a prancha na prateleira de roupas e foi at Nate, delicadamente desvirando as abas
sobre as orelhas perfeitas dele. - Voc adorou  acrescentou ela com a voz rouca.
O hlito dela cheirava exatamente como ele imaginava. Nate lambeu os lbios.
- Qual  o seu nome?
- Maggie.
Nate assentiu lentamente. O bon ficava bem em sua cabea. Ele podia pegar Maggie
neste exato momenta e abrir o top dela. Perguntar se ela que ria dividir um baseado. Ele
podia, podia mesmo. Mas no ia fazer.
Nate tirou o bon e o enfiou debaixo do brao.
- Muito obrigado por sua ajuda. Hmmm, sou Nate Archibald. Minha famlia tem conta
aqui?
Maggie passou a prancha e as novas botas para ele com um sorriso de decepo.
- Talvez eu esbarre com voc nas rampas um dia desses.
Nate se virou, surpreso com a prpria fora de vontade. Ele estava to totalmente
concentrado que at o treinador se impressionaria.
No que ele ainda no estivesse excitado como o diabo.

Gossipgirl.net
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temas / anterior / prxima / faa uma pergunta / respostas

Advertncia: todos os nomes verdadeiros de lugares, pessoas e fatos foram abreviados
para proteger os inocentes. Quer dizer, eu.

oi, gente!

VIRTUDE E VCIO

E ento, ser que todo mundo esta sendo arrastado pelos pais para a festa beneficente
Virtude e Vico na Frick hoje  noite? Espero que sim - pelo menos isso significa que no
estarei sozinha na minha infelicidade. E claro que todos sabemos que o nico motivo para
eles insistirem em que a gente v e que eles podem nos comparar com os outros, falar das
universidades a que nos candidatamos, de quem j entrou, e geralmente nos levar 
loucura, uma vez que aqueles so definitivamente nossos temas preferidos. Alm disso,
no pode haver lugar pior para uma festa. Quer dizer, qual ? uma festa no Frick e como
uma festa na casa de campo da sua av.
Sei que pareo ingrata - convenhamos, uma festa  uma festa, e voc sabe o quanto eu
gosto de me produzir. Mas prefiro festas sem pais! A nica coisa legal e que nossos pais
estaro to ocupados tentando impressionar os outros que no vo se incomodar de nos
repreender por fumar no banheiro. Na verdade, se fizermos alguma coisa mesmo que
ligeiramente constrangedora, eles s tero de fingir que no nos conhecem. Ento vamos
tentar nos divertir um pouco, n? Voc j est ansioso por hoje  noite, no est?

Vou poupar seus e-mails e flagras para depois do balado.

Vejo vocs l!

Pra voc que me ama,
gossip girl

a galera do upper west side empina o nariz para os malversados

- Senhoras e senhores, por favor, tomem seus lugares! - gritou Rufus Humphrey enquanto
trazia  mesa uma terrina de salsichas chiando com mas e bananas assadas ao rum.
Jenny tinha feito o pai se sentir to culpado por sair na vspera, quando ela levou Leo em
casa, que Rufus insistiu em que ela convidasse Leo e Elise para jantar na noite seguinte.
No que Rufus quisesse impressionar os convidados: como sempre, ele vestia uma
camiseta branca manchada de comida e a cala de moletom preferida, queimada de
cigarro e frouxa na bunda. O cabelo grisalho curto e as monstruosas sobrancelhas
grisalhas espetavam em ngulos estranhos da cara hirsuta, e a boca e os dentes
estavam manchados de vermelho do vinho.
-  melhor a gente se sentar. -Jenny desligou a TV na biblioteca e sorriu para Leo. -
Agora voc vai provar a comida esquisita do papai. Cuidado - alertou ela. - Ele pe lcool
em tudo.
Leo olhou o relgio. Depois enfiou as mos nos bolsos do jeans e as tirou novamente.
Parecia nervoso.
- T legal.
- O pai dela no  to assustador como parece  disse Elise. Ela colocou os ps nos
tamancos rosa J. Crewe foi para a sala de jantar como se morasse a vida toda na casa de
Jenny.
Dan os encontrou na mesa de jantar desconjuntada. Estava lendo um exemplar da Red
Letter e nem olhou para cima quando o pai jogou no prato dele uma banana inteira e uma
salsicha que parecia estropiada. Depois que todos foram servidos, Rufus encheu sua taa
de vinho ate a borda e a ergueu no ar.
- Um joguinho de poesia!
Dan e Jenny reviraram os olhos um para o outro  mesa.
Normalmente Jenny no ligava para os testezinhos relmpagos, joguinhos e aulinhas do
pai, mas com Leo ali era constrangedor demais.
- Pai- gemeu ela. Por que ele no podia ser normal pelo menos uma vez?
Rufus a ignorou.
- "Aonde vai voc, Walt Whitman?/ As portas se fecham em uma hora./Para que lado sua
barba aponta esta noite?"- Ele apontou um dedo com gordura de salsicha para Leo. - O
nome do poeta!
- Pai! -Jenny protestou batendo na decadente mesa de jantar de madeira. Tudo no
apartamento de quatro quartos dos Humphrey, esparramado na rua 99 com West End
Avenue, era decadente. Mas o que se podia esperar quando eles no tinham me nem
empregada para limpar tudo para eles?
- Ah, vamos l. Essa e fcil! - rugiu Rufus para Leo. O disco de vinil que ele tinha
colocado antes de trazer a comida de repente aumentou, e os estranhos e agudos yodels
peruanos de Yma Sumac encheram a sala. Rufus se serviu de outra taa de vinho,
esperando ansioso por uma resposta.
Leo sorriu educadamente.
- Hmmm... No tenho certeza se sei...
Dan se inclinou e sussurrou no ouvido de Leo.
- Allen Ginsberg. "Supermercado na Califrnia". Fcil.
Jenny chutou o p do irmo debaixo da mesa. Ele precisava mesmo ser to sabe-tudo?
Rufus cerrou os dentes.
- "Mas tenho promessas a cumprir./E milhas a seguir antes do sono" - desafiou ele, os
olhos castanhos e vagos esbugalhados ao encarar Leo.
O cabelo louro de Leo parecia quase transparente enquanto de murchava sob o olhar
incansvel de Rufus.
- Hmmm...
- Pai!  gritou Jenny pela terceira vez. -Meu Deus.- Ela sabia que o pai s estava tentando
fazer sua parte de pai-louco-e-maravilhoso, exagerando na compensao por outras seis
noites daquela semana, quando ela e Dan comeram em quentinhas diante da TV; mas ser
que ele no percebia que a poesia no era a praia de Leo?
- Bem, at eu sei essa - disse Elise com a voz esganiada - Robert Frost. "Parada no
Bosque numa Noite de Neve". Tive de decorar na sexta srie. - Ela se virou para Dan. -
Olha, eu meio que sei alguma coisa de poesia.
Rufus espetou uma salsicha e a jogou no prato azul e rachado de Leo.
- Afinal de contas, onde  que voc estuda?
Leo enxugou a boca com as costas da mo.
- Smale. Na Smale School, senhor. - Os olhos dele dardejaram pela mesa para Jenny, que
sorriu, estimulando-o.
- Hmmm - respondeu Rufus, pegando uma salsicha nos dedos e mordendo a metade. Ele
engoliu a salsicha com um gole de vinho. - Nunca ouvi falar.
-  especializada em artes - interveio Dan.
Jenny no conseguia comer. Estava muito irritada com o pai. Normalmente ele era meio
legal, de um jeito rspido e rabugento. Por que tinha de ser to cruel com o Leo?
- Mas ento, um emprego na Red Letter - disse Rufus, erguendo a taa para Dan. - Ainda
no consigo acreditar. - Rufus tinha um ba cheio de poemas inditos e inacabados no
seu escritrio e, embora ele mesmo fosse editor, nunca foi publicado. Agora Dan ia ter
uma carreira de escritor que ele nunca teve. - Ai, garoto! - resmungou ele. - Mas v se
no comea a falar com sotaque falso como todos os outros cretinos.
Dan franziu a testa, lembrando-se do sotaque alemo difcil de entender de Siegfried
Castle. Parecia bem autntico para ele.
- Como assim?
Rufus riu enquanto garfava uma banana.
- Voc vai ver. Mas estou orgulhoso de voc, filho. Se continuar desse jeito, ser um
poeta premiado l pelos vinte anos.
De repente, Leo se levantou.
- Com licena. Tenho de ir.
- No! -Jenny levantou-se de um salto. Ela havia pensado que eles comeriam
rapidamente, Elise iria embora e ela e Leo iriam para o quarto dela e se beijariam por
algum tempo, e talvez fizessem o dever de casa juntos. Ela podia ate pintar o retrato dele,
se ele deixasse. - Fica, por favor.
- Desculpe,Jenny. - Leo virou-se para Rufus e estendeu a mo rigidamente. - Foi um
prazer conhec-lo, Sr. Humphrey. Obrigado pelo jantar delicioso.
Rufus agitou o garfo no ar.
- No fique acostumado com isso, garoto. Na maior parte das vezes, comemos comida
chinesa.
Isso era verdade. A idia que Rufus fazia de compras no supermercado era comprar
vinho, cigarro e papel higinico. Jenny e Dan seriam desnutridos se no conseguissem
pedir comida pelo telefone.
Jenny acompanhou Leo at a porta.
- Voc est bem? - perguntou ela, preocupada.
Leo abriu seu sorriso tmido de dentes tortos daquela altura toda.
- Estou. Eu s achei que a gente ia comer um pouco mais cedo. Preciso ir para casa e... -
Ele parou, franzindo a testa enquanto colocava um cachecol de cashmere vermelha e
preta de grife no pescoo. "Burberry", dizia a etiqueta. Jenny nunca o vira usar isso. -
Vou te mandar um e-mail mais tarde - acrescentou ele antes de desaparecer pelo corredor
para pegar o elevador.
Jenny voltou para a mesa e Rufus ergueu bestificado as sobrancelhas bastas para ela.
- Foi alguma coisa que eu disse?
Jenny olhou para ele. Ela no tinha idia de por que Leo fora embora to de repente, mas
culpar o pai era a soluo mais fcil.
- Ah, qual , Jen? - continuou o pai insensivelmente.
- Ento ele no  a ferramenta mais afiada na caixa. Mas provavelmente vai dar um bom
namorado.
Ela se levantou.
- Vou para o meu quarto.
- Quer que eu v com voc? - props Elise.
Jenny achava que Elise estava muito feliz sentada ao lado de Dan, conversando sobre
poesia. Ela chegou a se servir de uma taa de vinho.
- No, est tudo bem - murmurou ela. S o que ela realmente queria era se deitar de cara
para baixo na cama e ruminar sobre Leo, sozinha.
Elise tomou um gole de vinho.
- Eu devo ir daqui a um minuto, de qualquer forma. - Ela olhou de lado para Dan
enquanto ainda olhava para Jenny, como quem diz: Adivinhe s? Eu gosto mesmo do seu
irmo.
- Estou pensando em escrever um poema quando chegar em casa.
Ah, ento t.
Quando entrou no quarto, Jenny se esticou na cama de solteiro e olhou carrancuda para as
pinturas e o cavalete vazio no quarto. Ela tinha certeza de que Leo no era burro, embora
aquele poema de Robert Frost fosse muito conhecido. Na verdade, ele provavelmeme era
um pouco mais inteligente do que o resto deles, s que de uma forma menos bvia. Ela se
lembrava da primeira vez em que ps os olhos nele na Bendel's antes de eles se
conhecerem pela Internet. Foi no departamento de cosmticos e ele estava fuando as
bolsas de cosmticos listradas de marrom e branco caractersticas da loja, o nico
homem que fazia compras em toda a loja. O que ele estava fazendo ali, afinal? Era um
mistrio. E aquela observao, do nada, que ele fez ontem, sobre a mulher com casaco de
mink falso? Ou o novo cachecol da Burberry? Ele parecia saber tanto de... coisas bonitas.
E por que ele ainda no a havia convidado para ir a casa dele? A casa dele provavelmente
era linda. E ele nunca falou dos pais. Os mistrios de Leo s se acumulavam.
E no havia nada que uma garota gostasse mais do que decifrar os segredos de um cara
misterioso.

a idia de diverso de um artista  a idia de bobeira de outro artista

Na segunda noite de visita, os pais de Vanessa a levaram, com Ruby, a galeria onde a
exposio de escultura de arte fundamental estava acontecendo.
A galeria era enorme e brilhante, com piso de madeira clara e paredes brancas. No meio
do salo maior havia um cavalo marrom e branco, devorando satisfeito uma salada
Caesar tamanho famlia em uma enorme tigela de madeira. Ao lado do cavalo havia um
balde de plstico azul com um forcado apontando para fora. Sempre que o cavalo
evacuava, a garota vestida de alem, atrs da mesa colocada ao lado da porta da galeria,
saltava de sua cadeira giratria para recolher o estrume com o forcado e despejar no
balde.
Ruby, a irm de 22 anos de Vanessa, afagou o focinho do cavalo e lhe deu Tic Tacs de
menta, as luzes da galeria batendo na cala de couro roxa.
- Esse  o Buster.  um doce, no ? - perguntou sua me, Gabriela, admirando o cavalo.
 Ns o encontramos comendo alface-romana no nosso jardim comunitrio. O dono dele
foi um anjo em deixar que a gente o pegasse emprestado. - Ela afastou a longa trana
grisalha do ombro e afagou a ponta. O cafet africano berrante que escolhera para usar
naquela noite cala dos ombros feito uma toalha de mesa roxa, amarela e verde com um
buraco no meio para a cabea. Fugindo totalmente da moda, Gabriela preferia "costumes
tribais" e gostava de se considerar uma "modelo global". Ela estava ate usando mocassins
mexicanos feitos de couro de porcos selvagens.
Buster era mesmo um doce, mas isso o tomava arte?, perguntou-se Vanessa. Ela foi at
uma coisa pregada na parede, descobrindo que era uma corrente de raladores de queijo.
Alguns at tinham pedaos secos de queijo ainda presos.
- Voc deve estar pensando: "Eu podia ter feito isso."- observou o pai dela, Arlo Abrams.
- Na verdade no - respondeu Vanessa. Por que diabos ia querer fazer uma corrente de
raladores de queijo?
Arlo arrastou os ps na direo dela, usando uma capa peruana de l preta desbotada,
uma saia de cnhamo na altura dos tornozelos - sim, isso mesmo, uma saia - e tnis de
lona branca. Gabriela era responsvel pelas roupas dele, caso contrrio ele no se
incomodaria em usar roupa nenhuma. Os cabelos compridos e grisalhos se abriam em
leque pelos ombros e, como sempre, ele parecia macilento e alarmado. Vanessa tinha
certeza absoluta de que a parte alarmada vinha de todo o cido que ele tomou quando
jovem. E, quem sabe, talvez ainda estivesse tomando.
- Feche os olhos e passe a mo neles - instruiu Arlo, pegando a mo de Vanessa. Seu
hlito cheirava ao tempeh grelhado que Ruby tinha posto na lasanha da noite passada,
ou talvez ela estivesse sentindo o cheiro do queijo velho dos raladores.
Vanessa fechou os olhos, perguntando-se se esse era o momento em que ela finalmente
entenderia o brilhantismo e o propsito do trabalho dos pais. Ela deixou que o pai
passasse os dedos dela pelas protuberncias pontudas e afiadas dos raladores. Parecia
exatamente que estava tocando em raladores de queijo, nada mais e nada menos do que
isso. Ela abriu os olhos.
- Arrepiante, hein? - disse Arlo, os olhos castanho-claros se repuxando.
Era arrepiante mesmo.
Do outro lado da sala, Ruby e Gabriela estavam ao lado de um vaso de terra - outra de
suas obras de arte fundamental -, rindo como meninas de dez anos.
- O que h de to engraado? - perguntou Vanessa, pensando que talvez elas estivessem
falando de um dos namorados msicos esquisitos de Ruby ou coisa parecida. Depois
ela percebeu que ate a alem loura e convencida atrs da mesa estava sorrindo. - Que foi?
- repetiu Vanessa.
Arlo riu e passou os dedos manchados de tinta nos longos cabelos grisalhos, parecendo
inacreditavelmente satisfeito consigo mesmo.
- Tem sementes nessa terra - sussurrou ele, os olhos saltados. - Sabe como , sementes!
Hein?
Vanessa sempre foi uma solitria na escola, com a cabea raspada e a tendncia a usar s
preto, mas em geral sua solido era voluntria. Neste caso, ela queria entender a piada,
realmente que ria. Mas no conseguia. E se os pais dela pensavam que a arte era um
cavalo comendo salada, utenslios de cozinha pregados numa parede ou um vaso de terra
com sementes, no havia jeito de eles entenderem a intensidade sombria de seus filmes
sutis e mrbidos. E no havia jeito de Vanessa sequer pensar em compartilhar os filmes
com eles.
- Prontos para debandar? - disse Gabriela ao lado do vaso de terra. Os amigos hippies da
famlia da poca da escola de arte, os Rosenfeld, convidaram-nos para uma espcie de
festa beneficente de arte e eles decidiram arrastar Vanessa e Ruby com eles.
- Aonde vamos, afinal? - perguntou Vanessa ceticamente enquanto saam da galeria,
esperando por um txi. Ela imaginou passar o resto da noite danando descala em volta
do fogo em algum parque de escultura no Queens para evocar os espritos da primavera
ou outro absurdo hippie igualmente imbecil.
- A um lugar chamado Frick. Acho que fica na rua 5. - Gabriela comeou a fuar na bolsa
disforme que uma amiga havia feito para ela de pneus de trator reciclados. - Tenho o
endereo escrito em algum lugar por aqui.
- Fica na Quinta Avenida - corrigiu Vanessa.  Sei onde . - E Vanessa tinha certeza
absoluta de que no ia haver um monte de homens de saia l tambm.
No, mas seria muito mais divertido se houvesse.

pirando no frick

O Frick fora a residncia em Nova York de Henry Clay Frick, o magnata do ao e do
coque da era industrial. O Sr. Frick era um grande colecionador de arte europia e, aps
sua morte, a manso foi transformada em museu.
A festa beneficente Virtude e Vcio acontecia no Living Hall, um grande salo com
painis de carvalho, forrado de tapete persa e exibindo quadros de grandes artistas do
sculo XVI, como El Greco, Holbein e Ticiano. No meio de uma parede havia uma das
esculturas de bronze de Soldani, Virtude triunfando sobre o vcio, e no meio de cada uma
das enormes mesas redondas montadas para a festa com toalhas de linho creme e prataria
reluzente havia uma replica de 25 centmetros de altura da mesma escultura, cercada por
uma guirlanda de tulipas roxas.
No que algum estivesse dando ateno  arte.
As mulheres com vestidos feitos sob medida e homens de smoking se reuniam nas mesas
ou ficavam de pe no bar, mordiscando pato ao molho de ameixa e conversando sobre
qualquer coisa, menos arte.
- Viu a garota van der Woodsen no anuncio do novo perfume? - cochichou Titi Coates
para Misty Brass.
- A lgrima falsa foi demais para mim. Acho que foi muita explorao, no foi? -
declarou Misty. Ela apontou com a cabea enquanto Serena e Blair seguiam os pais de
Serena para o salo antes que as duas meninas escapulissem para encontrar alguma coisa
para beber.
- Seus peitos devem ser maiores do que os meus. - Serena levantou o tomara-que-caia
Donna Karan que pegou emprestado com Blair. Elas usavam o mesmo tamanho de
suti, ento ela achou que o vestido ficaria bem, mas toda vez que dava um passo podia
sentir a roupa caindo um pouco.
- , mas voc  mais magra. - Blair no estava disposta a admitir, mas o vestido de festa
cor-de-rosa Milly de Serena estava rasgando aos poucos debaixo dos braos e nas
costuras do corpete desde que ela o fechara. Com demasiada freqncia ela ouvia um
pequeno rip enquanto as costuras cediam, mas esperava que o vestido agentasse at ela
voltar para casa.
Todo mundo parecia estar tomando coquetis, mas os garons no eram vistos em lugar
nenhum.
- Por que estamos aqui mesmo? - gemeu Blair.
- Sei l.  s uma daquelas coisas - respondeu Serena contritamente.
- Bem, se eles no tiverem vodca Ketel One este ano, vou embora - sussurrou Blair. No
ano passado ela teve de se contentar com Absolut, to pass que era praticamente pr-
histrica.
- No  maravilhoso ver as duas meninas juntas de novo? - sussurrou a me de Blair no
ouvido da Sra. van der Woodsen.
_ No foi muito bom quando Serena estava no internato. Ns, mulheres, precisamos ter
as amigas por perto.
_ Sim,  verdade - concordou a Sra. van der Woodsen friamente enquanto desviava os
olhos azuis da barriga de grvida de Eleanor. Ela e Eleanor sempre foram amigas, mas
um beb de quase cinco meses era simplesmente vulgar demais.
E aquele empreiteiro gordo, barulhento e bigodudo com quem ela estava casada era meio
duro de engolir. -Ah, olha,  Misty Brass. Vamos lhe dar um al.
Misty tinha deixado Titi Coates discutindo com a filha, Isabel, sobre se Isabel devia
ganhar um carro na formatura ou no, e agora Misty estava sentada sozinha com o filho,
Chuck, fofocando como sempre. Ela era uma loura severa com um vestido dourado
Carolina Herrera e jias Harry Winston, e ele estava um demnio sombrio e
enganosamente lindo num terno Prada riscadinho de verde.
Na verdade, Chuck realmente era o demnio, e ele sempre procurava por novas maneiras
de expressar sua maldade. Mas, seja paciente, vamos chegar l.
- Chegando aos cinqenta e com quase sete meses - cochichou Misty para o filho. - Como
sua amiga Blair reagiu a isso?
Chuck deu de ombros como se no ligasse a mnima. Na grande festa de Ano-novo de
Serena, ele puxou Blair de lado e props que ela perdesse a virgindade com ele, uma vez
que ele era um verdadeiro especialista em defloramento. Para irritao dele, Blair tinha se
recusado categoricamente. Ultimamente ele vem experimentando ser gay, pelo menos
para matar o tdio.
Ou para ter uma desculpa para tirar as sobrancelhas.
- Provavelmente ela vomitou mais algumas vezes - observou Chuck de uma forma
insensvel, referindo-se ao probleminha de Blair com a bulimia, que no era segredo
nenhum. - Ela vai sair de casa assim que o beb nascer, de qualquer forma.
- Eu soube que Blair vai a uma clnica logo depois da formatura para cuidar de seu
problema de uma vez por todas - observou Misty. - No  verdade?
Mas Chuck no estava mais ouvindo. Do outro lado da sala, um pequeno drama se
desenrolava e ele no queria perder essa.
Nate mal tinha posto os olhos em Blair desde que ela o perseguiu na reabilitao em
Greenwich, Connecticut, algumas semanas antes. Durante seu nico aparecimento na
terapia de grupo, a psicloga obrigara a admitir em voz alta, na frente de todos, que ela
era bulmica, embora Blair insistisse em chamar o problema de "regurgitao induzida
por estresse". Nate podia ter se divertido com o aparecimento dramtico de Blair na
clnica, mas na poca ele s estava comeando a namorar Georgie, e duas malucas de
uma s vez era simplesmente demais para ele. Felizmente Blair entendeu que seu plano
de ataque tinha dado em nada e prontamente decidiu que a reabilitao estava abaixo
dela.
Como se ela realmente quisesse passar as tardes de sbado falando de como enfiava o
dedo na garganta de vez em quando, em lugar de comprar sapatos com Serena. No,
obrigada.
E Serena? Nate no conseguia se lembrar da ltima vez em que a vira, mas, como
sempre, ela estava glamourosa e equilibrada, naquele jeito encantador e discreto dela. Em
geral Nate gostava de ficar num canto nas festas e deixar que as pessoas viessem a ele, se
tivessem vontade de conversar, mas decidiu tomar a iniciativa de cumpriment-las. Por
que no? Mesmo que Blair no falasse com ele, Serena falaria.
Serena foi a primeira a ver Nate se aproximar. Ela acendeu um cigarro, deixando a cinza
cair no inestimvel piso de mrmore da manso.
- Nathaniel Archibald - declarou ela, em parte para alertar Blair, mas em parte
agradavelmente surpresa.  Nosso h muito perdido Nate.
- Mas que porra. - Blair esmagou o Merit Ultra Light com o salto pontudo de uma das
sandlias de cetim preto Manolo Blahnik. - Meu Deus.
Serena no tinha certeza se Blair estava xingando porque Nate era a ltima pessoa na
Terra que ela que ria ver ou porque Nate estava to arrasadoramente gostoso com o
smoking clssico Armani.
No havia nada mais emocionante do que um cara delicioso de smoking, mesmo que
voc deva odi-lo.
- Oi. - Nate beijou Serena rapidamente no rosto e depois ps as mos nos bolsos da cala
do smoking, sorrindo cautelosamente para Blair. Ela girava o anel de rubi no dedo
repetidamente, como sempre fazia quando ficava nervosa. Seu cabelo curto fazia com que
os malares se destacassem mais, ou talvez ela tivesse emagrecido um pouco. De qualquer
forma, ela parecia meio... furiosa. Furiosa e delicada ao mesmo tempo. - Oi, Blair.
Blair enfiou as unhas na palma da mo. Precisava de outro drinque.
- Oi. Como est a reabilitao?
- Acabou. Pelo menos pra mim. Aquela garota que estou vendo... a Georgie... ainda est
l.
- Porque  viciada em drogas? - respondeu Blair, virando o que restava da vodca.
A msica da big-band turbulenta que ningum percebera que estava tocando de repente
parou, gelando o salo.
- Vamos tomar um porre - interrompeu Serena antes que Blair pudesse fazer alguma
maluquice, como dar um golpe de carat na cara de Nate. - S falta mais um dia de escola
antes das frias!
Nate parou um garom que passava e pegou mais vodca com ele.
- Vocs vo a algum lugar legal?
- Sun Valley... como sempre - disse Serena a ele.
Blair limitou-se a ficar parada ali, entornando o segundo drinque e desejando que a) Nate
fosse embora, b) ele no estivesse to animado e careta, c) ele parasse de ser to
absurdamente simptico e d) Serena parasse de retribuir a simpatia.
- Blair vai com a gente. Ela acabou de comprar a passagem.
Nate pegou um mao de Marlboro no bolso e colocou um cigarro entre os lbios.
Acendeu cuidadosamente, olhando para Blair atravs da chama e depois para longe de
novo.
- Eu vou pra l tambm - disse ele por fim. - A me de Georgie tem uma casa nas
montanhas. A gente deve esquiar junto.
Blair sentiu o estmago comear a gorgolejar e espadanar no vestido apertado demais de
Serena.
- Volto j. - Ela enfiou o copo vazio na mo de Serena. - Talvez voc deva encontrar
nossa mesa para a gente poder se sentar.
- Blair est morando na minha casa por um tempo - explicou Serena a Nate enquanto eles
viam Blair ir direto para o banheiro das mulheres. De repente Serena se sentiu meio
como uma irm mais velha e protetora em relao a Blair, e ficou feliz em poder ajudar.-
A me dela est transformando o quarto dela para a nova irmzinha. Sacanagem, n?
Nate tentou imaginar como devia ser a vida de Blair, agora que ela tinha um padrasto
novo, um meio-irmo novo e uma nova irmzinha a caminho. Ele no conseguiu ir muito
longe.
- Voc est diferente - observou Serena, olhando Nate de cima a baixo. Ela ergueu uma
sobrancelha perfeitamente tirada e sorriu.  Est timo.
Nate e Serena sempre tiveram teso um no outro. Eles at transaram uma vez, perdendo a
virgindade juntos antes do primeiro ano, pouco antes de Serena ir para o internato. Mas
era uma espcie de teso meio recreativo, sem ligao nenhuma, e eles no repetiram a
dose desde aquela primeira vez.
- Eu me sinto bem - admitiu Nate. Ele pensou em contar a ela como tinha parado de ficar
chapado, mas ainda no era o capito do time de lacrosse. Como estava louco para que
ela conhecesse Georgie porque eles definitivamente estavam juntos. Mas Nate no era de
falar muito.   legal que voc v para l - disse ele simplesmente. - Deve ser bem
divertido.
- Deve ser divertido? - repetiu Serena, atirando os braos em volta dele com seu habitual
jeito espontneo e deixando brilho labial rosa em todo o rosto dele.  Normalmente eu s
posso esquiar com o chato do meu irmo mais velho. Vai ser demais!
Nate resistiu ao abrao, tentando no ficar excitado. Mas, agora que estava sem maconha,
a mera sugesto do perfume de uma garota ou o roar dos cabelos dela era o bastante para
fazer seu rosto arder, em especial quando ela era to linda quanto Serena.
Serena pegou um cigarro do mao na bolsa e passou se espremendo por ele.
-  melhor procurar a Blair. A gente se v, t legal?
Nate observou-a ir, sentindo o celular no bolso da cala do smoking. Georgie
provavelmente estava no quarto dela na Breakaway agora mesmo, num momento de
sossego, ou o que quer que eles fizessem com os pacientes depois do jantar, mas talvez a
enfermeira encarregada fosse legal o bastante para deixar que eles transassem por
telefone.
Ele discou o nmero e ps o aparelho na orelha antes de levantar a cabea. Chuck Bass
estava olhando para ele de sua cadeira ao lado da me abarrotada de jias, parecendo
mesmo extremamente gay. E s a idia de que Chuck podia ter uma queda por ele foi o
suficiente para sufocar a premncia do telefonema de Nate a Connecticut. Ele devolveu o
aparelho ao bolso e foi procurar a mesa, sem sequer se dar ao trabalho de pensar nos
boatos que Chuck j comeara a espalhar sobre ele e Serena.

virtude e vico

Vanessa sabia que fora um erro vir no minuto em que colocou os olhos no vestido
dourado de Misty Bass. Pouco importava o fato de que o pai estivesse usando um poncho
de l e saia - ela ainda estava com o uniforme da escola!
Mas seus pais no pareciam nada constrangidos.
- Olha o papai olhando a birita grtis - cochichou Ruby na orelha dela. - Ele est pirando
no paraso.
- Precisam colocar uma msica pop para as pessoas danarem - comentou a me,
estalando os dedos e se balanando nos mocassins. Provavelmente era a nica mulher no
prdio que no estava de saltos; at Vanessa e Ruby estavam usando botas plataforma.
Um murmrio abafado e apavorado percorreu o salo.
- Quem diabos so aqueles? - perguntou Chuck Bass a me. Misty Bass era uma das
grandes damas da sociedade de Nova York. Ela conhecia todo mundo.
- No tenho certeza - respondeu a me de Chuck. - Mas adoro homem de saia. Que
coragem!
- Sabe de uma coisa, eu reconheo aqueles dois  disse Titi Coates ao marido. - So os
artistas do vernissage a que fomos ontem  noite... aquela com o cavalo maravilhoso!
- Gabby! Arlo!
Uma mulher com um elegante longo preto, o cabelo castanho com luzes puxado para trs
num coque profissional e com estilo, acenava vigorosamente para os Abrams de uma
mesa no canto.
- Acho que deve ser a Sra. Rosenfeld. - Vanessa arrastou os pais para a mulher que
gesticulava.
Mud! Mud!
- Estamos to felizes de vocs terem vindo!  gritou Pilar Rosenfeld, beijando cada um
dos Abrams duas vezes em cada bochecha. - No  maravilhoso, Roy?  perguntou
ela, tocando o brao bem-definido e de smoking do marido. -Aqui estamos todos juntos
novamente, depois de todos esses anos.
- Esplndido! - disse Roy Rosenfeld com uma voz profunda e viva. Os Rosenfeld tinham
ido a faculdade de arte com os Abrams e antigamente usavam s batik, shorts feitos de
calas velhas e nenhum sapato, embora fossem de famlias ricas da Nova Inglaterra.
Obviamente os tempos de faculdade foram s uma fase.
Ao lado do Sr. Rosenfeld, u,m rapaz alto de cabelo preto e culos de aro de ao Armani
apontou o formidvel nariz para Vanessa, como se tentasse identific-la.
- Jordy, lembra de Gabriela e Arlo, Ruby e Vanessa? - perguntou a me.
A atitude arrogante do rapaz no se alterou.
_ Acho que da ltima vez em que vi vocs, eram s bebezinhas, mas tenho certeza de que
voc tinha mais cabelo.
Vanessa tinha acabado de notar Serena van der Woodsen e Blair Waldorf expondo toda
sua glria na mesa ao lado, tornando-a ainda mais consciente do fato de estar com o
uniforme da escola.
- Da ltima vez em que te vi, voc usava fraldas de batik. Jordy puxou os culos para
cima do enorme nariz.
- Bem, agora me preparo para ser advogado na Columbia.
Ruby se sentou  mesa e se serviu de uma enorme taa de champanha.
- Me? Pai? Est tudo bem?
Os pais dela estavam parados de p, rgidos e juntos, apoiando-se um no outro como uma
de suas esculturas de arte fundamental. Vanessa se perguntou se eles esperavam danar
descalos em volta do fogo para dar as boas-vindas a primavera em vez de ficar sentados
em um evento de gala.
- Por favor. - O Sr. Rosenfeld puxou uma cadeira vazia ao lado da dele e gesticulou para
a me de Vanessa se sentar.
- Adorei sua saia - observou a Sra. Rosenfeld, apontando para a declarao acidental de
moda de Arlo.   Galiano, por acaso?
Arlo a encarou com o olhar vago. Um garom de palet branco chegou para servir o
primeiro prato, uma terrina de pat de pato. Arlo comeou a cutuc-lo com a colher de
sobremesa, procurando por sinais de vida. A me de Vanessa pegou o guardanapo de
pano e assoou o nariz nele. Ruby riu com o champanha.
- Ainda esto fazendo arte pela paz, ou desistiram disso tudo? - perguntou Gabriela a
Pilar.
Pilar sorriu.
- Roy e eu somos advogados do setor imobilirio. Jordy quer se doutorar em direito
tambm, quando terminar a faculdade. Pode esquecer isso... no temos nem tempo de
reciclar mais nada!
Os pais de Vanessa empalideceram. Era de reciclar que se tratava a arte fundamental.
Sem reciclagem, eles e sua arte deixariam de existir.
- Bem,  uma pena - disse Gabriela, fazendo uma careta para o pat. -Acha que posso
pedir a eles para fazer uma salada para ns?
Vanessa remexeu o pat, deliciada com essa virada engraada dos acontecimentos.
- Que tipo de advocacia voc quer praticar?  perguntou ela a Jordy.
Ele afastou a fumaa de cigarro de suas narinas estranhamente grandes. Atrs dele, Blair
Waldorf e Serena van der Woodsen fumavam feito chamins enquanto a me grvida de
Blair livrava-se rapidamente da comida no prato.
- Provavelmente imveis, como os meus pais.
Vanessa assentiu. Era meio difcil se referir ao desejo de uma pessoa de imitar os pais
quando seus prprios pais eram to aberrantes. Mas a falha de imaginao de Jordy
tambm era estranhamente atraente. E ele nem era de se jogar fora, com um cabelo preto
ondulado que dava a impresso de que ele passava muito tempo cuidando dele, e aquele
nariz. Vanessa no teria se importado de colocar o nariz de Jordy num filme.
- Gosto dos seus culos - disse ela.
S porque Vanessa tinha a cabea raspada no queria dizer que no soubesse paquerar.
- Obrigado. - Ele os tirou e colocou de volta.  Voc est no terceiro ano, no ? Sabe que
universidade vai fazer no ano que vem?
Vanessa olhou para Ruby, desafiando-a a soltar a informao sobre a aceitao precoce
de Vanessa na NYU. Mas Ruby permaneceu fielmente em silncio, o que era um desafio
e tanto para uma matraca igual a ela.
- Que importncia tem isso? - perguntou Arlo, rabugento.
- Qualquer faculdade que possa ajud-la a descobrir o que a apaixona seria tima.
Gabriela puxou a longa trana grisalha, os olhos castanhos passando distraidamente para
Vanessa.
-  verdade, voc vai mesmo para a universidade no ano que vem. - Ela se virou para
Pilar. - Arlo sempre esperou que Vanessa fosse para Oberlin. No sei de onde ele tirou
essa idia. Afinal,  uma escola de arte.
- Tenho certeza de que alguma faculdade ser idiota o bastante para me aceitar - disse
Vanessa baixinho.
-  esse o esprito, querida! - piou Pilar. - E nesse tempo todo vocs duas esto morando
sozinhas em Williamsburg acrescentou ela, mudando de assunto. - Minha nossa, voc 
independente!
- Ruby consegue sustentar a casa com a msica  disse Gabriela com entusiasmo. - A
banda dela pode at assinar contrato com uma gravadora em breve.
Vanessa sorriu duro.
- Enquanto isso, eu fico sentada em casa o dia todo, comendo Pringles sabor carne e
vendo violncia na TV.
Ao lado dela Jordy grunhiu, o nico na mesa que tinha entendido a piada.
A banda comeou a tocar, um pouco mais alto desta vez. Duke Ellington ou coisa
parecida. Chuck Bass foi danando at a mesa de Serena e Blair, as mos nos quadris
para ficar mais gay.
- Esta festa seria muito menos chata se vocs, meninas, danassem comigo. - Ele se
inclinou no encosto da cadeira das duas e bafejou no pescoo delas.
Serena e Blair se olharam de lado. A nica escapatria das duas era fugir para o banheiro
das mulheres para fumar mais. Pegando os drinques, arrastaram a cadeira para trs e
puseram-se de p.
Rrrriip!
Uooosh!
Epa!
O vestido rosa apertado demais e emprestado de Blair rasgou-se obscenamente dos dois
lados, revelando o fato de que ela s estava usando meias pretas e nenhuma calcinha. Pior
ainda, o tomara-que-caia de Serena ficou preso no encosto da cadeira e foi puxado at a
cintura, revelando seus peitos 42 totalmente nus.
- Tudo bem, gente, somos todas garotas aqui.  Chuck abafou o riso.
- Feche os olhos, querido - disse Titi Coates ao marido, Arthur.
- Ah, meu Deus! - exclamou a Sra. van der Woodsen, pegando o drinque por reflexo.
Caraca - sussurrou Nate, de repente feliz por no estar chapado.
As meninas riram histericamente, abraaram-se freneticamente enquanto passavam
batido por Chuck, dispararam para pegar os casacos e deram o fora do Frick com a
rapidez que seus saltos de nove centmetros permitiram.
Ningum na mesa de Vanessa tinha percebido. Os Rosenfeld e Abrams mais velhos
estavam ocupados demais se ofendendo mutuamente enquanto a banda atacava Puttin' on
the Ritz de Irving Berlin.
Vanessa odiava danar, mas pegou a manga do casaco caro de Jardy.
- Adoro esta musica. Dana comigo?
Jordy se levantou e puxou a cadeira para ela, todo cheio de boas maneiras e aquiescncia.
Depois ele a levou para a pista e rodopiou com ela com a facilidade de quem fez uma
escola de dana.
Vanessa se surpreendeu por se sentir meio frvola enquanto ele a girava e a tombava nos
braos. Ele era um danarino do bom que ela se esqueceu completamente do uniforme
idiota da escola.
Mas a maioria das outras meninas no salo jamais se esqueceria.

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temas / anterior / prxima / faa uma pergunta / respostas

Advertncia: todos os nomes verdadeiros de lugares, pessoas e fatos foram abreviados
para proteger os inocentes. Quer dizer, eu.

oi, gente!

A TAL FESTA CHATA E SEM SENTIDO A QUE TODOS TEMOS DE IR

No foi muito melhor do que voc esperava? Pense s, s restam algumas horas para as
frias de primavera - e agora todos temos do que falar no avio!

No que eu no v estar falando da coisa de que nunca me canso de falar...

SEXO
 claro que alguns de ns tivemos e outros no, mas a verdade  que todos estamos
pensando nele e definitivamente estamos todos falando dele. Tem a anlise quem-voc-
acha-que-j-fez-na-nossa-srie-e-com-quem, que sempre envolve uma garota sendo
acusada de ter transado com um professor da quarta srie. Uma mentira total, alis,
porque por acaso eu fui essa garota. Depois tem o teste com-quem-voc-faria-se-pudesse-
fazer-com-algum, que em geral se transforma em guinchos e risadinhas porque, vamos
combinar, pnis so feios e estranhos. Depois h a fantasia minha-primeira-vez-ideal,
que tambm em geral envolve celebridades. Per algum motivo, minha fantasia de
primeira-vez-ideal sempre era com Jake, em cima da mquina de lavar, ao nascer do sol
(por acaso nossa lavanderia tinha uma tima vista do nascente no East River). Mas depois
percebi como seria totalmente desconfortvel- e como seria horrvel se a empregada
precisasse lavar a roupa! Nem preciso dizer que no conseguimos parar de falar de sexo.
E, agora que eu j soltei minhas intimidades, vou dar permisso para que vocs soltarem
as suas. No fiquem com vergonha. Afinal,  totalmente annimo.

A no ser que voc no queira que seja.

Seu e-mail

P: Oi,G
Na noite passada eu estava naquela festa e tenho certeza absoluta de que vi voc. Tinha
aquela famlia esquisita que nunca vi antes. O pai estava usando tnis e, tipo assim,
uma saia. Voc raspa a cabea?
- xstream

R: Cara xstream,
Sua capacidade de investigao  admirvel, mas imprecisa. Mesmo que eu raspasse a
cabea, no acha que eu podia usar uma peruca ou um chapu engraado de vez em
quando, especialmente numa ocasio de gala como a da festa de ontem  noite? E, pelo
que me lembro, a nica menina no ambiente com cabea raspada ontem  noite estava
usando uniforme da escola, e devo insistir enfaticamente em que eu nunca,jamais, faria
isso.
- GG

P: cara gossipgurl,
voc viu S e N praticamente, tipo assim, transando no canto do salo do Frick ontem 
noite?  uma doideira como os dois insistem em negar. Tipo assim, por que eles no
admitem que querem ficar juntos? Eles formam um timo casal, no ?
- spec.tater

R: Cara spec.tater,
Me parece que voc peca pelo exagero. S e N so amigos. Ser amigos no permite que
um toque no outro? Embora no seja difcil acreditar que eles no curtam isso um pouco
mais do que deviam ...
Flagra

S e B correndo - literalmente - da festa beneficente Virtude e Vico ontem  noite antes
mesmo que a sobremesa fosse servida. Pessoalmente, acho que B planejou tudo e rasgou
os vestidos para no ter de ficar no mesmo ambiente de N, quando ele estava to
maravilhoso. V saindo da festa com aquele cara do nariz incomum para dividir
cappuccinos ntimos no Three Guys Coffee Shop a algumas quadras de distncia.
Verdadeiro amor? Ou ela s estava tentando se livrar dos pais? Ou as duas coisas? E o
novo namorado loura de J, L - sim, temos certeza de que era ele -, chegando atrasado no
Frick, todo embonecado num lindo smoking, com Madame T, a renomada benfeitora
das artes, em seu brao. Ele tambm foi visto no Upper West Side ontem  noite, ento
talvez seja s outro lourinho bonito. Parece haver um monte deles por aqui.

Tenham frias de arrasar e procurem no quebrar nada nem perder nada que eu no
quebraria nem perderia! Piscadinhas...

Pra voc que me ama,
gossip girl

branca de neve e a equipe olmpica de snowboarding da holanda

- Da ltima vez em que estive aqui, nossa casa ficava definitivamente nesta estrada -
insistiu Georgie com teimosia. - Mas voc no conhece minha me. Ela mudaria
totalmente a casa para outro lugar s para me irritar.
Nate olhou pela janela do txi em Sun Valley para as atordoantes manses de madeira na
Wood River Drive, em Ketchum, Idaho, a maior cidade de Sun Valley. Atrs delas
erguia-se a massa coberta de neve do monte Baldy, suas encostas robustas alternando-se
entre pistas de esqui muito bem-cuidadas e trechos de um bosque denso de conferas.
Semicerrando os olhos, Nate s podia imaginar a trilha de formigas de esquiadores
descendo as encostas em ziguezague. Sua nova prancha estava enfiada confortavelmente
na traseira da minivan, em sua caixa Burton revestida de vermelho, e ele estava louco
para experiment-la.
- Talvez voc deva ligar e perguntar exatamente onde fica - sugeriu o motorista, olhando
para Georgie pelo retrovisor. A viagem do aeroporto a casa dela devia durar apenas vinte
minutos, mas eles j estavam rodando pelo Sun Valley h 45.
- Continue dirigindo - ordenou Georgie enquanto pousava a cabea pesadamente no
ombro de Nate. O efeito do comprimido para dormir que tinha roubado do velho sentado
ao lado dela no avio ainda no tinha passado, e como sempre ela no estava nada
sensata. Alm disso, estava usando sandlias de cetim Miu Miu roxas e um top preto
fininho, o que era meio estranho, considerando o fato de que eles iam esquiar. Ainda
assim, seus braos claros e macios eram uma sensao boa nas mos de Nate, e os
cabelos castanhos grossos eram to lisos e luxuriantes que ele no se importou. Era legal
s ficar juntos pessoalmente em vez de por telefone.
- Lembra quantos andares tem? - perguntou ele, tentando ajudar. - Ou se tem, tipo assim,
um regato ao lado ou coisa parecida?
- Na verdade no - bocejou Georgie. - Lembro que uma vez, quando viemos para o Natal,
a bab e eu fizemos um boneco de neve juntas. Eu roubei uma das bolsas Fendi da minha
me pra par no brao dele.
Muito til!
O motorista se arrastava pela estrada de volta a cidade. Ele parecia ter desistido.
- Pra - gritou Georgie, sentando-se direito.
O carro parou.
- Isso! - Ela pegou a maaneta e abriu a porta da minivan, esquecendo-se completamente
de que estava no meio da estrada em uma curva fechada. - Vem! - gritou ela impaciente
para Nate. Obviamente ela esperava que o motorista ou os empregados da casa cuidassem
da bagagem.
No esperamos todos?
Nate admirou a enorme casa de madeira por que passaram duas outras vezes,
perguntando-se quem morava ali e se eram famosos ou coisa assim, uma vez que tinha
sete SUVs Mercedes pretos estacionados do lado de fora.
- De quem so esses carros? - perguntou ele enquanto seguia Georgie pela entrada
coberta de neve at as imponentes portas da frente de ao escovado e dois metros e
meio de altura.
Georgie mordeu o lbio inferior cor de sangue, ansiosa. Ela nem mesmo parecia perceber
que as sandlias de cetim j estavam totalmente arruinadas.
- Acho que algum sabia que estvamos vindo.  As imensas portas se abriram com
apenas um toque. - A mame no gosta de fechaduras - explicou Georgie. - Ela prefere
que os amigos se sintam bem-vindos, mesmo que no esteja em casa.
- Ela no est aqui? - Nate achava, quando Georgie falou com ele da viagem pela
primeira vez, que eles iam ficar com a me de Georgie, que eles a ajudariam a fazer o
jantar e depois veriam filmes juntos at que a me dela dormisse no sof e eles pudessem
escapulir escada acima para transar.
Agora estavam dentro do imenso vestbulo da casa. a piso era de lajotas vermelhas.
Grandes vigas de madeira exposta cruzavam o teto. O vestbulo se abria para uma imensa
sala de estar um nvel abaixo com toda uma parede feita de vidro dando para as
montanhas. Ao lado da sala havia um deque de madeira, onde o vapor de um ofur subia
no ar, mascarando um pouco as sete cabeas de pessoas sentadas nela.
- Ah, o ofur est ligado! - guinchou Georgie, tirando as sandlias. - o ltimo a entrar vai
trazer as bebidas!
Nate deixou que ela corresse na frente enquanto olhava a enorme escada de tbua corrida
para o segundo andar. Roupas estavam espalhadas pela escada e junto do peitoril da
janela no patamar acima havia craniozinhos de lince.
Ele atravessou a sala de estar, a luz do sol entrando pela parede de vidro e inundando seu
rosto. Na frente da grande lareira de pedra, um tapete de urso-pardo.
A gente devia se agarrar naquele tapete agora mesmo, pensou ele amargamente, mas em
vez disso tinha de seguir e falar com um bando de estranhos no ofur da me de Georgie.
Havia sete deles, o que meio que explicava os sete carros, embora, se eles estavam a
vontade o bastante para se sentar, num ofur juntos, ento no podiam ter dividido um
SUV?
Georgie j estava no ofur, enfiada entre um louro sorridente e Chuck Bass. E todos
estavam nus.
- Georgina me disse que tinha algum especial - disse Chuck, olhando de lado para Nate.
O peito dele era coberto de um grosso pelo escuro. - Mas ela no me contou que era
o infame Nathaniel Archibald!
Nate se sentou no banco de madeira que contornava a grade do deque. No estava com
vontade de se molhar nem de ficar pelado, no diante de todos aqueles homens.
- E essa  a equipe olmpica de snowboarding da Holanda! - disse Georgie, agitando o
brao branco como a neve para os sete louros recostados preguiosamente na gua
quente.
- Chuck me apresentou no half-pipe pouco antes dos telefricos fecharem.
- Esse  Jan, Franz, Josef, Conrad, Sneezy, Dopey e Gan! No so uma delcia? -
perguntou Chuck, escorregando na banheira at que s o nariz e os olhos ficassem de fora
da gua. Depois ele subiu novamente. - E eu sou a Branca de Neve!
- No, eu sou a Branca de Neve - insistiu Georgie.
-  um prazer conhec-los - disse Nate, mal escondendo a irritao. Se Georgie j estava
nua no ofur com a equipe olmpica de snowboarding da Holanda, ento onde ele ficaria?
Alguns deles podiam ser gays, uma vez que saam com Chuck, mas no era possvel que
todos fossem.
- Ei! - gritou Georgie, jogando gua na cara de Chuck. - Pra de beliscar meus peitos! -
Ela sorriu docemente para Nate. - A me do Chuck  prima da minha me. Ou coisa
assim - explicou ela. - Ns perdemos a virgindade juntos na oitava srie.
Nate enfiou as mos no bolso do casaco. No havia muito a dizer a respeito disso, mas
fez com que ele percebesse o pouco que sabia sobre Georgie. Ela definitivamente era
cheia de surpresas, e na maior parte do tempo as surpresas no eram boas.
De repente Georgie saiu da gua e disparou para dentro da casa.
- Vou pegar champanha pra gente! E, se voc no estiver aqui quando eu voltar, vou te
enfiar ali dentro!
Mas Nate no tinha a inteno de entrar. Em vez disso, ficou de p e a seguiu at a
cozinha. Georgie revirava caixas de champanha na entrada da copa. A bunda nua e
branca se encovava dos lados porque ela era magra demais, mas tirando isso ela era
perfeita.
- Vou subir para desfazer minha mala - anunciou Nate, dando a Georgie a oportunidade
de acompanh-lo para que eles tirassem as roupas dele, em particular.
- Fique  vontade - respondeu Georgie, passando correndo por ele com uma garrafa de
champanha debaixo de cada brao.
No segundo andar, Nate descobriu que suas roupas j tinha sido dobradas e guardadas no
armrio de cedro em um dos quartos de hspedes. Ento, em vez de desfazer as malas,
ele deu uma busca rpida nos banheiros para se livrar de todos os frascos de comprimidos
e qualquer outra coisa que Georgie pudesse ingerir para se divertir. Se a me dela
realmente no estava em casa, era responsabilidade dele se certificar de que ela no
bebesse um vidro de Nyquil e incendiasse a casa ou coisa assim.
Depois que terminou de deixar os banheiros  prova de Georgie, Nate definitivamente
tinha de ligar para Serena e Blair no hotel. Porque, se ele e Georgie no iam ter uma
semana romntica juntos, esquiando e transando, e se ela ia ficar doidona o tempo todo,
ele tinha de conseguir alguma companhia.
E quem melhor para ajudar a se distrair da namorada hiperativa, insana e viciada em
drogas do que a ber-garota que ele sempre desejou e a ex-namorada perversa-mas-ainda-
linda?

b passa a se interessar por esqui

Depois de finalmente chegar ao Sun Valley Lodge, Blair se deitou na cama do quarto,
olhando para as arvores de galhos nus e a neve do lado de fora, perguntando-se se no
devia ter ido ao Hava, afinal de contas. Pelo menos ela podia ter pegado um bronzeado.
- Toc-toc! - gritou Serena na porta para o quarto ao lado. - Arrumadeira!
Ela guinchava excitada enquanto o irmo h muito sumido abria a porta e eles se
abraavam. Erik estava todo suado da sauna, mas ainda era seu retardado mais velho e
adorvel. O ursinho de Serena.
- Pera. Vou me trocar - Blair ouviu-o dizer.
- A Blair no liga para o que voc est vestindo  respondeu Serena. - Entre e diga um oi.
- Depois Blair ouviu o som de ps descalos pisando no carpete.
- Oi.
Ela se apoiou nos cotovelos e piscou. Erik estava nu, exceto por uma toalha branca
enrolada na cintura. O cabelo louro estava molhado e caa pela nuca. Havia uma pequena
cicatriz no queixo, de quando ele tinha cado no playground aos nove anos. Alm dessas
coisas, ele no tinha falhas.
Blair j havia se apaixonado por ele depois de ler seu dirio e dormido com a camisa
dele. Ela nunca imaginou o efeito que teria ver Erik pessoalmente. Os enormes olhos
azuis dele! A boca triste e sensual! O peito perfeito! At os ps dele eram perfeitos.
De repente ela entrou em movimento, sentando-se, cruzando as pernas e agitando o
cabelo, parecendo calculadamente entediada.
- Oi. - Ela esticou os braos para cima e arqueou as costas. - E a, j esquiou? - perguntou
ela com um bocejo.
Erik riu. Estava acostumado com o efeito que causava nas garotas e era meio bonitinho
ver a amiga da irm mais nova toda crescida e empinando o peito para ele. Na verdade,
ele no via Blair desde que Serena foi para o internato e ele para a faculdade, dois anos
antes. Ela sempre foi bonita, mas, com o cabelo curtinho, o corpo pequeno e bem
proporcionado e o queixo aristocrtico apontando para cima, ela se transformou numa
verdadeira gata.
- A neve est maravilhosa agora, e nevou, tipo assim,  noite, e faz 15 graus ao sol
durante o dia; ento voc pode, tipo assim, esquiar de short. Algumas garotas at esquiam
com o suti do biquni. E este lugar  serio com a manuteno tambm.
Blair assentiu, fingindo estar fascinada. Ela esquiou a vida toda, mas gostava de pegar
leve e no ter de se constranger por escorregar. Ela trouxe o biquni preferido Eres para o
ofur, mas, pelo que Erik disse a ela, podia at usar nas pistas! Serena a alertara de que
ele era um esquiador super-rpido nas rampas. Mas talvez, se ela pedisse com jeitinho,
ele pensasse em dar um tempo das rampas. Eles formam um casal perfeito, ela de biquni
e ele de short de surfe, descendo graciosamente a montanha para a inveja de todos.
- Acha que pode me levar amanh? - perguntou ela. - S esquiei aqui uma vez.
Erik sorriu.
- Claro.
O quarto do hotel era grande e antiquado, com cortinas de belbutina bege, cmodas e
mesas-de-cabeceira de carvalho e um closet. Mas tambm tinha amenidades modernas:
CD e DVD player, acesso  Internet e um frigobar, que Serena j descobrira. Sentada no
cho na frente da geladeira aberta, ela enfiou uma trufa Godiva de cortesia na boca e
tomou um gole de champanha. Ser que Blair estava paquerando Erik? E Erik realmente
estava correspondendo? Que esquisito.
- No liguem para mim - murmurou ela enquanto tomava outro gole da minigarrafa de
Veuve Clicquot. - Olha, a luz est piscando no telefone. Temos recado! - Ela voou
para o telefone da cama e pegou o fone, seguindo as instrues para recuperar o voice-
mail.
"Oi,  o Nate. Espero que vocs estejam bem. Querem se encontrar comigo amanh de
manh, l pelas dez e meia, para esquiar? Me avisem se vocs forem. Hmmm, no sei
qual  o nmero daqui.  um lugar meio maluco, na verdade. Mas ligue para o meu
celular. T legal. A gente se v."
Serena achou que Nate parecia sem flego - e estranhamente nervoso tambm -, mas
talvez fosse s porque ele no estava mais chapado e ela no estava acostumada com a
voz normal dele. Serena ergueu o fone e olhou para Blair e Erik. Ele estava apontando a
janela e explicando alguma coisa a Blair sobre o desenho da montanha e quais pistas o sol
atingia de manh e  tarde. Como se Blair ligasse para isso.
Serena discou para o celular de Nate e deixou um recado. "Estaremos l amanh, total",
disse ela. "Mas estou enferrujada, e vamos ter de parar para um chocolate quente e
cigarros a cada volta, mas, se quiser se chatear, pode aparecer. Estou doida pra conhecer
a Georgie. Te vejo na base do River Run s dez e meia. Tchau, Natie." Ela desligou,
colocou outro chocolate na boca e rastejou pelo cho, rosnando antes de abrir a boca e
morder as costas da perna de Erik.
- Ai! - gritou ele.
Serena se sentou.
- Ser que a gente pode fazer alguma coisa?  perguntou ela. - Ou vocs esto ocupados
demais conversando neste quarto de hotel chato para, tipo assim, sair?
Blair olhou a amiga em baixo de seu poleiro na cama e mal conseguiu resistir a chutar-lhe
a cabea. Ser que Serena no podia dar o fora e deixar os dois conversarem?
Serena se levantou e pegou a bolsa de cosmticos na mala aberta que estava em sua
cama.
- Vou tomar um banho - anunciou ela. - E, se vocs j esto prontos para se juntar a mim
num coquetel, legal. Se no, vou encontrar algum bacana e interessante para ficar
comigo, e vocs podem simplesmente ficar sentados aqui vendo o boletim meteorolgico
e tirando meleca do nariz.  Ela sabia que isso era meio de pirralha, mas tambm era
muito delicado da parte dela dar um tempo para Erik e Blair, tipo assim, rolarem na cama
enquanto ela estava no banho, se era o que eles queriam.
Blair revirou os olhos. Serena estava com cime porque de repente Erik queria conversar
com ela mais do que com a irm mais nova. E Blair no estava disposta a desperdiar
uma oportunidade dessas. Erik e Serena podiam se ver a qualquer hora.
-  melhor eu me vestir - disse Erik, segurando a toalha. - Provavelmente vocs tem de
guardar as roupas ou coisa assim.
Blair foi at a mala e a abriu. Pegou o biquni e algumas calcinhas de renda, espalhando-
as em cima da cama, bem  vista.
- No trouxe muita coisa. Na verdade, preciso alugar esquis e as coisas de esquiar na loja
l de baixo.
- Ah, ? - Erik se interrompeu na porta. - Posso te ajudar com isso. Diga a minha irm
que encontro vocs daqui a meia hora no saguo. A gente pode comer alguma coisa
depois.
- E os seus pais? - perguntou Blair, lembrando-se de que era convidada para as frias e,
embora s o que quisesse fazer era ficar no quarto com Erik, pedir comida, ver filmes
romnticos em preto-e-branco e rasgar as roupas um do outro, ela no tinha esquecido
das boas maneiras. - No temos de jantar com eles?
- No. Eles tem toneladas de amigos aqui. Sempre fazem o que querem. Tenho certeza de
que todos tero, tipo assim, um jantar com a gente, ou talvez um brunch. Mas
basicamente estamos por nossa conta. - Os olhos dele encontraram os de Blair numa
compreenso mtua de como isso parecia bom.
- Vai ser bem divertido - disse ela.
- , vai mesmo - concordou Erik antes de se enfiar no quarto dele.
Bem, pelo menos deve distrair!

seria uma arma ou s um bagel com cream cheese?

- Mal amanheceu no domingo e s est 16 graus  reclamou Elise. - Qual  a da
vigilncia?
- Shhhh - sussurrou Jenny. - L vem ele. - Ela pegou a manga do casaco de Elise e a
arrastou para dentro da lavanderia da Lexington Avenue. Por acaso, estavam paradas
na frente.
- E agora, o que estamos fazendo? - resmungou Elise.
Jenny ps o dedo na boca e se agachou atrs de um saco gigante de roupa. Estava usando
culos escuros s para a ocasio e mal conseguia ver alguma coisa na loja sombria. -
Shhhh.
- Posso ajudar? - perguntou o homem por trs do balco. As duas meninas ficaram
imveis enquanto Leo passava rapidamente pela vitrine da loja. O cabelo louro-claro
estava enfiado por dentro de um gorro preto e ele usava jaqueta de couro marrom
despedaado com gola de pele de carneiro que era cara demais ou muito velha. Nas mos,
um caf grande num copo de papel branco e um saco de papel branco com alguma coisa
dentro.
Arr! Seria uma arma?, perguntou-se Jenny. A mo de algum? Um simples bagel com
cream cheese?
- Vamos! - Jenny se colocou de pe num salto e arrastou Elise para fora da loja de novo,
seguindo Leo pela rua 70 at a Park Avenue.
Leo nunca convidou Jenny para ir  casa dele nem disse a ela onde morava. E quando ela
o convidou para sair hoje, ele disse que no podia, como acontecia metade das vezes em
que ela pedia. Leo era to esquivo que Jenny no conseguiu resistir a espion-lo. Ele ia
sempre a uma cafeteria na esquina da 70 com a Lex e provavelmente morava em algum
lugar par ali. Ento, naquela manh, Jenny arrastou Elise da cama s sete da manha para
esperar do outro lado da rua at que ele aparecesse na cafeteria.
- Ei, olha. - Elise apontou na Park Avenue para um prdio suntuoso com porteiro e um
toldo verde e dourado. - Ele entrou! - Ela agia como se toda a coisa de espionar Leo fosse
totalmente idiota, mas agora estava entrando numa. -  ali que ele mora?
- No sei - respondeu Jenny num sussurro. Elas continuaram andando pela quadra at que
chegaram a um lugar ensolarado. Jenny se encostou no prdio, esperando que Leo sasse
novamente.
- Voc vai ficar aqui? - Elise pegou um pacote de chiclete Orbit no bolso e ofereceu um a
Jenny.
- O que h de errado nisso? -Jenny abriu a embalagem do chiclete e mordeu metade,
embrulhando a outra metade para depois.
- Bem, e se ele s se sentar ali e ficar vendo TV por trs horas? A gente vai morrer aqui
fora - reclamou Elise.
Jenny mascou o chiclete e enfiou as mos nos bolsos da parca preta. Ela fechou os olhos
e deixou que o sol do fim de maro banhasse seu rosto.
- Est mais quente no sol. E depois, o que mais temos para fazer? Estamos de frias. No
temos nem dever de casa.
Elise no podia discutir. Era totalmente um porre ser uma das nicas alunas da turma que
no foi esquiar nem foi a nenhum resort de praia nas frias. Pelo menos Jenny estava
mantendo as duas ocupadas. Ela viu a cabea loura de Leo sair do prdio, sem gorro, sem
o caf e o saco de papel branco.
- Ei - sussurrou ela, cutucando o brao de Jenny.
As meninas apertaram o corpo na lateral do prdio e encolheram o pescoo, na esperana
de ele no as ver. Desta vez Leo estava levando um mastim branco gigante numa trela de
couro vermelho. O cachorro usava uma daquelas combinaes de coleira e casaco
Burberry de trezentos dlares que s os cachorros dos podres de ricas usavam, e umas
botinhas de coura rosa.
Ah, meu Deus.
Jenny no sabia bem o que fazer com isso. Era completamente constrangedor para Leo,
mas tambm era completamente intrigante. Ele nunca disse a ela que tinha cachorro! Ela
puxou a manga de Elise de novo.
- Vamos.
Elas seguiram a distncia enquanto Leo passeava lentamente com o cachorro pelo
quarteiro. Ele era paciente, deixando que o co farejasse hidrantes e meios-fios onde
outros ces tinham urinado. Depois o cachorro arriou o traseiro e fez um coco enorme, e
Leo zelosamente se agachou e o recolheu com um saquinho de plstico rosa que tirou de
uma espcie de bolsinha presa a trela, deixando na lata de lixo da esquina da 69 com a
Madison. Depois disso, ele andou com o co em volta do quarteiro para a Park Avenue e
entrou no prdio novamente.
Jenny se encostou no mesmo local ensolarado, totalmente desnorteada com o que tinha
visto.
Elise ficou atrs dela, mascando ruidosamente.
- Olha, no sei se  verdade ou no, mas sabe aquele site que eu vou sempre? - perguntou
ela.
- Sei.
- Bem, falava de uma festa elegante que todas as garotas ricas da escola foram na tera 
noite. E falava num cara que estava na festa que parecia exatamente Leo. Ento talvez ele
seja tipo zilionrio e tmido demais para contar a voc.
Jenny estremeceu. Ou talvez ele tenha vergonha demais de mim para me levar em casa
para conhecer os pais dele, pensou ela miseravelmente. Ainda assim ela no estava
convencida. Leo no agia como um rico esnobe e freqentava uma escola meio
alternativa. Se ele era zilionrio, provavelmente iria para a St. Jude ou para um internato
em New Hampshire, ou coisa assim.
- Se ele  to rico, o que est fazendo comprando caf numa deli e passeando com o
cachorro? - perguntou ela. E depois, por que o cachorro dele usa uma coleira que custa
mais que uma pea de roupa que ela possui? Meu Deus, Leo estava ficando cada vez
mais misterioso!
- Talvez ele seja um espio disfarado de aluno do ensino mdio para penetrar em algum
crculo de drogas na escola - sugeriu Elise.
_ E ele tem de vestir o cachorro de botas cor-de-rosa como parte do disfarce? - disse
Jenny, os olhos na entrada do prdio. - No acho.
Elise deu uns pulinhos para manter a circulao do corpo. - ,Bem, vai ver so botas de
cachorro especiais tipo James Bond, tipo assim, com uns torpedos nelas.
- Ah, . - Jenny riu. Ela meio que gostava da idia de Leo ser um espio. - E ele  faixa-
preta em carat e  fluente em, tipo assim, 23 lnguas.
Elise se curvou e amarrou novamente os sapatos. Estava ficando seriamente cheia de tudo
aquilo.
- O cachorro?
- No, idiota! - exclamou Jenny, ainda observando a porta. -Leo.
- Quem sabe? - Elise deu um bocejo. Ela realmente precisava voltar para a cama, mas
tambm esperava secretamente que ela e Jenny fossem para a casa de Jenny para que
ela pudesse ver Dan de novo. Ele era to estranho, de uma forma bonitinha. - E o que a
gente faz agora?
Jenny pegou a outra metade do chiclete no bolso. Cuspiu a metade sem gosto no papel da
embalagem e colocou a metade nova na boca. Embora odiasse admitir, ela estava
adorando espionar Leo.
- Vamos esperar.
Bem, pelo menos elas estavam ocupadas.

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Advertncia: todos os nomes verdadeiros de lugares, pessoas e fatos foram abreviados
para proteger os inocentes. Quer dizer, eu.

oi, gente!

MENINOS E MENINAS AGEM DE FORMA DIFERENTE

J perceberam que quando os meninos esto estressados s o que querem fazer  passar
horas jogando videogame sozinhos ou ir para o parque e bater bola com outros meninos?
Quando ns ficamos estressadas, somos produtivas. Arrumamos os armrios, compramos
a bolsa nova perfeita, fazemos as unhas, depilamos as sobrancelhas e limpamos nossos
dentes. Sentar  a ltima coisa que queremos fazer, e o que mais queremos fazer e ficar
com pessoas do sexo oposto. As meninas - at nossas amigas mais ntimas  so to
competitivas e s nos torna ainda mais fantsticas, enquanto os meninos providenciam
uma distrao relaxante. Mas como isso funciona quando todos os meninos esto
ocupados jogando bola? Temos duas opes. Ou tiramos metade da roupa e criamos uma
distrao que seja um pouco mais tentadora do que uma bola redonda quicando. Ou
podemos tentar no ficar competitivas demais e nos divertimos um pouco com as amigas.
Vamos encarar a realidade, depois que voc beija aquele cara especial, s o que
realmente quer e ligar para as amigas, de qualquer forma.

Seu e-mail

P: Cara GG,
S tenho 13 anos, e quando voc fala de coisas como a faculdade, ainda parece muito
longe para mim. Mas no para os meus pais. Eles s falam disso. Tipo assim, eles esto
me levando para ver universidades nas ferias de primavera, e me matricularam num curso
preparatrio para os testes de aptido escolar que vo comear em abril. O que posso
dizer a eles para que larguem do meu p?
- hadenuf

R: Oi, hadenuf,
Acho que todo mundo pode se identificar com isso. Como se j no tivssemos presso
suficiente? E sei que vai parecer uma maluquice, mas eu recomendo um pouco de
psicologia reversa - sempre funcionou comigo. Torne-se a Srta. Estou-doida-para-entrar-
na-faculdade! Compre todos os guias de estudante, encha as paredes do seu quarto com
psteres de universidade, pea camisetas de universidade pela Internet, compre um CD-
ROM preparatrio para os testes de aptido e use como protetor de tela. Pare de ver TV.
E, se eles no ficarem preocupados e te deixarem em paz, experimente namorar um cara
que esteja na faculdade. Isso deve funcionar. Boa sorte!
-GG

P: Cara gossipgurl,
Sou colega em Smale daquele cara que a J esta namorando.  engraado, ningum
realmente conhece o cara muito bem. Ele sai logo depois que a sineta toca e ningum
mais o v.  como se ele fosse um fantasma ou coisa assim.
- celine

R: Cara celine,
Ele ser um fantasma explica tudo. Afinal, os fantasmas podem sumir rapidamente e sacar
todo tipo de truques malucos. Mas um fantasma se incomodaria mesmo com a escola?
Alis, eu adoro seu nome - se  o verdadeiro.
-GG

Flagra

D comprando um novo terno preto de veludo cotel na ponta-de-estoque da APC,
tentando parecer francs e artstico para o novo emprego. V experimentando cala cqui
na Gap com o novo namorado narigudo. Desde quando ela usa cqui? J espiando
pela Park Avenue, usando binculo e um chapu engraado de velho. Ser que ela ficou
doida? B em Sun Valley experimentando biqunis e comprando camisinha. Pera, achei
que ela devia estar esquiando. E algum disse camisinha? N dirigindo um SUV
Mercedes cheio de louros bbados, indo a um restaurante mexicano bagunado, tambm
em Sun Valley. No  um saco ser nomeado motorista? E onde estava a namorada dele -
j desmaiada? Que timo. Parece que todo mundo esta se comportando da pior forma,
como sempre. Lembrem-se de me manter informada. Esta pgina trata de vocs (quando
no trata de mim).

Para voc que me ama,
gossip girl

d entra no faa o que eu digo, garoto

Os bolsos do terno novo de Dan ainda estavam costurados e o cabelo molhado estava
duro de congelado na testa.
- Ol? - gritou ele rouco no interfone na calada dos escritrios da Red Letter na rua 11,
no West Village. O cigarro que estava fumando no caminho do metro queimara
rapidamente, atingindo os dedos. Ele o atirou na calada, esperando que algum da Red
Letter no estivesse vendo com desaprovao de uma janela. - Sou Daniel Humphrey. O
novo estagirio.
A porta pesadamente gradeada zumbiu e Dan a abriu. Enxugou as mos suadas na cala
enquanto subia a escada. J podia ver o brilho das luzes do escritrio, ouvir o tap, tap, tap
de teclados de computador, o zunido de mquinas de fax, fotocopiadoras, impressoras e o
murmrio estvel de vozes falando ao telefone. Ele chegou ao ltimo degrau e olhou o
escritrio aberto, cheio de cabeas estranhas curvadas sobre mesas, falando ao telefone e
parecendo ocupados, ocupados, ocupados. Dividindo as paredes brancas havia uma linha
vermelha horizontal, fazendo com que a grande sala parecesse embrulhada em fita
vermelha. Quando ele tentou ler, contudo, pode ver que a linha era feita de milhares de
palavrinhas pintadas em vermelho. Ele se perguntou o que diziam, mas para chegar perto
o bastante ele teria de se curvar em cima de uma mesa, e ele no queria ser rude.
Dan esperou que algum o recebesse e lhe mostrasse o lugar - algum devia t-lo
atendido  porta, afinal -, mas ningum parecia se dar conta da presena dele.
Mesmo no novo terno elegante?
Ele passou de um p a outro e pigarreou alto. Nada.
- Hmmm - falou para o homem sentado mais perto dele. O homem tinha cabelo escuro
penteado para trs com gel e usava uma camisa branca enfiada numa cala preta
elegantemente pregueada que provavelmente era Armam, Gucci ou coisa parecida. Havia
quatro minigarrafas fechadas de gua mineral San Pellegrino alinhadas na mesa diante
dele. Vim ver Siegfried Castle - disse Dan.
O homem olhou para cima e semicerrou os olhos.
- Pourquoi?
Dan franziu a testa. O cara no podia simplesmente falar ingls?
- Porque sou o novo estagirio dele?
O homem se levantou.
- E eu zou zeu novo jeve. - Ele ergueu a mo, a palma para cima. - Ziegfried Castle. Me
jame de Zig... no, na verrdade, ajo que voz deve me jamarrr de zenhor.
Dan no tinha certeza de como lidar com a cena da palma para cima. Ousadamente, ps a
mo em cima da de Siegfried Castle e a virou, apertando a mo dele como faria uma
pessoa normal.
Siegfried Castle sorriu e tirou a mo.
- Voz  poeta, no?
Dan assentiu, os olhos varrendo nervosamente as outras pessoas no escritrio. Agora
todas estavam olhando para ele, examinando-o friamente. Ele percebeu que os outros
tambm tinham aquelas garrafinhas de San Pellegrino na mesa. E se vestiam de preto e
branco, como o Sr. Castle. Dan se sentiu uma aberrao com a camisa azul-clara e o
terno cinza.
- Sim. Um poema meu foi publicado na edio de Dia dos Namorados da New Yorker no
ms passado. Talvez tenha visto? Chama-se "Putas".
Siegfried Castle no pareceu ouvi-lo e Dan se perguntou se havia algum tipo de
rivalidade entre a Red Letter e a New Yorker.Talvez ele tenha cometido uma gafe
horrorosa falando na concorrente.
- Agorra, vou mostrrar a voz minha caija de zada. Minha caija de entrrada. Meus
arrrquivos. Mostrrar a pilha de baboseirra. Mostrrar a fotocopiadora. O televone. O fax.
Voz zenta aqui. Vou pedir coisas a voz. Comemos  uma e meia na zala de reunio.
Voz vai pedir zua comida.  Ele ficou apontando para o escritrio e Dan percebeu que o
Sr. Castle no ia mostrar nada a ele, nem apresenta-lo a ningum. A turn tinha acabado.
O telefone tocou e Siegfried Castle sentou-se novamente e apontou para ele com um dedo
perfeitamente manicurado. Dan pegou o fone.
- Al? -Ele estremeceu, percebendo que devia ter dito alguma coisa mais profissional. -
Posso ajud-lo?
Quem  voc, porra? - disse a voz do outro lado com um sotaque britnico. - Me passa
pro Ziegster, j.
Ele passou o fone para o Sr. Castle, que, ele percebeu, tinha uns cabelos grisalhos e
provavelmente era mais velho do que aparentava.
- Acho que  para o senhor.
Dan se sentou no que presumivelmente era sua cadeira no canto, de frente para a parede.
No havia nada na mesa. Nem computador, nem telefone. Nem mesmo San Pellegrino.
Ele se perguntou se devia andar por ali e se apresentar aos outros no escritrio, mas no
queria realmente incomod-los enquanto estavam trabalhando. Estreitou os olhos para a
linha vermelha de palavras que corria pela parede, mas quanto mais olhava, mais ela
parecia danar e borrar. Ele olhou de lado para a caixa de sada do Sr. Castle. Tinha uma
carta nela.
- Gostaria que colocasse no correio para o senhor? - perguntou ele.
Siegfried colocou um cigarro na boca e abriu o Zippo de prata. Depois atirou o cigarro
apagado na lixeira embaixo da mesa.
- Vai em frrente - disse ele cheio de rancor, como se mal pudesse esperar para se livrar de
Dan. - E tambm prreziso de caviar. - Ele pegou urna nota de cem dlares no bolso. -
Gourmet Garrage na Ztima Avenida. Beluga no. Querro o prreto na lata azul.
Como se algum soubesse do que ele estava falando.
Dan pegou o dinheiro e a carta e saiu. O envelope no estava selado e ele no tinha idia
de onde era o correio, mas certamente havia um por perto, e ele podia fumar um cigarro
enquanto estivesse procurando.
Dez quadras depois ele ainda no tinha achado urna agencia dos correios, mas tinha
fumado quatro cigarros em um per que dava para o rio Hudson.
Preciso voltar, disse a si mesmo e atirou o cigarro na gua. Mas como podia voltar com o
envelope na mo, parecendo um dopado porque no conseguiu encontrar um lugar onde
comprar selo?
Ele se inclinou na grade e, antes que pudesse parar e pensar no que estava fazendo, atirou
o envelope no turbilho de gua marrom. O envelope flutuou por um minuto, ficou bege,
pareceu molhado, e depois afundou.
Epa!
Dan se virou rapidamente e se apressou pelo per e a rua 11. Talvez, quando chegasse em
casa a noite, procurasse na Internet e localizasse o correio mais perto da sede da Red
Letter. Que importncia podia ter aquela carta, afinal?
Ele enfiou a mo no bolso, sentiu a aspereza da nota de cem dlares e se lembrou do
caviar.
- Porra.
Dentro da Gourmet Garage havia pilhas de caviar preto e uns oito tipos diferentes de
rtulo azul. Dan pegou o mais caro e foi para a caixa registradora.
- Dan?
Ele se virou. Era Elise, amiga de Jenny. Estava levando uma baguete que tinha uns
noventa centmetros de comprimento, e tinha farinha de trigo na cara. Estava meio
bonitinha, na verdade, a no ser que Dan de repente percebesse que ela era muito mais
alta do que ele, tipo uns trinta centmetros.
- O que est fazendo aqui? A Jenny disse que voc ia comear no emprego novo hoje.
Dan apontou para a latinha de caviar que percorria a esteira em direo  caixa
registradora. Como uma coisa to pequena podia custar 75 dlares?
- Meu chefe me mandou comprar umas coisas.
Elise observou enquanto ele pagava pelo caviar com a nota de cem e depois enfiava o
troco no bolso do sobretudo APC.
- Caraca - sussurrou ela, impressionada. - Bem, de qualquer forma, eu s ia dar uma
passada no seu trabalho pra te levar uns biscoitos. Eu estava entediada, e pensei que
talvez voc gostasse de uma festinha no primeiro dia. - Ela sorriu timidamente enquanto
pagava pela baguete. - Eu sempre escrevo melhor quando tenho alguma coisa boa para
mastigar.
Dan no tinha muita certeza do que fazer com isso.
- Tenho de voltar - disse ele a Elise e abriu a porta para a rua.
- Tudo bem. - Ela andou com ele ate a esquina com a baguete enfiada debaixo do brao.
Havia farinha de trigo em todo o casaco de l de Elise. - Preciso de um txi. Eu estava
comprando um po pra minha me. Nossa famlia praticamente vive de Coca-Cola e po
francs. Meu pai chama de Dieta dos Wells.
Dan sorriu. A dieta funcionava. Elise era bem magra. Ele semicerrou os olhos para ela no
sol frio do meio-dia. Ela havia comprado biscoitos para ele. Elise tinha sardas bonitinhas
e era desengonada e alta, e tinha uma baguete debaixo do brao. Parada ali, com o
casaco preto e a malha de bal preta, ela parecia extremamente francesa e potica. Ele
definitivamente podia escrever um poema sobre ela.
Elise acenou a baguete para um txi, que passava.
- Ei! - O txi parou e ela se virou para se despedir.  Jenny e eu podemos ver uns filmes
ou coisa assim mais tarde. Talvez eu te veja na sua casa?
Dan deu um passo na direo dela.
- Tem farinha no seu rosto. - Ele limpou com o polegar e depois beijou o lugar. - Aqui.
Os cantos da boca de Elise se viraram para cima numa tentativa de sorriso.
- Obrigada. - O taxista buzinou. Ela apertou mais a baguete debaixo do brao. - Deixei os
biscoitos na sua mesa. Acho que so bons. T legal, a gente se v - acrescentou ela antes
de pular para o banco traseiro do txi.
Petite mignonette, comeou Dan a escrever na cabea enquanto voltava a p para o
escritrio. Doce coquete. Ele nem tinha certeza se aquelas eram mesmo palavras
francesas, mas ela parecia uma francesinha namoradeira que levava po debaixo
do brao e comprava biscoitos para voc. O tipo para quem voc escreve canes e
poemas e beija no rosto. Elise s tinha 14 anos, afinal. No era Mystery Craze, mas
obviamente o adorava, e pelo menos estava presente.
Ele acendeu outro cigarro e voltou ao escritrio num passo relaxado. At que esse
negcio de trabalhar no era to ruim.
Desde que ele ficasse fora do trabalho.

v ajuda os pais a encontrar a arte

- Olha, pai, um tren velho - gritou Vanessa. Ela cometeu o erro de mencionar quanta
coisa velha as pessoas de Nova York largavam na calada - na verdade ela encontrou um
par de patins antigos perfeitamente bons desse jeito - e agora estava patrulhando as ruas
de Williamsburg, ajudando-os a encontrar tesouros para a arte fundamental.
Arlo sacudiu o tren de plstico vermelho e o pegou. Estava rachado no meio e coberto
de etiquetas fofas de tartarugas. A base estava manchada e descolorida dos dias de xixi de
cachorro que tinha suportado.
- Deve feder - alertou Vanessa.
Arlo deu de ombros e o largou no carrinho de metal preto de Ruby. J tinham achado um
aqurio de plstico azul, um chapu de chef de cozinha branco e um cinzeiro feito de
tachas.
- Precisamos mesmo e de alguma coisa grande  disse Gabriela enquanto eles
prosseguiam. -Alguma coisa profunda.
Vanessa os seguia de ma vontade, perguntando-se o que sua me queria dizer. Outro
cavalo? Um ralador de queijo gigante? Ela chutou uma caixa de suco vazia e amassada e
se sentou num banco enquanto a me e o pai conversavam com o dono de uma pick-up
antiga estacionada que parecia um barraco de pescador no meio de um bloco de
armazns. Depois a me dela se sentou ao lado dela.
- Arlo achou um esprito irmo - assinalou ela, sorrindo para o marido de longe. - Acho
que ele vai ficar um tempinho ali.
Hoje Arlo estava usando o poncho de l sobre a bermuda e os tnis sem meias. Os joelhos
eram branco-azulados e nodosos, e as canelas tinham hematomas de bater na forja em
Vermont, fazendo moveis de carcaas de carrinhos de mo ou chifres de alce. Vanessa se
surpreendeu que o pai tivesse encontrado algum que pudesse olhar para ele como a me
fazia. E vem falar de espritos irmos!
- E ento, o que aconteceu com aquele seu namoradinho desgrenhado maravilhoso? -
perguntou Gabriela. Ela pegou um elstico da ponta da trana grisalha e penteou o cabelo
com os dedos manchados de tinta.
Vanessa sorriu. Parte do motivo para ela manter a cabea raspada era que o cabelo da
me era obsceno para ela.
- Quer dizer o Dan?
Gabriela estendeu a mo e comeou a massagear a nuca de Vanessa,que tremeu - ela
odiava ser tocada sem convite -, mas sua me no percebeu o desconforto.
- Eu sempre achei que vocs dois acabariam se casando ou coisa assim. Vocs me
lembram Arlo e eu.
Vanessa abraou os joelhos, suportando a massagem.
- O Dan entrou para a polcia - disse ela, sabendo o quanto os pais se ressentiam da
polcia.
- No brinca. - Gabriela largou o pescoo de Vanessa. Ela dividiu o cabelo grisalho em
trs mechas grossas e comeou a tranar novamente. - Ele tinha tanto talento. Um olhar
raro e afiado para a beleza. E era to fiel.
Fiel? Talvez no.
- R! - enfureceu-se Vanessa. Dan no teria ido a parte alguma se ela no reconhecesse
que o poema dele era bom e o mandasse para a New Yorker.- Na verdade o Dan no virou
tira - admitiu ela. - Ele s deixou de ser legal. Tipo assim, tudo bem andar com todo ripo
de gente se ele pode fazer um bom poema com isso.- Ela olhou para a me para ver se o
comentrio tinha sido registrado. - Ele  um babaca- acrescentou ela.
- Os verdadeiros artistas sempre so acusados de babaquice - suspirou Gabriela. - Voc
no devia ser to dura com ele. - Ela prendeu a ponta do rabo-de-cavalo com o elstico
do molho de brcolis que Ruby tinha cozinhado na noite anterior. - Sabe quem so os
verdadeiros babacas?
- Quem? - perguntou Vanessa, levantando-se. O pai estava vindo na direo delas com
uma rede de pesca velha e fedorenta nas mos, sorrindo ansiosamente, como se mal
pudesse esperar para mostrar e contar tudo.
- Os Rosenfeld - respondeu a me. -Aquele comentrio que a Pilar fez na outra noite,
dizendo que nem recicla mais? Que tipo de gente no recicla?
Hmmm, montes de ns.
- O Jordy  legal- aventurou-se Vanessa em voz baixa.
- Mas aqueles culos que ele usa? Provavelmente custam o preo do nosso carro! Se quer
saber minha opinio, ele devia gastar o dinheiro num nariz novo.
Est vendo, at os anormais hippies amantes da paz no conseguem resistir a uma
fofoquinha maldosa.
Vanessa bufou. Considerando o fato de que seus pais dirigiam uma wagon Subaru mais
velha do que ela, os culos de Jordy provavelmente custavam muito mais do que o carro
deles. E se a me dela realmente detestava tanto os Rosenfeld, Vanessa estava doida para
que a me descobrisse quem ela havia convidado para a apresentao de Ruby naquela
noite.
Um certo rapaz de culos caros e nariz comprido, quem sabe?
Um lapso de brilhantismo na mesa do estagirio!

Quando voltou ao escritrio, Dan tocou a campainha de novo s para descobrir que o
lugar estava completamente deserto. Ele ps o troco do caviar na mesa de Siegfried
Castle e passou pelas filas e filas de mesas em um pequeno corredor. No fim do corredor
havia uma porta fechada. Dan pde ouvir vozes do outro lado da porta. Ele bateu de leve.
- Entrre - ordenou Siegfried Castle.
Dan abriu a porta. A equipe da Red Letter estava sentada em volta de uma mesa de
reunies, comendo biscoitos e bebendo San Pellegrino das garrafinhas verdes de que
todos pareciam gostar tanto. Uma cpia impressa do novo livro de memrias de Mystery
Craze em alemo estava no meio da mesa. A capa era branca com uma foto de um
flamingo. No a ave toda, s as pernas, com uma perna dobrada  altura do joelho.
- Ajamos que ze voz no voltaze com o caviarrr, ainda podamos comerrr zeus biscoitos
- explicou Siegfried Castle. Ele assentiu para uma mulher baixinha de meia-idade sentada
ao lado dele. - Ezta e Betzy. Ezte e Charles. Ezte e Thomas.
Ezta  Rebecca. Bill, outrro Bill und Randolph - disse ele, continuando em volta da sala e
apresentando a todos num ritmo ridiculamente rpido.
O nome do meio de Dan tambm era Randolph, e ele o desprezava. Ele assentiu e sorriu
educadamente. Todos estavam vestidos como o Sr. Castle, com camisas brancas e calas
pretas. Era como se fizessem parte de uma espcie de culto.
- Desculpe por demorar tanto.  um estiro at os correios - mentiu ele. Normalmente ele
no mentia nem jogava fora a correspondncia das pessoas, mas alguma coisa no
fato de ter um emprego o fazia querer ser rebelde. - De qualquer forma, aqui est. - Ele
ps a lata de caviar na mesa diante do Sr. Castle.
O famoso editor tirou o rtulo da lata e o colou na mesa. Depois atirou o caviar na lata de
lixo ao lado da porta.
Como  que ?
Dan no sabia se devia se sentar ou no. Obviamente eles estavam numa espcie de
reunio, e obviamente ele tinha comprado o caviar errado, ento...
- Diga-nos o que voz aja de Mysterry Crraze. - O Sr. Castle interrompeu os pensamentos
dele. - Todo mundo aqui aja que ela e uma espzie de prrofeta, at as mulherres! - Os
homens em volta da mesa riram lascivamente.
- Ela  a deusa do sexo - gritou Randolph, mastigando os biscoitos.
Dan ainda estava de p, sufocando em seu casaco. Ele se sentou na cadeira vaga ao lado
do Sr. Castle e olhou o prato vazio onde haviam estado os biscoitos de Elise.
- Mystery e eu somos muito bons amigos - disse ele em voz baixa. - Ela  muito...
realizada.
Os homens na sala riram alto novamente. De repente Dan teve a sensao de que no foi
o nico que dormira com Mystery.
- Ela  muito boa poeta tambm - assinalou Rebecca, que tinha orelhas pontudas, como
de um elfo. - Nem acredito que ela nunca foi  escola.
- Uma rrrf que nunca voi  ezcola, crriada por lobos, vai vazer qualquerrr coisa e
escrrever depois. No zurprreende que ela j zeja vamosa - observou Siegfried Castle
sonhadoramente. Ele rabiscou alguma coisa no bloco roxo na mesa.
Dan remexeu nos fios de costura dos bolsos de sua cala.Ele no tinha certeza do que
tratava essa reunio. O que ele realmente precisava era de um cigarro e uma xcara de
caf, e escrever o poema sobre Elise antes que se esquecesse do que queria falar.
Ele gesticulou para averso alem das memrias de Mystery.
- Ainda no li o livro dela, mas tenho certeza de que  bom.
Siegfried Castle pegou uma pilha de papeis no cho e os atirou pela mesa para Dan.
- Tudo izo  lijo... no aprroveitamos nada do que mandam parra c. Mas querro ler, de
qualquerrr vorma.
Dan olhou a pilha. Ele sempre achou que tudo na Red Letter vinha do que os escritores
mandavam.
- Como faz, ento?
Todos riram.
- Garroto bobo. Ns z pedimos a nozos amigos parra escrrever coisas, ou talvez a gente
aje alguma coisa que gostamos de escrrever na parrede do banheirro - declarou o Sr.
Castle, como se fosse a coisa mais bvia do mundo.
Dan pegou a pilha de papis.
- Quer que eu separe os que acho bons?  perguntou ele, confuso.
- Z leia e jogue forra! - gritou Siegfried Castle, o rosto vermelho e parecendo irritado. -
Zai! Zai! - gritou ele, apontando para a porta. Ele pegou o prato de biscoito vazio da
mesa e o enfiou na mo de Dan. - Zai!
Dan correu da sala, levando o prato e os poemas para sua mesa vazia. Todo o corpo
tremia e ele estava preocupado que pudesse chorar. Em vez disso, comeou a folhear a
pilha de poemas, lendo rapidamente. Alguns eram pavorosos, mas outros eram originais e
brilhantes. Ele pensou em perguntar ao Sr. Castle o que ele achava que havia de errado
com os poemas. Ou talvez ele pudesse deixar os poemas de que gostou na caixa de
entrada do Sr. Castle com um bilhete pedindo a ele para reconsiderar. Mas novamente,
quanto menos tivesse a ver com Sigfried Castle, melhor.
Quando recuperou o controle, ele pegou uma folha de papel em branco da pilha ao lado
da impressora e abriu a caneta, rabiscando os primeiros versos do poema que ficou na
cabea a tarde toda.

Petite mignonette, doce coquete
Provo de seu biscoito, de seu po
Voc preenche meu prato

O ltimo verso parecia conhecido, como se ele j tivesse usado em outro poema. Cruzou
as pernas, ponderando, e ouviu o som da descarga de um banheiro. Iria fazer xixi,
decidiu. Um xixi e depois terminaria o poema. Ele se levantou para ir ao banheiro.
Dentro, havia alguma coisa escrita em latim na parede em tinta vermelha, mas ele no
conseguiu decifrar.
Quando voltou  mesa, a folha de papel com o poema no estava mais l, mas toda a
equipe ainda estava na sala de reunies.
Dan no ousou investigar. S podia esperar que seu fragmento de poema fosse publicado
sob "Annimo" na prxima edio de Red Letter. Um dia, ele podia vazar a informao
de que o poema era dele e o mundo da literatura clamaria por mais. Ele publicaria um
livro - ou talvez dez livros - e se tornaria mundialmente famoso, como Mystery Craze.
Embora talvez no to notrio.

I, o homem misterioso

Jenny e Leo ficaram de mos dadas durante todo o filme e continuaram quando saram do
cinema. Jenny nem tinha prestado ateno no filme. S o que pde pensar em toda a
sesso foi: Ele vai me levar para a casa dele depois. Estamos s a cinco quadras do
prdio com o porteiro na Park. E depois vou conhecer o cachorro, a me, o personal
trainer dele e as dez empregadas ...
- E a, eu estava pensando que a gente podia andar at o Guggenheim agora. - Leo sorriu
para ela com o sorriso bonitinho de dente torto.
Se ele  to rico, como  que os pais dele no mandaram ele consertar os dentes?,
perguntou-se Jenny. E novamente ela ficou feliz que no tivessem mandado.
- J passa das oito. Os museus no esto todos fechados agora?
- Eles tem umas coisas  noite, uma vez por ms  explicou Leo. -  mais legal, sabe, ver
as telas quando est escuro.
Se Jenny tivesse pensado direito, teria achado que esta era praticamente a melhor coisa
que algum j disse. Primeiro, no era legal que ela e Leo fossem a museus e exposies
de arte? Segundo, no era legal que ele conhecesse esses happenings diferentes a noite e
que quisesse levar Jenny com ele?
Mas s o que Jenny conseguiu pensar foi: Ele no vai me levar a casa dele! Qual  o
problema comigo? Qual  o problema com ele? Qual  a histria dele?
- Voc tem algum bicho de estimao? - perguntou ela cheia de suspeita enquanto eles
atravessavam a Segunda Avenida e iam para oeste, a caminho da Quinta.
- Bicho? No. Por qu? - Leo passou o brao no ombro dela. - Brrr. Est aquecida? Quer
meu cachecol?
Outro gesto romntico de derreter o corao, mas ela no percebeu?
No tem bicho?, remoeu Jenny, distrada demais para se incomodar com o frio. Mas por
que ele mentiria? E por que est tentando mudar de assunto to rapidamente?
- Bem, chegamos.
A estrutura espiralada e fantasmagrica do Museu Guggenheim assomou diante deles na
escurido. "Beije, beije", proclamava um cartaz pendurado na entrada do museu. Leo
corou quando percebeu que Jenny viu o cartaz.
- Vem, vamos entrar.
Jenny abriu a bolsa para pagar pela meia entrada, mas Leo gesticulou para ela guardar a
carteira.
- Est tudo bem. Sou scio daqui. A gente entra de graa.
Um scio? Mas ora vejam s. E Elise no disse que Leo l tinha sido visto na festa
beneficente do Frick Museum na tera  noite? A famlia dele provavelmente era dona do
Guggenheim.
Eles subiram pelos corredores gradeados do museu, parando na primeira pintura em
exposio. Era Aniversrio, de Marc Chagall, uma tela de uma mulher segurando um
buqu de flores, beijando um homem que voava acima da cabea dela. Parecia que a
mulher tinha acabado de fazer alguma coisa entediante, tipo botar a mesa, quando o
homem baixou e apanhou os lbios dela com os dele.
- Adoro esse azul- disse Leo, analisando o quadro. - A gente pode pensar que o azul deixa
a tela fria, mas no  assim. Ele a aquece.
- Hmmm. -Jenny no ouviu uma palavra do que ele disse. Estava analisando o perfil dele,
o cabelo, as roupas, os sapatos, as unhas, procurando por uma pista, um tipo de
explicao.
Leo olhou para ela, corando novamente, e pegou a mo de Jenny.
- Posso te beijar? Quer dizer, antes que a gente veja a prxima?
Se ela no estava prestando ateno antes, agora estava.
- Ah! Hmmm. Claro. -Jenny deu um passo para trs e quase perdeu o equilbrio.
Leo apertou ainda mais a mo dela.
- Te peguei.
Jenny deixou que ele a puxasse e levantou o rosto para encontrar o dele. O que eles
fizeram em seguida no foi nenhum mistrio, embora ela meio que se perguntasse onde
ele aprendeu a beijar to bem.
Ela s precisava parar de pensar tanto.

aquele proto-advogado esquisito parece bem gostoso

- Ele realmente deve gostar de voc, para ter o trabalho de vir at aqui numa noite destas
- sussurrou Ruby no ouvido de Vanessa quando a apresentao regular da segunda  noite
com a banda SugarDaddy estava prestes a comear.
- Ele s esta aqui por causa da msica  respondeu Vanessa sarcasticamente.
Jordy Rosenfeld estava parado a soleira da porta do clube escuro e lotado, abrindo a parca
de esqui verde Columbia. Seu nariz estranhamente comprido estava vermelho e gotejava
do frio, e o suter de gola rul amarelo-vivo e a cala cqui se destacavam como luzes
estroboscpicas em comparao com a turma de preto de Williamsburg.
Normalmente a viso de um cara como ele podia faz-la se encolher, mas a essa altura
Vanessaja no se importava com o amarelo do suter. E o nariz dele na verdade era meio
sexy e distinto, se olharmos de certo angulo. Ela se levantou e acenou para Jordy.
Oi, Sra. Abrams. -Jordy cumprimentou Gabriela.- Como est, Sr. Abrams?
Os pais de Vanessa vestiam camisetas do Greenpeace, leggings pretos apertados e
Birkenstocks com meias brancas. Podiam ser uma pea de suas exposies de arte.
Naturezas-mortas de aberraes hippies.
Gabriela olhou entre surpresa e confusa para a filha.
_ Oi, Jordy. Vanessa no nos disse que voc viria esta noite.
-  porque eu quis guardar segredo. -Vanessa disparou o sorriso verso vem-c para
Jordy, que era na verdade um sorriso que parecia normal, uma vez que Vanessa no
sorria muito.
Jordy abriu o zper do casaco e se sentou ao lado dela.
- Eu fiz minha parte.
- Ento merece um drinque - disse Vanessa e gesticulou para o bartender, batendo no
nariz e puxando as orelhas numa serie de sinais simulados. A SugarDaddy tocava to
regularmente no Five and Dime que era praticamente o segundo lar da banda. Vanessa
at havia ficado com o bartender, que agora guiava passeios de rafting na Nova Zelndia.
O bartender veio ver o que o novo amigo de Vanessa queria.
- Tem Irish Cream Baileys? - perguntou Jordy.
Arlo estava vendo a banda fazer a passagem de som. A SugarDaddy era composta de
quatro irlandeses com rosto claro e olhos que pareciam distantes, e Ruby, que gritava e
sacudia muito a bunda, embora no fosse a cantora.
- Comer ervilha podre - disse Ruby baixinho ao microfone, testando o som. Arlo riu,
parecendo extremamente orgulhoso.
Gabriela se levantou para ir ao banheiro.
- Espero que comecem logo. Arlo e eu prometemos aquelas pessoas legais que nos
encontraramos no metr para fazer uma sesso de canto com eles  meia-noite.
O bartender trouxe um copo com uma coisa bege e leitosa com gelo e Jordy tomou um
gole.
- Gosto disso - disse ele simplesmente.
Gabriela voltou do banheiro, o longo cabelo grisalho numa nova trana, preso no estilo
Heidi no alto da cabea. Ela ps Chap Stick - sua verso de maquiagem - e tirou as meias.
As luzes baixaram e Ruby comeou a rosnar no microfone e a tocar o baixo. Depois a
banda irrompeu em uma de suas principais msicas, Canada Is the Future.
Jordy olhou para o bar lotado, as enormes narinas estreitas oscilando. Vanessa percebeu
que a etiqueta estava para fora da gola do suter amarelo dele. Made in China, dizia.
Gabriela apontou para ela.
- Sabia que a maior parte dos txteis feitos na China  produzida por prisioneiros da
Tailndia que so torturados e escravizados?
Jordy a encarou.
- Sua blusa foi feita por vtimas do comercio de massa. - Gabriela deu seu sermo.
Vanessa tinha certeza de que havia alguma validade no que a me estava dizendo, mas a
blusa de Jordy j era bastante feia - eles no precisavam falar de onde fora feita.
A SugarDaddy comeou um de seus riffs na bateria notoriamente longos. Ruby gritava
com o barulho do baterista, uma coisa sobre babacas em minivans.
No sabe como fiquei decepcionada em ouvir sua me dizer que no recicla - disse
Gabriela monotonamente.- Eu estava pensando que voc e seus pais deviam ir a Vermont
para um pequeno retiro.  muito puro l. Podia ajudar a lembrar do que  sagrado.
Jordy sorriu educadamente.
- Vou falar com eles. Mas, na verdade, o nico motivo para me us pais no reciclarem 
que o prdio deles tem incinerador, e  mais fcil jogar tudo l embaixo. Eu vivo
basicamente de miojo sabor camaro e caf, ento no tenho nada para reciclar.
Gabriela olhou para ele com alarme.
Vanessa sorriu. Sim, Jordy era o Anticristo e ficava mais gracinha a cada segundo. Ela
aproximou a cadeira um pouco mais dele enquanto a SugarDaddy atacava outra de suas
msicas estranhas e danantes.
Vanessa se curvou e sussurrou no ouvido de Jordy:
- A qualquer momento vou te beijar.
Os cantos dos lbios dele viraram para cima e ele tomou outro gole do Baileys.
Gabriela cutucou a perna de Arlo com o dedo descalo.
- Vamos danar, querido. Preciso soltar um pouco do fluxo.
Mas Arlo estava to transfixado com os msicos que a baba se acumulava no canto da
boca. Vanessa achou que ele parecia um beb vendo circo pela primeira vez.
Ela se aproximou mais de Jordy e segurou o rosto dele, virando-o um pouco para evitar
esbarrar no nariz.
- Vou te beijar agora - sussurrou ela antes que a me conseguisse arrastar Arlo para fora
da cadeira.
Depois ela pressionou a boca contra a dele, sentindo o gosto do Baileys e a diferena
entre beijar Jordy e beijar Dan. E era assim, meio... delicioso.

sexo  melhor depois do esqui

- Tem certeza de que no est com frio? - perguntou Serena a Blair pela quarta vez. Blair
s estava usando o top do biquni Eres cor-de-rosa por baixo de um cardig de cashmere
branco tricotado a mo e cala stretch preta Miss Sixty.
No era exatamente um traje para o alto desempenho nas montanhas - mas isso depende
do que voc define por desempenho.
Blair se curvou para o ombro de Erik enquanto fazia outra tentativa de enfiar o salto da
bota de esqui dentro das amarras.
- Droga, no entra. - Ela sorriu acanhada e Erik se ajoelhou aos ps dela para ajudar. Ele
vestia urna jaqueta Patagnia felpuda sobre um adorvel suter tecido a mo Aran e cala
de esqui preta apertada que revelava os msculos das coxas longas e sensuais. No, ela
no estava nem remotamente com frio, mas obrigada por perguntar.
Serena bateu na neve com o basto de esqui, ansiosa para descer a pista e se afastar do
que quer que estivesse rolando entre o irmo mais velho e a melhor amiga. Era meio
gracinha ver Erik fingir que no sabia que Blairo0 estava azarando. Mas tambm no era
to gracinha.
Serena fechou o zper do traje de esqui lavanda de uma pea Ellesse at o queixo e puxou
a aba de cashmere cinza sobre as orelhas. Se Nate no chegasse logo, ela ia subir no
telefrico sozinha. Havia toda uma montanha cheia de caras bonitos s esperando para se
apaixonar pelo modo com que ela fazia as curvas. Serena s tinha de sair dali.
- timo. - Erik se levantou e puxou as luvas de esqui de couro preto para trancos pesados.
- Como est?
Blair se inclinou nos bastes e balanou os joelhos para cima e para baixo como uma
danarina go-go.
- Tudo bem - arriscou ela timidamente. - Mas e se eu cair?
Erik colocou os culos de sol espelhados Scott no nariz. Parecia que tinha esquiado por
toda a temporada, embora tivesse acabado de chegar.
- No vou deixar voc cair - prometeu ele com um sorriso que indicava que ele seguraria
a mo dela em toda a descida da montanha.
Serena revirou os olhos e baixou os culos Smith, pronta para abandonar os dois e deixar
um bilhete para Nate com a recepo do telefrico, mas ento ela viu a cabea dourada de
Nate no caminho de neve da estrada, a prancha de snowboarding com a folha de maconha
e os esquis de Georgie apoiados sem esforo nos ombros fortes de construtor de barcos.
Georgie estava ao lado dele, o cabelo quase preto na cintura
balanando como uma capa. Vestia um traje azul-escuro forrado de mink que parecia ter
sido feito especialmente para ela por Tom Ford. At o gorro e as botas de esqui de couro
marrom eram forradas de mink.
- Ela  mais bonita do que eu pensava - disse Serena baixinho, mas Blair estava to
ocupada fingindo que a barriga no tinha dado uma revirada engraada a viso de Nate e
a nova namorada que no ouviu.
Quando ainda estavam a umas centenas de metros de distncia, Nate baixou os esquis do
ombro e ele e Georgie subiram neles sem esforo. Depois esquiaram, deslizando
graciosamente pela neve como uma dupla de patinadores.
- Oi.  bom ver vocs. - Nate tinha passado metade da noite vendo Georgie tomando
Jigermeister pelada no ofur com a equipe holandesa de snowboarding, ento ele no
estava mentindo. A manh demorou a chegar.
- Caraca! - entusiasmou-se Georgie quando viu Blair. - Voc  corajosa.
Blair olhou Georgie rapidamente e abriu o cardig alguns centmetros.
- Obrigada - respondeu ela, embora no tivesse muita certeza do que Georgie quis dizer.
- Tenho um igual, s que branco - disse Georgie, apontando para o suti do biquni de
Blair.
Erik e Nate olharam para o peito pequeno mas bonito de B1air, imaginando como o de
Georgie ficaria muito melhor e mais bonito numa verso branca do mesmo biquni.
Enk apontou um basto de esqui para Blair.
- Vamos l, eu te reboco.
Ai, que lindinho!
Eles estavam prestes a se juntar  longa fila do telefrico quando Chuck Bass apareceu
com a nova prancha de snowboarding Burton.
- Oi - cumprimentou ele. - Andei pegando umas dicas no half-pipe da equipe holandesa.
Aqueles caras so demais!
Os cinco viram Chuck deslizar para a fila da escola de esqui, que furava o resto da fila.
- Vamos! - gritou ele. -Tenho um passe de instrutor de esqui!
Nenhum deles que ria saber como Chuck tinha conseguido um passe de instrutor de
esqui. Nem ligavam de esquiar com ele se isso significava que iam furar a fila.
Exatamente o resultado que ele procurava.
Todos os telefricos maiores do resort eram de alta velocidade e levavam quatro pessoas
para a montanha de cada vez. Serena e Georgie foram as duas primeiras na fila e, embora
fosse doloroso para Blair subir ao lado de Georgie, ela no podia exatamente gritar,
"Pra!", quando Erik se juntou a ela.
Suoosh! O telefrico balanou os assentos e ergueu-os com os esquis no ar.
- ! - gritaram Serena e Georgie em unssono.
- Uau. - Blair agarrou o brao de Erik. Mesmo depois de todos aqueles anos de esqui, o
telefrico ainda a deixava nervosa.
Nate e Chuck estavam bem atrs deles, as pranchas de snowboarding batendo enquanto
eles afundavam na cadeira.
- Trouxe alguma erva? - Chuck abriu o bolso da frente do traje de esqui roxo-escuro
Bogner com a gola estranha de pele de raposa e pegou um frasco prateado. Ofereceu a
Nate. - Conhaque?
- No fico mais chapado - insistiu Nate teimosamente. Ele olhou as botas de Chuck. Eram
exatamente iguais as dele, mas a prancha de snowboarding de Chuck era rosa, com as
palavras Chiquita Banana escritas no alto. Era definitivamente uma prancha de mulher, e
Nate meio que suspeitou de que Chuck estava usando traje de esqui de mulher. Isso nem
mesmo era gay, era s muito esquisito.
Na frente deles a fumaa espiralava no ar acima do gorro de mink de Georgie. Nate s
podia esperar que os outros fossem sensatos o bastante para no deixar que ela fizesse
nada de ilegal no telefrico.
Chuck pegou um Marlboro da orelha e acendeu. Seu queixo estava meio escuro da barba
por fazer e parecia que ele podia estar desenvolvendo algum pelo facial experimental.
- Ouvi dizer que a Blair e sua nova namorada tiveram uma briga por sua causa na
reabilitao em Greenwich.
Nate afastou a fumaa do cigarro de Chuck com a mo. Estava meio encantado com os
topos pontudos dos pinheiros escuros que cresciam no manto branco e macio de neve
abaixo deles. A fumaa estava estragando isso.
- Eu tambm soube que Georgie e Serena foram para o internato juntas em New
Hampshire e foram expulsas na mesma poca. Elas foram pegas transando. Tipo assim. -
Chuck pegou o gancho da cala e ergueu a plvis na cadeira, a lngua pendendo de um
jeito nojento.
- Duvido disso - disse Nate, embora no tivesse certeza. Ele nunca soube de toda a
histria de por que Serena tinha sido expulsa da Hanover Academy no comeo do
perodo letivo e mal sabia alguma coisa sobre Georgie. As duas no deram nenhum sinal
de que se reconheceram quando se reuniram agora h pouco, mas as garotas sempre
bancavam a cool at que tivessem oportunidade de falar e se entender.
No alto,  frente deles, Georgie e Serena estavam acendendo o segundo cigarro.
- Eu s fumo estes na subida - explicou Georgie com o ar de quem fuma algo diferente
em cada altitude. - O gosto  melhor aqui.
- Hmmm - inalou Serena. Ela se virou para ver Nate e Chuck. Nate estava olhando
diretamente em frente, enquanto Chuck fumava e tagarelava. - Casalzinho lindo  brincou
ela.
Georgie riu.
- T vendo, at o Chuck acha que Nate  bonito.
Blair no disse nada, mas secretamente esperava que o gorro de pele de Georgie pegasse
fogo e ela despencasse no cho numa queda de peles em chamas.
Serena apontou o dedo para Nate. Depois sorriu e mandou um beijo para ele. Georgie se
virou e fez a mesma coisa, mas na ordem contrria.
- Voc sabe que ama a gente! - gritaram as duas meninas.
Blair passou o brao pelo de Erik enquanto a cadeira ia para a rampa de descida da
escarpa onde eles tinham de descer. Sair do telefrico era ainda pior do que entrar.
- Mantenha as pontas pra cima e segure em mim - orientou Erik delicadamente.
Ela fez o que ele disse, mantendo uma pegada estvel no brao dele enquanto eles
desciam deslizando para a rampa lado a lado. Depois Erik deu um pequeno giro e
derrapou at parar. Blair esbarrou nele e caiu sentada nas costas dos esquis.
Uf!
Erik pegou-a e rapidamente puxou-a para que ficasse de p novamente, segurando-a em
seus braos fortes e confortveis.
- No se preocupe, ningum viu.
Blair deu uma risadinha. Meu Deus, os olhos dele eram azuis. E ele era to... capaz.
Depois a ficha caiu. Vou perder para o Erik nessa viagem! Por que no? Eles se
conheciam a vida toda. O sentido era perfeito.
Assim como fazia todo sentido do mundo usar um suti de biquni na neve?

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temas / anterior / prxima / faa uma pergunta / respostas

Advertncia: todos os nomes verdadeiros de lugares, pessoas e fatos foram abreviados
para proteger os inocentes. Quer dizer, eu.

oi, gente!

SOBRE AQUELE BOATO QUE EST ROLANDO...

At parece que  s um. Mas voc sabe o boato de que estou falando. Aparentemente
algumas pessoas esto dizendo que uma certa loura do terceiro ano que foi expulsa da
Hanover Academy em outubro no estava sozinha no escndalo. Tinha uma parceira:
uma garota infame de cabelo escuro de Connecticut. Bem, eu pesquisei um pouco e
parece que a dita garota de Connecticut foi matriculada na Hanover por um tempo curto,
embora a data e as circunstncias de sua partida no estejam claras.Ela foi a seis escolas
em quatro anos e, uma vez que est to ocupada com a reabilitao, no parece que vai
terminar o ensino mdio to cedo. E no  que elas sejam grandes amigas ou coisa assim,
uma vez que nunca foram vistas juntas na cidade. Por enquanto, vamos
apenas dizer que o caso merece uma investigao mais profunda. E, acreditem, eu vou
investigar.

Seu e-mail

P: Oi, Gossip Girl,
Minha famlia sempre passa as frias de primavera no Hava porque eu tenho quatro
irmos menores que adoram surfar - eu sei, minha vida  um inferno. Bem, era um
inferno. Agora no est to ruim. Na noite passada, enquanto eu estava cuidando dos
meus irmos na piscina, aquele cara com trancinhas curtas que estava cuidando de outro
garoto na piscina comeou a conversar comigo. Eu sei que  meio rpido, mas agora acho
que estou apaixonada. A gente acredita nas mesmas coisas, tipo vegetarianismo total e
fazer msica em vez de guerra. S que eu moro na Califrnia e vou para UC Berkeley no
ano que vem, e ele mora em Nova York e vai para Harvard. Voc acha que  errado
perder a virgindade nas frias de primavera para um cara que mal conhece?
- primeiravista

R: Cara primeiravista,
Sua pergunta  do tipo que sempre aparece, ento acho melhor responder antes que seja
tarde demais! Primeiro, voc mesma disse: voc e o Sr. Vegetariano Total moram em
lados opostos do continente. Pode parecer conveniente agora, mas por que no esperar
para ver se um dos dois se d ao trabalho de viajar para a grande noite? Depois voc
realmente vai saber o que  o verdadeiro amor, e no o verdadeiro teso! Segundo, as
frias de primavera s comearam. O Sr. V.T. pode ter parecido timo na noite passada
na piscina, mas o Sr. Ainda Melhor pode estar dando colheradas em bacon de tofu no
buf do caf amanh de manh. E como voc no quer ficar conhecida como a Putinha
Vegetariana de Waikiki, pode ser legal manter suas opes abertas e se prender a
atividades acima-do-umbigo. No tenho nada contra beijar mais de um cara nas frias de
primavera, nem ao longo de um s dia! Divirta-se!
- GG

Flagra

J xeretando pelo Upper East Side com um binculo pendurado no pescoo. Pode-se
dizer com segurana que ela no estava observando pssaros. O namorado louro e alto
dela, L, na Bendel's de novo, comprando luvas de couro de mulher tamanho grande -
muitssimo maiores do que J. D andando pelo Village, fumando feito uma chamin e
zanzando em livrarias. Nossos amigos em Sun Valley vendo a equipe de snowboarding
holandesa fazer truques no half-pipe enquanto bebiam vinho quente nas laterais. S e G
batendo papo, B sentada no cola de E, e N e C sentados juntos muito perto, de mos
dadas, discutindo qual holands eles achavam mais bonito. Brincadeirinha. Mas, de
verdade, s o que acontece nas pistas  esqui.

No se esqueam de me contar cada coisa picante que esto fazendo.

E adivinha s? J estou bronzeada!

Pra voc que me ama,
gossip girl

d evita o bvio com e

- Nem acredito que voc ps as mos nisso - gemeu Jenny, torcendo o nariz enquanto
Leo amassava ovos crus, manteiga, acar, farinha de trigo e chocolate em p com as
mos nuas. Foi idia dela fazer os brownies, mas e claro que eles tiveram de fazer na casa
dela, e no na dele. Jenny no sabia quando ia chegar a ver a casa dele.
- Minha me me ensinou assim.  a nica maneira de misturar bem sem usar uma
batedeira. - A camisa xadrez vermelha e branca de Leo estava com as mangas enroladas
at os cotovelos e ele mordia o lbio inferior de to concentrado - o retrato definitivo do
adorvel - enquanto suas mos trabalhavam no contedo na grande tigela de cermica.
- Ah - respondeu Jenny, peneirando outra xcara de farinha. - Sua me gosta de cozinhar?
- Quem quer que morasse naquele prdio elegante na Park Avenue devia ter um chef em
tempo integral.
- Mais ou menos. Ela prefere fazer brownies.
Arr. Est vendo? Cozinhar era s outro hobby, como vestir o cachorro com roupas de
grife e meter Botox na cara.
Leo retirou os dedos da massa doce e estendeu para Jenny.
- Quer provar?
Jenny estava to preocupada com a idia da me dele batendo brownies  noite na
cozinha que abriu a boca e deu uma longa lambida no dedo de Leo.
Oh!
- Opa. Acho que estou interrompendo alguma coisa observou Elise da porta da cozinha. -
Vocs so to gracinha - acrescentou ela cinicamente.
A campainha tinha tocado alguns minutos antes. Mas, depois que Elise entrou, Jenny
ficara to preocupada com as habilidades de bater brownies de Leo que se esqueceu
completamente da amiga. Ela pegou a colher de pau que tinha conseguido para misturar a
massa de brownie.
- Quer experimentar?
Elise torceu o nariz.
- No. Vou esperar at que fique pronto. Dan est em casa?
Jenny deu de ombros. No tinha visto o irmo sair.
- Tenho certeza de que est. Acho que estou sentindo cheiro de cigarro. - Elise desceu o
corredor at o quarto de Dan. - Me chama quando os brownies estiverem prontos!
Dan estava deitado na cama, tentando pensar num sinnimo de desejo que rimasse com
hora. Mora, tora, fora, agora. No estava indo muito longe.
- Posso entrar? - perguntou Elise do lado de fora do quarto dele.
- Claro. - Dan se sentou e fechou o caderninho preto em que estava escrevendo. Elise
vestia um suter de gola rul preto que de algum jeito deixara-a sria e mais velha.  Qual
 a boa?
- Nenhuma. - Ela se sentou na ponta da cama.  O que est escrevendo?
Dan pulou da cama e jogou o caderno na mesa. Pegou o mao de Camels e acendeu um,
inalando profundamente enquanto sacudia o fsforo.
- Rpido, uma palavra que rime com hora.
- Bora - rebateu Elise.
Dan a encarou.
- Mas no  uma palavra de verdade. No significa nada sem outra Bora, como Bora-
Bora.
- No, acho que tem razo. - Ela se levantou e foi at a mesa dele, crescendo quase dez
centmetros sobre Dan. A altura definitivamente fazia-a parecer mais velha. Ento ela se
vestiu com todo cuidado, com a camiseta enfiada elegantemente no jeans com cinto e o
cardig todo abotoado. Em vez de ficar patricinha, transmitia uma espcie de confiana,
como se dissesse: "Sou uma mulher e  assim que eu ajo."
Ela abriu um dos cadernos dele.
- Ento  aqui que voc escreve tudo?
O primeiro impulso de Dan foi arrancar o caderno das mos dela, mas Elise no era
Vanessa. Ela no ia rir de um de seus piores poemas nem pression-lo a mandar um dos
melhores para uma revista famosa.
- . No gosto de trabalhar no computador porque eu acabo deletando coisas que posso
usar.
Elise assentiu e passou as pginas.
- Olha, tenho uma coisa pra voc. - Dan abriu a bolsa de carteiro preta que sempre usava
e pegou um livro de exerccios de redao que comprara para Elise mais cedo naquele
dia. - Para agradecer pelos biscoitos.
Elise pegou o livro e o examinou.
- Caraca, parece dever de casa. Como se eu j no tivesse o bastante.
- Mas na verdade no  - disse Dan, pegando o livro de volta e virando em um dos
exerccios. - Evite o bvio. Faa uma lista de todos os clichs que j ouviu e nunca os use
em seus textos. - Ele olhou para ela. - T vendo?  divertido!
Elise olhou para ele como se Dan fosse louco.
- Acho que deve ser mais divertido do que ver a melhor amiga chupar massa de brownie
dos dedos do namorado. - Ela pegou uma caneta e virou numa pagina em branco de um
dos cadernos de Dan. - O que  exatamente um clich, alis?
Dan gostava de como Elise ficava  vontade com a prpria ignorncia.
- Sabe como , tipo "amor  primeira vista", ou "duro como pedra", ou "cego como um
morcego". Todas essas coisas que a gente j ouviu mil vezes.
- Arr. - Ela se sentou na cama e escreveu uma coisa. Depois passou o caderno a Dan. -
Tudo bem, sua vez.
Dan ia escrever Tudo o que vai volta, quando viu o que Elise havia escrito: Por que me
beijou na rua hoje?
Ele enfiou o cigarro num cinzeiro e segurou a caneta com fora para estabilizar os dedos.
Por causa dos biscoitos, escreveu ele. E por causa do seu po. Na verdade, ele no sabia
exatamente por que tinha beijado Elise. Foi por impulso. Ele passou o caderno a Elise,
que leu o que ele escreveu sem desviar os olhos. Depois escreveu urna coisa embaixo e
passou o caderno a ele.
Me beija de novo?
Dan foi at a porta e a fechou. Ele atirou o caderno na cama e se virou para Elise,
beijando-a com fora na boca enquanto arrancava a camiseta para fora do jeans dela.
Elise soltou um gritinho e deu um passo para trs. Dan a largou. De repente Elise no
parecia mais to velha. Os olhos azuis estavam arregalados e o sorriso era menos um
sorriso do que uma careta de pavor.
- Desculpe.
- Est tudo bem - disse ela, mais para si mesma do que para ele. - Eu estou bem. - Dan
percebeu um pneu de gordura branca pendurado na cintura do jeans de Elise. Ela viu
que ele estava olhando e rapidamente enfiou de novo a camiseta por dentro.
Man, censurou-se Dan. Elise s tinha 14 anos e ele tinha quase 18. Era pior do que
inescrupuloso. Ele era um babaca total.
Elise ainda estava de p ali, esperando que ele a beijasse novamente, e de repente ele se
sentiu meio irritado com ela tambm, por chegar a pensar que essa podia ser uma boa
idia.
Ele se virou de costas e se sentou diante do computador, mexendo no mouse.
- Acho que os brownies esto prontos - disse ele a Elise com a voz rouca.
Elise ficou onde estava, ento Dan comeou a ver seu e-mail. Ele ficou de costas para ela
at que finalmente a ouviu passando pela porta.
- Pensei que voc quisesse ser meu namorado  murmurou ela, a garganta sufocada de
lgrimas. Um segundo depois Dan ouviu a porta da frente do apartamento bater.
Ele pegou o caderno e virou na primeira pgina. Por causa dos biscoitos e por causa do
po, escreveu ele e depois parou.
Era meio difcil se sentir inspirado.
v reclama demais


- Sei que est trabalhando num artigo agora e ns s nos vimos ontem  noite, mas quer
sair para jantar?- Vanessa praticamente gritou ao telefone.
- Como , tipo agora?- perguntou Jordy.
- . Agora.- Cantos tntricos emanavam a sala de estar, onde os pais de Vanessa estavam
recebendo amigos artistas para uma noite de "riscar a fasca criativa." Sei l que diabos
isso significa.- Posso te encontrar em algum lugar no seu bairro- props ela.- Qualquer
lugar est bom.

- Uau.- disse Vanessa quando chegou. Apesar do nome, o Budda's- um restaurante
italiano perto da Columbia- era na verdade elegante. Ela esperava mesas cobertas de
toalha xadrez de plstico vermelho e branco e costeletas fritas servidas em todos os
pratos. Em vez disso, as toalhas eram brancas, e havia velas e jazz antigo tocando. Eram
s cinco e meia, e o restaurante estava vazio. Mas at isso era romntico, de uma forma
bem tradicional.
Jordy j estava sentado a mesa e tinha pedido uma garrafa de vinho tinto. O garom
pegou o casaco de l preto de Vanessa e a ajudou a se sentar.
- Me sinto to madura.
Jordy deu de ombros como se estivesse acostumado com isso. Afinal, ele estava na
faculdade.
- Gosto do seu batom.
Vanessa no sabia se ele estava brincando ou no. Jordy tinha uma expresso constante
suavemente arrogante, tornando extremamente difcil avaliar as emoes dele. Se ao
menos o nariz agisse como uma espcie de barmetro, aumentando ou encolhendo de
acordo com o humor dele.
No que ela realmente quisesse que o nariz dele ficasse ainda maior.
- Meus pais esto dando uma espcie de sesso de cnticos para anormais com um bando
de outros artistas no nosso apartamento - disse Vanessa, fazendo uma carranca enquanto
abria o guardanapo e o colocava no colo. - Mal posso esperar para eles irem embora.
Jordy tomou um gole de vinho, apertando os lbios finos como se realmente estivesse
gostando do sabor. Seus culos caros estavam na mesa e Vanessa viu pela primeira vez
que os olhos dele eram castanho-dourados e claros, como os de um leo.
E s percebeu a cor dos olhos de um cara depois de t-lo beijado!
- Acho seus pais maravilhosos - disse ele. - Quer dizer, e preciso muito esforo e coragem
para ser assim... fora do ar.
As sobrancelhas grossas de Vanessa se ergueram.
- Eu que o diga. - Ela puxou a cadeira para a frente e ps os cotovelos na mesa. - Sabe de
uma coisa, quando eu era pequena, eu tinha mania de arrancar casquinha de ferida.
Qualquer machucadinho ou picada de inseto eu futucava at que sangrasse pra valer. E
sabe o que minha me dizia? Dizia que eu devia guardar as casquinhas pra que meu pai
pudesse fazer uma obra de arte com elas. No  a coisa mais insanamente torta que voc
j ouviu? Quer dizer, a maioria das mes ficaria preocupada com a cicatriz, ou levaria a
filha a um psiquiatra. J os meus pais s ficam preocupados com a "obra" deles.
Jordy deu de ombros.
- Talvez ela estivesse brincando.
Vanessa franziu a testa e abriu o menu. Antipasti, primi, secondi, dolci. Brincando? Ela
nunca ouviu a me ser nem remotamente jocosa.
- Acho que no.
Jordy a observava enquanto ela lia o cardpio.
- Ainda assim, eu os admiro. Quer dizer, o modo como eles deixam que voc e sua irm
morem sozinhas. No so muitos pais que fazem isso.
- No. No muitos - concordou Vanessa.
- Eu meio que queria ir a Vermont para ver como eles vivem  acrescentou Jordy com
ansiedade.
Vanessa desviou os olhos do menu para ele, alarmada.
- Por qu?
- Sei l. No conheo muita gente que seja... sabe como ... diferente. Acho que  s
curiosidade. - Ele bebeu um gole de vinho e fez aquela coisa com os lbios de novo. - E
a, minha me falou que voc estava namorando a srio. O namoro, tipo assim, acabou,
ou o qu?
Vanessa fechou o menu sem decidir por nada. No estava realmente com fome, alis - s
queria sair de casa.
- , acabou. Nem amigos ns somos mais.  Normalmente a voz dela tinha um trao de
foda-se amargurado, mas agora ela tremeu de emoo. - No que eu ligue - acrescentou
com mordacidade.
O garom apareceu e Vanessa pediu uma salada. Ela se sentia como uma das louras
magrelas da turma da Constance, que s comiam alface e gelatina. Jordy rasgou um
pedao do po que estava na cestinha na mesa.
- Ento voc terminou com ele, ou foi o contrrio? - Com dedos longos e delicados, ele
mergulhou o po na tigelinha de azeite.
Ela nunca pensou realmente em quem tinha terminado com quem. Na verdade, nunca
houve um rompimento oficial. Depois que pegou Dan se agarrando com aquela Mystery
Craze no palco de um clube de poesia, ela se recusou a retomar as ligaes dele. Se
algum tinha rompido com algum, ela  que rompeu com ele. Mas ser que isso
significava que talvez ele no quisesse terminar com ela?
Pensar nessas coisas meio que confundia demais.
- E-eu acho que eu meio que terminei com ele sem querer - gaguejou ela. - Quer dizer, ele
estava mesmo me traindo. - Era estranho falar com outro homem sobre seu
relacionamento com Dan. Era estranho falar com outra pessoa e ponto, uma vez que a
nica pessoa com quem ela realmente conversava era o prprio Dan. Mas a sinceridade
arrogante de Jordy era exatamente isso: sincera. E era meio difcil tomar uma atitude
diante de toda aquela sinceridade. Vanessa sentiu o lbio inferior comear a tremer
enquanto as lgrimas jorravam dos grandes olhos castanhos. Ah, meu Deus. Ela
odiava quando chorava, especialmente em pblico. O que havia de errado com ela?
Calma, tudo bem. Acontece nas melhores famlias.
Jordy baixou os culos.
- Desculpe. No temos de falar disso, se voc no quiser. -As bochechas plidas dele
coraram. -Eu meio que s perguntei por motivos egostas,  isso. - Ele tirou os culos
novamente e os depositou cuidadosamente na mesa, ao lado do azeite. Depois ergueu os
olhos dourados, mirando diretamente os dela. - Eu gosto mesmo de voc, Vanessa.
Miles Davis tocava e as velas tremelicavam. De repente Vanessa sentiu como se estivesse
estrelando um daqueles filmes romnticos malfeitos que fazem a maioria das mulheres
chorar e que ela no conseguia suportar.
- Eu tambm gosto de voc - chorou ela, mortificada. Se fosse com Dan, ela teria
desatado a rir e diria a ele para ir se foder por faz-la chorar. Mas Jordy no era Dan. Se
dissesse a ele para ir se foder, ele provavelmente iria.
Bem, no literalmente. Mas ns entendemos o que ela quis dizer.
Vanessa enxugou o rosto molhado no guardanapo de linho branco, borrando-o com o
batom de Ruby.
- Desculpe. Acho que meus pais esto me deixando estressada de verdade. - Ela baixou o
guardanapo e tomou um gole de gua. - Ento me conta alguma coisa sobre a Columbia.
Tipo assim, qual  seu curso preferido?
Como se ela genuinamente se importasse. Era bem bvio agora que Jordy s estava
interessado nela porque os pais dela eram alternativos, e ela s estava interessada nele
porque ele era do totalmente no-alternativo. Alm disso, a mente de Vanessa estava
ocupada demais com a mais recente ficha que caiu para prestar ateno a uma palavra da
resposta de Jordy. E a informao que sua mente processava era que ela ainda era
apaixonada por Dan.

ela s quer algum para amar

Depois de um dia inteiro de esqui, seguido de urna hora vendo a equipe olmpica de
snowboarding da Holanda detonar o half-pipe, o grupo se retirou para o hotel na base da
montanha para uns merecidos goles de cerveja na happy hour. O hotel tinha uma lareira
que arfava, um pianista e uma garonete que usava roupas azuis sem nada por baixo.
Serena se sentou ao lado de Jan, um dos sete membros da equipe de snowboarding. Toda
a equipe era loura, atltica e linda, mas ela escolheu Jan porque, quando esquiava, ele
esticava os polegares de um jeito peculiar e bonitinho, como se estivesse erguendo o
polegar para toda a montanha.
- Todas as meninas de Nova York so lindas como voc e suas amigas? - perguntou ele
com um sotaque holands charmoso.
Serena riu. Ela era uma esponja para charme.
- Vocs tem muita sorte... em poder fazer isso todo dia.
Jan riu e tornou um gole da cerveja escura.
- Nem sempre fazemos snowboarding. Eu vou  universidade em Minsk. Estou estudando
odontologia.
- Ah. - Serena imaginara que toda a equipe morava junta em uma cabana no alto de uma
montanha em algum lugar nos Alpes, praticando snowboarding o dia todo e se
embebedando toda noite. Ela pensou que seria confortvel ser a nica garota no grupo.
Ela podia cortar o cabelo deles e fazer torradas no caf da manha.  noite eles se
enroscariam perto do fogo e contariam histrias de fantasmas. - E os outros? - perguntou
ela, na dvida se tinha escolhido o cara errado.
- Conrad  casado com uma italiana... eles moram em Bolonha. Franz e meu colega de
quarto na universidade. Josef, Steven, Ulrich e Gan moram todos em Amsterd.
Amsterd devia ser uma cidade bem legal. Serena olhou para os quatro rapazes na mesa.
Todos eram igualmente sensuais, louros e atlticos.
- Na casa do estudante gay - acrescentou Jan.
- Oh - respondeu Serena, obrigando-se a sorrir.
Da prxima vez ela teria mais sorte.
- Gostariam de mais alguma coisa?
- S outra Coca para mim, por favor - disse Nate a garonete bonitinha que usava Ugg
depois que Chuck pediu outras trs garrafas de cerveja Sun Valley para a mesa. Georgie
j estava bbada por ter tornado uma garrafa inteira sozinha. Ele provavelmente teria de
carreg-la para casa.
- Nem acredito que fiz um diamante negro duplo sem cair - disse Blair entusiasmada pela
quadragsima quinta vez. Ela bebeu a cerveja delicadamente e sorriu para Erik.-
Voc  um professor muito melhor do que qualquer instrutor de esqui.
A verdade era que ela deslizou de lado por quase a pista toda, gritando em todo o
caminho, mas pelo menos tinha conseguido manter o decote nu sem neve. Essa era a
parte importante.
- Voc foi se saindo cada vez melhor - respondeu Erik. Ela havia abotoado o cardig de
cashmere sobre o biquni, mas o jeans tinha o cs baixo e, do jeito como estava sentada
esticada e meio apoiada na mesa, ele podia ver o cofrinho de Blair.
- Aposto cem pratas que posso virar minha cerveja mais rpido do que voc. - Georgie
desafiou Serena.
Agora que no tinha mais ningum para paquerar, Serena ficou feliz em ter o que fazer.
Ela puxou os longos cabelos louros batidos pelo vento para trs e o amarrou. Depois
pegou o copo. O resto da mesa observava com expectativa e alegria.
Bem, a maior parte do resto da mesa.
Nate mastigava um cubo de gelo. Ele podia imaginar onde isso ia parar. As duas meninas
iam ficar completamente de porre, atirando-se em todo mundo, e depois iam ficar
arriadas de ressaca pelo resto dos dias. Os lbios sensuais dele caram desanimados na
borda do copo de Coca. No ia esquiar mais. No ia se divertir mais.
- Mostre a ela como se faz, Georgie! - espicaou Chuck.
- Ah, ? - Serena levou o copo a boca. Depois percebeu que Nate sacudia a cabea e
afastou o copo novamente. - O que estou fazendo? Voc foi, tipo assim, criada para isso.
Toda a sua famlia  cheia de alcolatras famosos.
- Muito obrigada! - gritou Georgie. Ela cutucou Serena com o cotovelo ossudo. -Vamos
l, bebe!
Serena baixou o copo.
- No vale a pena. Se eu virar tudo, vou vomitar na mesa. E voc vai me derrotar total, de
qualquer forma.
Georgie deu de ombros, depois atirou a cabea para trs e secou todo o copo de cerveja
numa virada s.
- Foda-se, eu ganhei - arrotou ela quando terminou.
- Que bom pra voc - disse Nate num sussurro. Todos se viraram para olh-lo.
- O Natie est puto porque ainda no tivemos oportunidade de transar - exultou Georgie. -
Eu sempre estou ferrada demais!
Houve um silncio desagradvel. Era difcil saber como reagir a isso.
Blair olhou o relgio.
- Talvez a gente deva voltar para o hotel e fazer uma sauna antes do jantar. - Ela no
sabia se a sauna do hotel era mista, mas a idia de ficar num ambiente quente e vaporoso
com Erik, usando somente toalhas, era muito atraente. Ele podia massagear as costas dela
com leo de lavanda e...
- , meus quadris esto em petio de misria  concordou Nate, esfregando as coxas. Ele
olhou infeliz para Georgie. - Eu podia mesmo entrar no ofur.
Georgie bateu palmas, os olhos brilhando.
- Vamos todos voltar at minha casa e entrar no ofur! - Ela estava to ligada o tempo
todo que Nate se perguntou se a clnica de reabilitao tinha lhe dado algum
antidepressivo ou outra coisa que ele no soubesse. S o que ele sabia era que a cerveja
no parecia baixar a bola de Georgie.
Chuck j estava fechando o casaco, preparando-se para sair.
- Vou fazer pra todo mundo meu famoso coquetel de gim com pra! - Ele ergueu a
camisa e bateu as pestanas. - O Fuzzy Navel do Chuck.
Parecia delicioso.
Nate ainda no entendia por que Chuck estava hospedado na casa de Georgie quando
tinha um quarto de hotel perfeitamente bom no Christiana, o hotel de luxo na cidade onde
os pais dele estavam hospedados.
O pianista comeou a tocar uma velha cano de Billy Joel e as luzes baixaram. A happy
hour tinha acabado. Pela cara de Nate - e pelo comentrio de Georgie -, Serena podia
dizer que ele e a namorada precisavam ficar sozinhos. Ela empurrou a cadeira para trs e
vestiu o suter.
- Parece tentador, mas a gente tem mesmo de voltar. Eu disse a mame que
encontraramos com ela para jantar no hotel s sete e meia. Precisamos tomar um banho,
essas coisas.
A cara de Georgie caiu.
- Ah, qual . No pode ligar para seus pais e dizer que est ocupada?
Para ela, era fcil falar. Ela basicamente no tinha pais.
Serena olhou para Erik e eles se comunicaram daquele jeito sem palavras que s os
irmos muito prximos conseguem fazer.
- Desculpe - disse ela com firmeza.
Nate no sabia como ia lidar com uma garota insensata como Georgie quando a ex-
namorada e a melhor-amiga-que-por-acaso-era-uma-garota pareciam as meninas mais
sensveis do mundo.
Georgie se levantou e depois se sentou no colo de Nate, deixando que a cabea casse nos
ombros dele. Seu cabelo escuro e sedoso cheirava a cerveja e cravo-da-ndia.
- Vamos aprontar sem vocs, ento.
Blair deu um sorriso afetado.
- Que pssimo. - Sua afetao se metamorfoseou em um sorriso de vitria. - Vamos,
ento? - perguntou ela a Erik. - Estou faminta!
Chuck se sentou pedantemente nos joelhos de Georgie, balanando a bunda de um lado a
outro. Depois seis dos holandeses se levantaram e se amontoaram no colo de Chuck,
esmagando Nate. Todos exceto Jan, que estava vendo Serena se preparar para ir com um
olhar cado de cachorrinho abandonado na cara bonita.
- Bom jantar pra vocs - gritou Chuck. - Ns vamos fazer um sanduche de gente!
Blair e Erik pegaram apressadamente as luvas e os culos de sol e foram para a porta.
Serena colocou o gorro embaixo do brao, seguindo-os de perto. Depois ela ouviu
Georgie soltar um guincho e se virou. Todo o grupo tinha cado da cadeira e desabado
num amontoado de risadas no cho. Jan pulou em cima deles e ate Nate parecia sorrir,
mesmo contra a vontade.
Serena olhou com anseio. Ela sempre esteve bem no centro de toda a diverso, mas agora
estava presa a Blair e Erik, que estavam num transe tio grande um pelo outro que mal
davam pela existncia dela. Ainda assim, os pais dela estariam esperando. Ela no podia
dar um bolo neles e sabotar o resto de suas frias. Virou-se para a sada novamente.
Ainda havia mais cinco dias de frias e Serena estava decidida a ter a maior
diverso possvel, no importava o qu. Ela no era famosa justamente por isso?
Bem, , entre outras coisas.

quando voc acha que conhece uma pessoa...

Leo enxugou a ltima tigela e a colocou no escorredor de pratos para secar.
- Tenho de ir.
Jenny baixou o brownie que estava comendo. Eles assaram vinte e s restavam 12. Ela
lambeu o farelo dos dedos e olhou para Leo com os olhos castanhos de plpebras longas.
Estava cansada de conjeturar. Queria saber a verdade.
- Aonde?
Leo se apoiou na bancada rachada e amarela da cozinha e brincou com os botes do lava-
loua. Marx, o gato gordo e preto dos Abrams, estava esparramado no cho grudento da
cozinha, dormindo. Leo deu um pigarro e Marx bateu o rabo de irritao.
- Tenho umas coisas para fazer - disse ele vagamente.
- Bem, posso ir?
Ele girou o p e soprou pela lateral da boca.
- No  l muito interessante.
Jenny no se convenceu.
- Voc no esta, tipo assim, escondendo alguma coisa de mim, est?
Ele riu.
- Tipo o qu? Que eu na verdade sou o Homem-aranha?
O rosto de Jenny ficou vermelho. Ela foi at a geladeira, abriu a porta e a deixou fechar
novamente.
- No sei. S estava pensando que e estranho como voc sempre esta ocupado fazendo
coisas e nunca conversa sobre elas.
Leo ps as mos nos bolsos. O cabelo louro-claro parecia transparente sob a luz spera da
cozinha.
- Se quer mesmo vir, tudo bem.
Jenny tentou manter a expresso calma. Era isso. Ela ia descobrir todos os segredos que
estavam por trs de Leo, o megazilionrio misterioso.
- T legal.
Eles pegaram o nibus da rua 96 e seguiram a p na Park em direo ao prdio da rua 70.
A avenida estava deserta no escuro, visto que todos estavam de frias.
- S mais algumas quadras - disse Leo. Todo o corpo de Jenny pinicava de expectativa.
Quando chegaram ao prdio com o toldo verde, o porteiro bateu no quepe ao ver Leo.
Depois eles pegaram o elevador direto para a cobertura.
- Uau - Jenny arfou quando as portas do elevador se abriram em uma sala de estar. A sala
era em preto, branco e dourado. Uma mesa dourada e redonda estava no meio do piso de
mrmore preto e branco, com um vaso branco gigante na forma de um cisne, cheio de
rosas negras.  esquerda havia uma espcie de grade pintada em dourado e escadas
desciam a uma sala to grande que s podia ser um salo de baile.
- Eu sei.  meio maluco - concordou Leo. - Vem, Daphne! - gritou ele.
Imediatamente Jenny ouviu o arranhar de garras no cho. O mastim branco gigante que
tinha visto passeando com Leo trotou na sala, abanando o rabo com elegncia. A cadela
se curvou e lambeu a mo de Leo.
- Boa garota.
Jenny viu numa estupefao muda quando Leo abriu o armrio de casacos e pegou o
casaco Burberry de Daphne e a trela. A cadela esperou pacientemente enquanto ele a
vestia. Depois ele se ajoelhou e fechou o velcro daquelas horrveis botinhas de couro rosa
nas patas.
- Pronto. Podemos ir.
Jenny ainda no conseguia entender por que os pais de Leo no mandavam uma das
empregadas passear com a cadela, mas ela no ia dizer nada, especialmente quando Leo
obviamente adorava tanto Daphne.
- S vamos lev-la para dar uma volta no bairro. Tenho de pegar um spray para cabelo
para a Madame na drogaria. De repente voc pode segurar a Daphne enquanto eu entro?
- Tudo bem. -Jenny no tirava os olhos das botas de Daphne. Ele chamou a me dele de
Madame?
Pararam na frente da Zitomer, na Madison. Jenny pegou a trela de lona enquanto Leo ia
comprar o spray para cabelo. Ela se curvou e Daphne lhe deu uma pata com bota cor-de-
rosa.
- Aposto que ele deixa voc dormir na cama dele  disse ela. - Aposto que voc pode
subir em toda a moblia.
Leo saiu da loja trazendo uma enorme sacola de compras com montes de frascos do
mesmo tipo de spray para cabelo Redken. Ele riu.
- A Madame usa muito essas coisas. - Ele pegou a trela de Daphne e eles voltaram
animadamente para o prdio de toldo verde. - Eu ainda tenho de aliment-la e molhar as
plantas, essa coisas. No  l muito empolgante. Quer pegar um txi para casa, ou a gente
pode andar at o ponto do seu nibus?
Jenny no sabia o que dizer. Era quase como se ele no a quisesse na casa dele.
- Acho que vou pegar um txi - respondeu ela toda rgida.
- Tudo bem. Walter vai ajudar - disse Leo, assentindo para o porteiro. Ele deu um beijo
no rosto de Jenny.  No coma mais nenhum brownie hoje, ou vai ficar doente. Te ligo
mais tarde, t legal?
Jenny sorriu carrancuda para ele e foi at o meio-fio pegar um txi. Levou algum tempo
para que Walter conseguisse parar um, e assim que ele fechou a porta e ela deu o
endereo ao motorista, Jenny entrou em colapso no banco traseiro, chorando.
O txi ficou parado no sinal da esquina perto do prdio de Leo e ela olhou para ele infeliz
atravs das lagrimas. Assim que o sinal abriu e o motorista virou a esquina, Leo saiu do
prdio e subiu a rua.
- Espera - ordenou Jenny ao motorista. - Mudei de idia. Vou descer. - Ela pagou
rapidamente e saltou, correndo pela Park Avenue atrs de Leo.
Ele continuou subindo at chegar a rua 81. Depois ele virou  direita, atravessando a Park
e em seguida a Lexington. Ela pulou atrs de uma pilha de sacos de lixo enquanto Leo
entrava num prdio marrom de trs andares e descia os degraus para a entrada abaixo do
nvel da rua. Ele pegou as chaves do porto de metal preto. Quando o abriu, Jenny pde
ver uma bicicleta de corrida encostada em duas latas de lixo de metal. Depois ele fechou
o porto e desapareceu dentro do prdio.
Ela continuou agachada atrs da lixeira por mais meia hora, meio que esperando que ele
sasse novamente com outro cachorro. Mas ele ficou l dentro e ela achou ter visto uma
TV piscando atrs das grossas cortinas cinza das janelas. Por fim, ela desistiu e foi para
casa.
Logo quando voc acha que conhece uma pessoa, descobre que no sabe nada sobre ela.

d manda mais correspondncia rio abaixo

No segundo dia de trabalho, Dan sequer tentou encontrar a agncia dos correios. Em vez
disso, ficou na ponta do per e largou no rio Hudson, uma por uma, as seis cartas da caixa
de sada de Sig Castle. Uma das cartas era endereada a Mystery Craze, aos cuidados de
Rusty Klein, o que deu a Dan uma sensao presunosa de satisfao. Pelo que ele sabia,
Mystery estava to internacionalmente famosa que podia no receber a carta, arrasada
numa praia da Sardenha, onde faria um recital para um bando de pescadores bbados.
Ele olhou para a gua marrom espiralada, pensando em todas as garotas com quem teve
alguma relao. Serena, Vanessa, Mystery e Elise. No se saiu to bem com todas,
especialmente aquele ultimo episodiozinho com Elise. Mas no ano que vem ele iria para a
Brown ou para a Universidade de Massachusetts ou alguma faculdade que o aceitasse, e
teria quatro experincias muito diferentes com quatro garotas estranhamente diferentes
para levar sempre com ele. No era disso que se tratava ser um escritor - ter experincias
e traduzi-las em significado com palavras? Algo parecido com isso, de qualquer forma.
Ele era um escritor publicado. Sabia o que queria fazer da vida. Isso era muito mais do
que a maioria das pessoas de sua idade podia dizer. Ento, por que ainda se sentia to...
desarticulado? Era como se ele estivesse constantemente procurando alguma coisa, s
procurando e procurando.
Sig Castle tinha pedido a ele para comprar um papel de arroz especial na loja em
Chinatown depois que terminasse com a correspondncia; ento, depois que acabou o
quinto Camel, Dan foi para a rua 4 Oeste e pegou o metr para o centro.
Estava chovendo um pouco e os camelos no Canal vendiam guarda-chuvas Burberry
falsos e aqueles ponchos de plstico descartveis para chuva que s turistas desesperados
usavam em chuvaradas repentinas. Dan perambulou pela rua larga e abarrotada, fazendo
hora. O ar cheirava a jornal molhado e peixe das peixarias de Chinatown. Fazia Dan
pensar em Vanessa. Ela era quintessencialmente perversa, uma amante de cheiros ruins e
feira. Era o que ele mais gostava nela.
Gostava, lembrou Dan a si mesmo. Como se pode afirmar gostar de uma coisa em uma
pessoa com quem voc nem fala mais?
Ele parou e olhou um vendedor demonstrar um brinquedo de plstico rosa movido a pilha
que parecia um OVNI com trs garotinhas japonesas sentadas em cima, girando sem
parar, com uma musica pop japonesa que lembrava um pouco o som da SugarDaddy - a
banda da irm de Vanessa. O brinquedo parecia com mn dispositivo que Vanessa usaria
para abrir um dos filmes dela. Ela daria um zoom no brinquedo e depois cortaria para
uma garota danando sozinha em um clube. Vanessa criava significado com imagens da
mesma forma que Dan com as palavras.
Ele desceu a Broadway ate a Pearl River Mart, uma enorme loja que vendia quase tudo,
de budas de plstico a botas de borracha. Ele encontrou a coisa mais prxima do papel de
arroz ultrafino, ultramacio e impossvel-de-conseguir de Siegfried Castle e voltou para o
Canal at o vendedor de OVNIs cor-de-rosa.
- Quero um desses, por favor.
- Tem um novo aqui - disse o cara, mergulhando para pegar um OVNI verde-menta sob a
mesa onde o rosa estava girando.
- No. Aquele - insistiu Dan, apontando para o brinquedo rosa. Rosa era to anti-Vanessa
que no era possvel que ela no visse o humor nisso, e pelo menos ele sabia que ia
funcionar.
- Dois dlares - disse o homem, embora a placa de papelo colada na lateral da mesa
dissesse: "3 dlares!!! Liquidao."
Dan pegou parte do troco do papel de arroz de Sig Castle. Seu chefe era um babaca to
grande que ele sentia uma certa satisfao em ferrar com ele em cada oportunidade que
tinha.
- Tenha um bom dia. - O homem entregou-lhe um saco plstico azul brilhante contendo o
brinquedo rosa. Dan tinha certeza de que havia uma agencia dos correios na Bowery
Street, s a algumas quadras de distncia.Ele podia mandar o pacote para Vanessa dali
antes de pegar o metr de volta para o trabalho.
Que engraado, ele nunca pensou em mandar uma correspondncia da Red Letter dali!
Sig Castle deu a entender que era crucial que ele conseguisse o papel de arroz antes do
almoo, mas era ainda mais crucial que Vanessa recebesse o OVNI, concluiu Dan. Era
imperativo.
- Expressa para o dia seguinte - disse ele ao funcionrio dos correios no balco depois de
comprar uma caixa e fechar com fita adesiva. -  importante.

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temas / anterior / prxima / faa uma pergunta / respostas

Advertncia: todos os nomes verdadeiros de lugares, pessoas e fatos foram abreviados
para proteger os inocentes. Quer dizer, eu.

oi, gente!

AQUELAS PESSOAS QUE CONHECEMOS NAS FRIAS

Vamos combinar, voc no seria pego nem morto com eles em casa. Os sapatos deles so
feios, os jeans so terrveis, o cabelo precisa de ajuda e eles dizem "uau" demais, mas
voc toma o caf da manh com eles todo dia e os convida a sair com voc  noite. No
se sinta culpada se o cenrio acima parece estranhamente familiar. At eu tenho culpa de
andar com algum durante as frias e depois me livrar dele no minuto em que volto para
casa. Tem alguma coisa a ver com o instinto gregrio, embora eu no tenha certeza do
que. Talvez eu aprenda no ano que vem no curso de psicologia bsica.
E AQUELES DOIS?

Minhas fontes dizem que definitivamente no  o primeiro encontro entre a infame
herdeira de Greenwich e nossa modelo de perfume preferida. As duas tiveram uma
amizade rpida na Hanover no primeiro ano, mas tiveram uma briga sobre um cara na
Frana no vero antes de serem expulsas. Tenho certeza absoluta de que tem mais coisa
a, mas, em vez de imaginar um monte de besteira, vou esperar que os esqueletos saiam
do armrio. E  claro que eles vo sair.

Flagra

V andando de Manhattan para Williamsburg, pegando lixo com os pais e parecendo
infeliz. D levando um saco de lixo com centenas de garrafinhas de San Pellegrino
fechadas para fora de um prdio na rua 11. B tirando os esquis no meio de uma pista em
Sun Valley s para ver se um certo cara subiria toda a encosta para ajud-la a colocar de
novo. S e G no banheiro na base da montanha em Sun Valley.Com toda a equipe
olmpica de snowboarding da Holanda. Brincando de beijar? C e N no telefrico para o
half-pipe de Sun Valley. Tambm brincando de beijar? S e a equipe olmpica de
snowboarding holandesa posando para um anncio da ChapStick no alto da montanha.

Ela no  a nica ocupada nas frias! Curtam enquanto durar.

Pra voc que me ama,
gossip girl

a galera do upper east side cai na farra ao estilo sun valley

- T legal, estou pronta - disse Serena depois de passar um pouco de hidratante no rosto e
uma escova no cabelo ainda molhado uma ou duas vezes.
 claro que ela estava linda - no podia evitar -, mas podia ter dado aos moradores um
prazer real e pelo menos colocar um pouco de brilho labial.
- Bem, eu no estou. - Blair se curvou na pia do banheiro para aplicar rmel. Uma toalha
branca estava enrolada em sua cabea e as unhas recm-feitas mal haviam secado. - No
vai nem secar o cabelo?
- No. - Serena olhou o relgio. Erik estava esperando por elas no saguo e ela mal teve
chance de conversar com ele sozinha desde que chegaram. - Eu te encontro l embaixo,
t legal?
- T- respondeu Blair, distrada. Ela no sabia por que Serena estava com aquela pressa
toda. Essa era a primeira noite das duas em Sun Valley e ela queria ficar bem. Erik tinha
sido to atencioso e era sempre to totalmente adorvel que aquela podia ser a noite em
que ela iria dizer, Sim, ah, sim! - por que a pressa, ento?
Serena soltou a respirao.
- Que sentido tem em fazer esse esforo? Eu no vou azarar o irmo de ningum a noite
toda nem nada!
Blair fechou a tampa do rmel e olhou o reflexo da amiga no espelho do banheiro.
- Ento voc est puta comigo por causa do Erik?  Ela vasculhou a bolsa de cosmticos
procurando o p de bronzeamento.
Serena chutou o batente da porta com a bota felpuda de pele de ovelha.
- No estou puta. Eu s estou...
Com cime?
Ela suspirou alto e se virou para puxar a parca azul do gancho na porta.
- Eu te vejo l embaixo - murmurou ela, enquanto passava pela porta.
- No se preocupe - gritou Blair. -Vou para a minha casa quando a gente voltar!

- No est com frio? - Nate tirou o suter azul-marinho bem-talhado da Brown e ofereceu
a Georgie. s vezes ele dormia com o suter para dar sorte. Como se o escritrio de
admisso da Brown fosse deixar passar o fato de que ele fora pego pelos tiras por
comprar maconha s porque ele gostava de dormir com o suter da universidade.
Georgie estava andando de calcinha e suti La Perla laranja enquanto Chuck Bass, Josef,
Sven, Ulrich e Gan jogavam Mah-jongg no Xbox. Talvez todos eles sejam gays, pensou
Nate, cheio de esperana. Ainda assim, ele no gostava quando Georgie ficava zanzando
s de calcinha e suti. Ela ficava to... to... nua, e a nudez dela devia ser reservada para
si mesma e para ele. Afinal, ela era namorada dele. Bem... no era?
- Por que no subimos? - sussurrou ele sugestivamente no ouvido dela. Nate imaginou
que ele e Georgie passariam a maior parte do tempo de Sun Valley na cama fazendo
muito sexo. Mas ele nem chegou a tirar a cala na presena dela. Nem uma vez. E no era
que Georgie realmente fosse uma puritana seria debaixo de toda aquela exibio e nudez.
Ela s estava ocupada demais pirando e entornando estimulantes para deitar por um
segundo e deixar que ele a beijasse.
- Subir o qu? - perguntou Georgie, acendendo um cigarro. O longo cabelo castanho e
sedoso estava puxado sobre um ombro branco e as pernas compridas e brancas estavam
cruzadas, duas vezes.
S as garotas seriamente magras conseguem fazer isso.
Nate deu de ombros.
- Eu s pensei que a gente podia... sabe como ... namorar.
Qualquer garota normal teria olhado nos olhos verde-esmeralda dele e ficado toda
pinicando e lnguida com um convite desses. Mas Georgie estava chapada demais at
para perceber como ele era lindo e irresistvel.
Em outras palavras, ela era uma idiota.
Georgie ergueu uma sobrancelha desconfiada para Nate.
Voc no machucou nenhum bagulho sem me contar, no foi? - perguntou ela,
esperanosa.
- No. - Ele estendeu a mo e tocou o cabelo dela, alisando-o sobre o ombro ossudo. - S
achei que a gente podia ter privacidade - disse ele, o rosto ficando adoravelmente rosado
com a sugesto de sua voz.
Georgie passou as pernas pelos braos da cadeira de madeira em que estava sentada.
Tinha sido entalhada por ndios shoshone a partir de btulas e depois pintada de laranja.
Muito feia, mas devia valer uma fortuna.
Ouviu-se uma buzina do lado de fora. Georgie ps os ps no cho e pegou a camiseta da
mo de Nate.
- Acho que devo vestir isso - sussurrou ela, enfiando a roupa pela cabea enquanto ia para
a porta da frente. As ndegas brancas apareciam debaixo do suter azul-marinho, meio
que fazendo com que ela parecesse mais nua do que antes.
- Graas a Deus voc est aqui - disse ela ao entregador bestificado. Ela pegou uma
garrafa de Stoli do carrinho dele e a abriu. Depois pegou o controle remoto do CD player
de dez discos e ligou. Uma antiga musica de Blondie comeou - The Tide Is High. - Pode
colocar as caixas ao lado do ofur. - Georgie apontou para Nate com a garrafa de Stoli. 
Ele vai te mostrar onde .

No saguo do Sun Valley Lodge, Erik conversava com um bando de patrulheiros de esqui
sobre o grande resgate do dia. Um cara estava mostrando a namorada como esquiar para
trs e foi direto para uma rvore. Um galho o empalou bem na bunda.
- Bem nodoso. - Serena ouviu um dos patrulheiros dizendo.
- O que foi? - perguntou ela, subindo no colo de Erik.
Ele passou os braos compridos em volta da irm, que encostou o rosto no peito dele,
ansiosa por ateno. - Hmmm. Voc est cheiroso e limpo.
Os patrulheiros de esqui beberam a cerveja e olharam cheios de inveja. Quem dera que
cada um deles tivesse sua prpria irm loura e linda como uma modelo se aninhando
neles.
- Ei, cad a sua amiga? Aquela com o lindo... cabelinho? - perguntou um deles.
Serena se sentou e se empoleirou no joelho de Erik, os ps no Ugg azul-beb s roando
o tapete. Ela puxou as pernas de seu jeans Habitual. Em geral as pessoas ficavam
ocupadas demais olhando para ela para perguntar por Blair. Mas Blair se esforava muito
mais com a aparncia do que ela, ento talvez merecesse a ateno.
- Esta l em cima, se arrumando. - Ela cutucou a barriga de Erik com o cotovelo. - Quer
subir e dar uma olhada?
Erik meio que gostou que os patrulheiros de esqui tenham percebido Blair, uma vez que
ele e Blair iam se tomar ntimos muito em breve. Ele retribuiu a cotovelada de Serena.
- Ai!
Os dois irmos trocaram olhares ameaadores.
- Eu no disse nada demais - insistiu Serena amuada. O olhar ameaador de Erik se
transformou num sorriso de diverso. - Que foi?
- Acho que tem algum aqui que quer te ver  cochichou ele.
Serena olhou para cima e viu Jan, o futuro dentista e praticante louro do snowboarding
olmpico da Holanda, encarando-a cheio de emoo.
- Pensei em acompanh-la at a festa.
Os patrulheiros abriram espao para ele. Serena desceu do joelho do irmo. Esse no era
exatamente o tipo de ateno que ela esperava.
- Hmmm, estou esperando a Blair.
Erik deu um soquinho nas costas dela.
- Por que vocs dois no vo dar uma volta? - Ele gesticulou para os patrulheiros. -
Convidei esses caras para a festa. Blair e eu podemos pegar uma carona com eles.
Mas a as portas do elevador se abriram num bing.
Senhoras e senhores... a Rainha da Montanha!
Blair tinha fixado um pregador com um coraozinho dourado no cabelo e estava usando
os brincos de jade Les Best que Serena tinha ganho depois de desfilar na passarela. Ela
tambm usava o pulver de cashmere azul-claro de Serena, o que era timo, porque
Serena pretendia dar a ela, de qualquer forma. Ficava meio apertado no peito, o que
tambm era legal. Blair gostou.
Os patrulheiros de Sun Valley tambm gostaram. Eles se cutucaram, trocaram de ps e
murmuraram ruidosamente, como animais num terreiro.
- Oi. Voc est incrvel- disse Erik, gostando do jeito como os outros caras a estavam
secando. Ele estendeu a mo possessivamente. - Pronta?
Blair ficou feliz por ter levado tanto tempo se arrumando. Ainda estava com a calcinha de
algodo branca Hanro que Serena sempre sacaneava, chamando de "calola". Mas a
verdade era que Blair sempre ficava mais  vontade nas calcinhas maiores do que nas
calcinhas de renda e tangas que tinha. E tambm ficava melhor nelas. Eram elas que ela
se imaginava usando quando estava sendo despida.
E algum certamente ia despi-la naquela noite.

natureza-morta com escova de dentes

Jenny estava to confusa com o que tinha acontecido com Leo mais cedo que ficou
acordada ate tarde, pintando uma natureza-morta e organizando os pensamentos. Como
sempre, no havia frutas nem vegetais na geladeira, a no ser uma laranja mofada de cem
anos, ento ela pintou escovas de dentes e uma barra de sabonete Dove.
Parecia inteiramente possvel que Leo no tivesse um cachorro e no morasse naquele
apartamento sensacional na Park Avenue.
Talvez ele seja s uma pessoa normal e comum, pensou ela para si mesma enquanto
retocava cuidadosamente as cerdas azuis da escova de dentes de Dan. Como eu. Na
verdade, ela ainda no sabia o que ele era. Por que ele no deixava tudo claro em vez de
ficar de joguinhos?
Olhou para a tela.
- Que coisa boba - resmungou, atirando a tela na lixeira debaixo da mesa. Tudo era bobo.
De repente ela se sentia to... boba.
E gente boba precisa de companhia.
- Ah, ento agora voc tem tempo para falar comigo? - disse Elise quando atendeu ao
telefone.
- Desculpe  respondeu Jenny. - Eu agi como uma idiota.
- Tudo bem. - A voz de Elise se suavizou. - Alis, eu no sei por que voc est fazendo
tanto alarde com isso. Quer dizer, se ele  to rico e a me dele  essa maluca que veste o
cachorro com roupa de grife, provavelmente ele no seria um bom namorado. No ?
Jenny pensou no assunto.
- Como voc pode saber? - perguntou ela, desconfiada. - Quantos namorados voc j
teve?
Elise no respondeu de imediato. Jenny tinha tocado numa ferida.
- Na verdade, pensei que seu irmo ia ser meu namorado, mas acho que no.
Jenny bufou.
- Como se pudesse dar certo. Voc no fuma e nem gosta de caf.
Ela pde sentir o sorriso de Elise do outro lado da linha, e foi bom que tivesse feito a
amiga sorrir.
- De qualquer forma, acho que voc deve parar de pensar no Leo como uma coisa que ele
no  e ver se voc gosta de quem ele realmente .
Jenny se agachou e puxou a natureza-morta amassada e mida do cesto de lixo. Talvez,
se ela no pensasse na pintura da escova de dentes como uma natureza-morta, mas como
uma pintura com escova de dentes, ficasse melhor. Ela podia at acrescentar algo no to
morto, como Marx, o gato. Ela se deitou de bruos e puxou o canto da colcha cor-de-rosa,
olhando para ele.
- E a... - disse Elise. - Vai ligar pra ele ou o qu?
Marx no estava ali. Jenny se levantou e foi at o computador.
- No. Ele prefere e-mail. - Ela se sentou, uma idia se formando na cabea.
Ela ia se convidar para a casa de Leo - pelo menos, tinha certeza de que o apartamento no
poro da rua 81 Leste era a casa dele. Este e-mail era seu sinal de alerta. Ela ia descobrir
de uma vez por todas quem ele era e o que estava rolando - gostasse ele ou no.
Com o telefone ainda na orelha, ela entrou na Internet e comeou a digitar.
- Ento voc realmente no acha que Dan e eu podemos dar certo? - insistiu Elise. - Ele
estava escrevendo um poema sobre mim, eu acho.
Jenny podia ter dito a ela que Dan ainda estava apaixonado por Vanessa e que todos os
poemas que ele escrevia eram sobre Vanessa e ele, mesmo quando ele fingia que eram
sobre outra pessoa. Alm disso, ela apostava qualquer coisa que Elise ficaria entediada
com a besteirada "Sou uma alma torturada e infeliz" depois de uns dez minutos.
- De jeito nenhum - respondeu ela, distrada. - Desculpe, deixa eu terminar isso.
- T legal. Acho que vou mandar um e-mail pro seu irmo agora e dizer a ele como ele 
um imbecil.
- Boa idia - concordou Jenny.
Agora as duas estava digitando nos teclados enquanto respiravam ferozmente ao telefone.
Quando se tem uma mensagem dura para dar, e sempre bom ter apoio.

mandar e-mails  muito mais fcil do que conversar pessoalmente com os meninos

Querido Leo,
Sei que isso parece estranho de se dizer, mas eu realmente acho que voc est
escondendo alguma coisa de mim e eu no sei o que . Eu gosto muito de voc, e
acho que voc gosta de mim. Ento, como  que voc nunca me convidou para ir a sua
casa? O caso  que agora eu sei onde voc mora. Ento vou a amanha s seis, quando
voc geralmente termina de passear com Daphne, eu acho. Tudo bem. Te vejo l.
Jenny

Querido Daniel,
Antes de tudo, acho que voc  um verdadeiro imbecil por me enganar, porque voc sabe
que eu sou mais nova do que voc e menos experiente e voc devia prestar ateno nos
coraes que voc quebra, porque eles podem voltar e morder a sua bunda. Alm disso, 
to bvio que voc ainda esta ligado na primeira e nica garota que foi idiota o bastante
para ser sua namorada. Sua irm nem precisou me contar isso - voc  transparente
demais, e como se escrevesse em papel de decalque. Olha, posso ser potica tambm.
Escreva isso, babaca! Sua nada amiga e melhor critica,
Elise
b tenta arrebanhar o prmio

A porta da casa de Georgie ficou aberta. No Doubt berrava dos alto-falantes dentro e fora
da casa, e havia roupas espalhadas em toda a escada da frente. Quatro rapazes de cabelos
compridos andavam de cueca, comendo potstickers de cogumelo e exibindo os msculos
do snowboarding. Quando Blair e Serena entraram com Erik, Jan e os patrulheiros de
esqui, eles se viraram, ficaram boquiabertos e sorriram.
- Onde est a Georgie? - perguntou Serena, desesperada para encontrar o corao da festa
antes que Jan-o-dentista tentasse ficar sozinho com ela.
- No ofur - responderam os rapazes em unssono.
Blair ficou na sala de estar enquanto Serena ia at as portas do ptio em busca da anfitri,
com Jan nos calcanhares. Erik foi para o bar e comeou a preparar drinques. Tinha feito
um curso de bartender no semestre anterior - a coisa mais til que aprendeu na faculdade
at agora.
Blair percebeu que Nate estava sentado sozinho num sof de couro no canto da sala de
estar, meio que mexendo nos dedos dos ps. Usava o suter da Brown azul-marinho e o
short de ginstica amarelo esfarrapado do St. Jude. Com os cachos castanho-dourados e
os olhos verdes brilhantes, ele pare cia um menininho triste. Blair queria se sentar ao lado
dele e perguntar por que ele estava mexendo nos dedos dos ps e parecia do triste na festa
da namorada, mas Erik apareceu e deu-lhe um copo cheio de alguma coisa num turbilho
rosa-alaranjado.
- Mai tai. Cuidado, no parece mas  quase todo alcolico.
- Obrigada. - Blair pegou o copo. Normalmente ela preferia vodca com Tonica, mas ia
beber qualquer coisa que Erik fizesse para ela.
- Vou me sentar no ofur - disse Erik. - Quer vir?
Blair sacudiu a cabea.
- No, obrigada. - A idia de entrar num ofur com Georgie e os outros no era nada
atraente. E ela no queria que Erik pensasse que ela no podia se defender sozinha numa
festa. Alm disso, havia toda uma mesa de comida a apenas trs metros de distncia. Se
Erik fosse para fora, ela teria uma chance de encher a pan~a sem se preocupar que ele
pensasse que ela era uma porca de gorda.
Uma garota precisa de combustvel, especialmente quando tem uma longa noite pela
frente."
Assim que Erik saiu, ela pegou um prato de rolinhos primavera e se jogou em um sof de
dois lugares ao lado de um cara com cabelo castanho nos ombros que fumava um
baseado.
Ele olhou para ela e sorriu.
- Voc desliza?
Blair no tinha a menor idia do que ele estava falando.
No. - Ela respirou fundo pelas narinas. Nunca ficava chapada, mas estava se sentindo
meio nervosa de repente e todos os chapados que conhecia eram to suaves. Talvez uns
tapas no baseado do cara fossem exatamente o que ela precisava. -  maconha?
O cara sorriu novamente e olhou para o baseado na mo.
- Era. Desculpe, kaput. - Ele no estava de camisa nem de sapatos, e ainda estava com a
cala de esqui. Era verde berrante com reforo nos joelhos.
- E a, como voc conheceu a Georgie?  perguntou Blair, ainda mastigando a comida.
- Quem?
Blair pde sentir que Nate a olhava do outro lado da sala. Talvez ele pensasse que ela
estava dividindo o baseado com o cara.
Ah, mas que ironia.
- Qual  a sua faculdade? - perguntou ela, imaginado que o cara devia ter uns vinte anos e
estar na universidade.
- No fao faculdade - disse ele. -Eu esquio de maro a dezembro e depois surfo no North
Shore o inverno todo.
Blair enfiou um potsticker na boca e mastigou.
- Como consegue fazer snowboarding o vero todo?
- Chile, Argentina.
- E o North Shore  do Hava, n?
No pergunte como Blair sabia disso. Era o tipo de coisa que uma garota que tem irmos
simplesmente sabe.
O cara assentiu.
- Voc surfa?
Blair sacudiu a cabea, intrigada com a idia. Ela se imaginou com o novo biquni rosa
Eres e um cordo havaiano feito de orqudeas brancas e hibiscos vermelhos, equilibrada
numa prancha de surfe, descendo uma onda enorme. Tinha um bronzeado sensacional e
incrveis msculos na bunda  do tipo que realmente fica bem numa tanga. E, depois de
um longo dia de surfe, Erik a massagearia com leo de coco e a alimentaria com peixe
fresco que ele pescara no dia. Talvez ela no precisasse realmente ir a Yale nem a
nenhuma faculdade - ela podia simplesmente... surfar.
Nate se levantou de repente e foi ate ela. Os olhos verde-esmeralda no estavam
brilhando tanto. Ele parecia ter muita coisa em mente.
- Oi - disse ele.
- Oi - respondeu ela. - Por que  que no esta no ofur?
Nate deu de ombros.
-  quente demais.
Blair se levantou e largou o prato de papel no lixo. No ia gostar de bater um papinho
com Nate sabendo que Erik estava l fora com Georgie e Serena. No fazia sentido
nenhum.
- Vem - disse ela, levando-o para fora.
- A gente se v depois - disse o cara chapado atrs deles.

Tinha nevado por algumas horas naquele dia e o quintal de Georgie brilhava a luz da lua
com neve branca, fresca e seca. No Doubt tinha se transformado em Missy Elliott, e os
patrulheiros danavam com um grupo de meninas da escola local no deque que cercava o
ofur.
Serena sempre adorava mergulhar em ofurs ao ar livre numa noite fria, especialmente
quando estava nevando um pouco e todo mundo estava nu. Desta vez ela ficou
particularmente grata por estar entre o irmo e Chuck Bass, enquanto Jan-o-dentista-
holands olhava para ela sonhadoramente do outro lado do ofur.
Georgie tinha comido potstickers demais ou alguma coisa demais e plantava bananeira no
meio do ofur, sem deixar nenhuma parte de seu corpo nu para a imaginao.
- Ah - disse Blair, avaliando ansiosamente a cena. Tudo bem, ento ela havia planejado
ficar nua naquela noite, mas no na frente de Nate, Georgie e os patrulheiros de esqui de
Sun Valley,e toda a equipe olmpica de snowboarding holandesa. E ela certamente no ia
plantar bananeira.
- Voc vem? - chamou Erik de dentro da banheira.
Serena piscou com a gua das longas pestanas escuras.
-  legal.
Blair puxou as mangas do suter emprestado at os pulsos.
- Agora no.
Georgie saiu da gua e enxugou o nariz. A pele dela era fantasmagrica  luz da lua.
- Deixem ela em paz. Talvez esteja menstruada.
Blair corou de raiva.
- Nate est menstruado tambm? - brincou Chuck.
Nate pegou um mao de cigarros no bolso do short, acendeu um e depois passou o mao
a Blair. Depois caminhou pelo gramado escuro e cheio de neve atrs da casa, usando
somente o suter, short e tnis.
Blair ps o cigarro na boca, desejando no ter tanta pena de Nate. Era estranho, esse troo
de solidariedade-por-Nate. E provavelmente era totalmente imerecido.
- Vou voltar para dentro - disse ela, incisiva.
Serena cutucou Erik nos quadris.
- Acho que  a sua deixa.
Atrs dela, Blair ouviu algum esparramar gua no ofur.
- Ah, caraa! - Ela ouviu Georgie guinchar e entendeu que ela estava olhando para Erik.
Desculpe, meu bem. Ele tem dona.
- Pera, Blair.
Blair parou na cozinha e pegou um macaroon de chocolate da bandeja do buf. Deu uma
mordida e depois se virou para olhar Erik. Ele usava somente uma toalha branca,
exatamente como Blair o vira pela primeira vez no hotel, no dia em que chegaram a Sun
Valley e ela percebeu que ele era o homem que iria deflor-la.
Agora era uma hora to boa quanto qualquer outra.
Ela pegou uma garrafa de Veuve Clicquot gelada na bancada da cozinha, enfiou debaixo
do brao e pegou o prato de macaroons.
- Vamos l para cima.

exatamente igual a um tren de papai Noel

- No quero entrar. - Georgie fez beicinho enquanto as meninas secundaristas e os
patrulheiros seguiam Conrad, Josef, Gan e Franz at a casa para comer alguma coisa. -
Quero fazer alguma coisa doida.
A pele de Serena formigou. Eu tambm! Eu tambm! Estava cansada de segurar vela do
casinho de Erik e Blair. E mal podia esperar para escapar do olhar meloso de Jan. Era
hora de um pouco de aventura.
- Viu s? Aqueles caras tem um daqueles tobogs de esqui no alto do carro. Eu sempre
quis descer num desses...
Georgie estava do lado de fora do ofur antes de Serena terminar a frase.
- Vem! - gritou ela, calando as botas de inverno, o resto dela nu como sempre. - Vamos
dar uma olhada!
Deixando as roupas para trs, Chuck e Serena seguiram Georgie at a entrada cheia de
carros na frente da casa. Rpida e silenciosamente, Chuck e Georgie desamarraram o
tobog da capota do Subaru dos patrulheiros e o baixaram na neve. Georgie abriu a porta
traseira de um dos SUVs Mercedes da equipe olmpica e entrou.
- Algum quer um? - gritou ela.
- Eu! - respondeu Chuck, juntando-se a ela.
Serena no sabia o que Georgie estava oferecendo, mas no momenta no precisava de
nada a no ser um casaco quente.
- No vo ficar com frio? - arriscou-se ela. O tobog era forrado com um cobertor de l
grosso, mas, a menos que todos ficassem embaixo dele, iam morrer todos de hipotermia.
- No quer aparecer nos jornais de novo?  ofegou Chuck. Parecia que de estava
cheirando alguma coisa.
Georgie botou a cabea para fora do SUV e bateu a porta. Esfregou o nariz, os olhos
castanhos arregalados.
- S temos de ficar em movimento. - Ela apontou para Serena. -Voc sobe no tren e eu e
Chuck te puxamos... tipo o tren do Papai Noel!
Depois de chegar como uma pateta na festa de outra pessoa e eternamente grata por Jan-
o-dentista ser banana demais para se juntar a eles, Serena desfez as amarras que prendiam
o cobertor no tobog, enrolou-se no cobertor e depois deitou no tobog. Georgie se
agachou ao lado dela e prendeu os braos de Serena no cobertor. Depois afivelou as
amarras, puxando-as firmemente pelo corpo de Serena, como se seus ossos fossem se
quebrar e precisassem ser reunidos. Serena percebeu pequenas gotas de suor no lbio
superior e na testa de Georgie, embora estivesse somente dois graus e ela estivesse nua.
- Pronta? - gritou Georgie, as botas com neve at os tornozelos.
Parecia estranho e um pouco assustador ser amarrada deitada. Serena no podia se
desamarrar, mesmo que quisesse. Debaixo do cobertor, ela pressionou a palma das mos
nas coxas para se estabilizar.
- Pronta.
Georgie e Chuck riram enquanto prendiam o arns do tobog, a bunda pelada retesada
com o esforo enquanto arrastavam-no para a entrada de carros e a pista com neve da
Wood River Drive.
- Pera, aonde a gente vai? - gritou Serena inutilmente. Ela ergueu a cabea para ver, mas
s o que conseguiu vislumbrar foram dois corpos pelados brilhando ao luar enquanto
desciam a estrada silenciosa. Chuck tinha uma marca de bronzeado remanescente do
Natal em St. Barts, mas Georgie era branca como uma margarida.
Embora nem de longe to pura.
O pescoo de Serena doa e ela estava prestes a deixar a cabea tombar para trs quando
Chuck e Georgie foram iluminados por faris. Estava vindo um carro.
- Socorro! - gritou Serena, o rosto em chamas com o ridculo da situao.
Pouco importava que a viso parecesse estranha.
- Uoooou! Linda bunda! - gritou algum da janela enquanto o carro passava derrapando.
O tobog saltou e deslizou enquanto as luzes traseiras do carro desapareciam na estrada.
- Ei, gente! - gritou Serena, esticando o pescoo.  D pra parar?
Seus ditos amigos sequer se viraram. Talvez no a tivessem ouvido ou talvez estivessem
s fingindo no ouvir.
- Por favor!
Mas eles ainda no pararam. A estrada se iluminou outra vez enquanto outro carro se
aproximava. Dessa vez o carro reduziu. Depois uma sirene soou e luzes vermelhas e
brancas giraram e agitaram a noite.
- Porra,  a polcia! - gritou Chuck.. - Corre!
- No! - gritou Serena de volta. O tobog saltou e deslizou enquanto o carro da polcia
chegava mais perto.
- Vai! Vai! - Serena ouviu Georgie gritar.
De repente o tobog fez um ziguezague perigoso, antes de tombar numa vala. Rolou uma
vez e caiu de lado em uma poa de neve derretida. A gua penetrou no cobertor e cobriu
os joelhos dela. Estava to fria que parecia quente.
- Parem! Parem a! - ordenou a polcia ao perseguir o grupo, as luzes no alto do carro
girando na distncia.
Serena tremeu na vala. A polcia no a havia visto.
- Socorro! - choramingou ela. - Por favor, me ajudem.

fazer ou no fazer

- Agora estamos vestidos do mesmo jeito - disse Blair ao sair do banheiro da me de
Georgie usando apenas uma toalha.
Erik baixou a revista de esqui que estava lendo enquanto esperava por ela na cama.
- Legal.
O quarto tinha um teto de madeira alto inclinado e janelas triangulares enormes e
desencontradas dando para o monte Baldy. Os holofotes de Snowcats que limpavam as
pistas para o dia seguinte piscavam na escurido. Blair se perguntou rapidamente se Nate
ainda estaria l fora, vagando pela neve de tnis, ou se recuperou o juzo e voltou para
dentro. No que se importasse. Ela girou repetidamente o anel de rubi no dedo e voltou a
olhar para a cama. Estou prestes a me tornar mulher, lembrou a si mesma.
Mesmo com farelos de biscoito espalhados em todo o queixo e o peito nu e o cabelo
molhado e emaranhado de mergulhar no ofur, Erik era irresistvel. Ela foi at a mesa-de-
cabeceira e tomou um gole do champanha direto da garrafa.
- Tudo bem. Estou pronta.
Erik pegou a mo dela e a puxou para cima dele. Seus lbios se encontraram numa
mistura arrepiante de chocolate e champanha. Ele se apertou nos quadris dela. Ele
tambm parecia estar pronto.
Blair fechou os olhos enquanto a musica da festa no primeiro andar entrava no quarto, um
hip-hop que ela no reconheceu. Na noite em que pensava em que ia transar com Nate,
ela preparou um CD e encheu o quarto de velas. Depois, nada aconteceu. Dessa vez ela
estava numa casa estranha com uma msica estranha. Mas talvez fosse melhor assim 
quanto mais solto o roteiro, mais espao para a experimentao. No que ela quisesse
experimentar nenhuma esquisitice.
 claro que no.
- Abra os olhos - murmurou Erik, passando o nariz no pescoo dela. - Voc tem olhos
lindos.
Blair abriu os olhos e riu para si mesma. Estava beijando o irmo mais velho de Serena.
Fechou os olhos novamente, mergulhando outra vez na boca de Erik. Parecia mais fcil
simplesmente fazer do que pensar no que estava fazendo ou com quem estava fazendo.
Erik puxou de volta o edredom de seda tingido de canela e se enfiou debaixo dele. Blair
entrou depois dele e tirou a toalha, atirando-a no cho com mais floreio do que realmente
pretendia.
Tchan-tchan!
- Voc j fez isso, no ? - perguntou Erik enquanto tamborilava os dedos hbeis
lentamente pela coluna dela.
Blair tremeu - em parte de prazer, em parte de medo - e apertou bem os olhos.
- Claro que sim.
Ela podia sentir Erik crescendo na perna dela. Talvez eles no tivessem de ir at o fim, s
um pouquinho. Depois ela se lembrou do que ela e Serena sempre disseram as meninas
do primeiro ano de seu grupo. No transem por transar. Transem com algum que vocs
amem e que se importem com o que vocs sentem. E no transem a no ser que saibam
sem dvida nenhuma que esto preparadas.
Isso sempre foi fcil para Serena dizer. Ela perdera a virgindade no vero depois do
segundo ano, com Nate, simplesmente. Era a coisa constante, invisvel e muda entre Blair
e ela. A pedra no sapato da amizade das duas.
Quando abordou o tema do sexo no grupo de discusso, Blair falou com tanta autoridade
que quase acreditou que tinha transado algumas vezes. E certamente ela chegou bem
perto  com Nate em vrias ocasies enquanto eles estavam juntos -, mas no to perto.
Ela sempre o detinha, exatamente na hora H.
O que, considerando o fato de que ela e Erik estavam nus e deitados muito juntos, era tipo
assim, agorinha mesmo.
- Est nervosa ou coisa assim? - perguntou Erik, afagando o cabelo dela e olhando nos
olhos de Blair daquele jeito cordial e lindo dele.
- No. Por qu? Pareo nervosa? - respondeu Blair um pouco spera demais.
-  s que seus joelhos estio meio que me empurrando...
Blair nem tinha percebido o que estava fazendo com os joelhos. Embora ela quisesse
desesperadamente transar e acabar com aquilo, seu corpo claramente tinha outras idias.
Como  que ia perder a virgindade se o corpo nem mesmo colaborava?

o cavaleiro da armadura reluzente

Nate voltava para a casa de Georgie, as pernas dormentes de frio e os tnis ensopados de
pisar na neve, pronto para desistir e entrar no ofur. Ele achou que uma boa caminhada
sozinho podia ajudar a clarear a mente, mas tinha tanto em que pensar - entrar na Brown,
no ser o capito de lacrosse, o comportamento errtico de Georgie, o modo como Blair
parecia olhar atravs dele - que s o que conseguiu pensar realmente foi em como seria
timo fumar um baseado e esquecer de todos os problemas.
- Droga - xingou ele a meia voz enquanto corria pela pista da Wood River Drive.
- Por favor, socorro. - Ele ouviu uma vozinha choramingar da vala  esquerda dele.
Nate girou o corpo, os olhos saltando da cabea quando reconheceu o cabelo louro-claro
e o corpo familiar preso dentro de um tobog de patrulheiro de esqui virado. Se no
estivesse to sbrio, ia pensar que estava tendo uma espcie de reao alrgica mental a
maconha ou coisa assim.
- Serena? - Ele se ajoelhou e comeou a soltar as amarras. - Meu Deus, o que aconteceu?
Assim que os braos de Serena se libertaram, ela os estendeu para cima e abraou Nate
pelo pescoo, chorando sem dizer uma palavra. Ela no se importaria se Jan a tivesse
resgatado, mas Nate era dez mil vezes melhor.
- Est tudo bem. Est tudo bem - murmurou Nate, afagando o cabelo dela com uma das
mos enquanto tirava as amarras do tobog com a outra. Quando todas as amarras
estavam desfeitas, ele puxou o pesado cobertor de l, sem imaginar o que ia encontrar
embaixo.
- Caraca. - Ele a abraou e a ajudou a se levantar antes de enrolar o cobertor nela mais
uma vez.
Serena pendeu para ele, vencida demais para ficar sem graa ou at explicar como foi
parar nua numa vala, presa a um tobog de patrulheiro de esqui.
Nate se curvou e a pegou como a um beb gigante.
- Vamos voltar. Voc s precisa de um banho e umas roupas quentes e vai ficar nova em
folha.
Ele comeou a descer a estrada para a casa, os braos e as pernas ardendo da energia do
resgate msculo. Serena deixou que a cabea tombasse no ombro dele e respirou um
hlito doce e quente na orelha de Nate. Talvez fosse Nate - o Natie dela - o cara com
quem queria ficar o tempo todo. Seu cavaleiro da armadura reluzente. O amor de sua
vida.
Quando eles voltaram para casa, o sempre eficiente Nate levou Serena para o banheiro
dos hspedes no segundo andar e preparou um bom banho quente para ela. Enquanto ela
relaxava nas bolhas, ele foi at o quarto da me de Georgie procurar um roupo quente e
umas meias de cashmere aconchegantes. A porta estava fechada, mas os empregados
mantinham-na fechada desde que ele chegou, ento ele achou que no havia nada demais
em entrar sem bater.
Epa.
Nate congelou na soleira da porta, piscando. As roupas de Blair estavam no cho e sua
mo delicada com o anelzinho de rubi estava no pescoo de um louro. O louro virou a
cabea, provando que no era da equipe olmpica de snowboarding holandesa -
felizmente -, mas Erik van der Woodsen, o irmo mais velho de Serena. O que era muito
melhor.
- Desculpe - murmurou Nate. - Eu s preciso pegar umas coisas no armrio.
- Hmm, d pra voltar depois? Estamos meio ocupados - disse Erik sem o menor
constrangimento.
Nate s ficou parado ali, olhando-os com as mos nos bolsos. Ele precisava de uma
explicao ou reconhecimento da metade inferior do sanduche Erik-Blair antes de poder
dar as costas.
Mas Blair s ficou deitada ali de olhos fechados. Erik quase tinha conseguido fazer com
que seu corpo entrasse na viagem que ela queria, mas, ao som da voz de Nate, o vo foi
cancelado. Por fim ela ouviu a porta se fechar e os passos de Nate correndo pelo corredor.
Depois ela se apoiou nos cotovelos e se afastou um pouco de Erik, puxando o lenol para
o peito a fim de se cobrir.
- Na verdade, essa ia ser a minha primeira vez  admitiu ela, corando de vergonha por ter
mentido quando ele perguntou. - Mas acho que no estou pronta para isso.  Ela olhou
para Erik com os olhos azuis redondos, esperando de todo corao que ele no ficasse
irritado demais.
Os lbios adorveis de Erik se curvaram num meio sorriso.
- No. Voc est pronta. Eu  que no sou o cara certo,  s isso.
E no era segredo quem era esse cara.

Gossipgirl.net
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temas / anterior / prxima / faa uma pergunta / respostas

Advertncia: todos os nomes verdadeiros de lugares, pessoas e fatos foram abreviados
para proteger os inocentes. Quer dizer, eu.

oi, gente!

Eu sei, eu sei, parece que passou uma eternidade desde que a gente se falou. As frias de
primavera esto quase acabando e, pelo visto, todo mundo andou muito ocupado para no
pensar nas cartas de admisso da universidade que devero estar em nossas caixas de
correia daqui a duas semanas. Sim, estamos ocupados, ocupados, ocupados. Mas, antes
de eu descer a quem se meteu em que encrenca e onde, deixa eu esclarecer umas
coisinhas sem nenhuma ordem determinada.

a) Nem todos os membros da equipe olmpica de snowboarding holandesa so gays,
casados ou chatos. Sei disso porque fiquei com um deles muito brevemente quando
minha famlia estava esquiando em Banff. O nome dele era Jansen e ele era lindo demais.

b) Se voc ainda for virgem quando estiver indo para a faculdade, no ser a nica. Sei
disso... Bem, eu simplesmente sei.

c) No  crime federal jogar correspondncia no rio, a no ser que voc trabalhe para os
correios.

d)  crime federal no responder ao e-mail de uma garota quando s o que ela quer de
voc  que a perdoe, a beije e faa as pazes. Tambm  crime federal receber um presente
e no agradecer. E  definitivamente um crime federal correr pelado por uma estrada
pblica, especialmente quando a policia est atrs de voc - veja as notcias a seguir.

e) Por ltimo, mas no menos importante, embora eu odeie dizer, todos ns nos sentimos
melhor conosco quando no estamos brigando com os nossos pais.

Que bom que esclarecemos tudo. Agora, as ltimas notcias...

HERDEIRA INFAME DE CONNECTICUT E GAROTO DO UPPER EAST
SIDE PRESOS POR ATENTADO AO PUDOR
Ela nos chocou ao vender o cavalo de exposio preferido para comprar drogas e ele nos
chocou por aparecer, todo cheio de gel, num comercial de loo ps-barba europeu.
Agora eles esto na roda de novo. G e C foram presos ontem  noite por saracotear numa
estrada publica, nus em plo. Mais tarde descobriu-se que os dois estavam sob influncia
de todo tipo de substncias e que eles tambm tinham roubado um tobog de patrulheiro
de esqui, que foi devolvido pelas autoridades a sede dos patrulheiros de esqui. Os dois
foram libertados da priso esta manh e pegaram jatos particulares para Greenwich e
Nova York, respectivamente. H boatos de que o Departamento de Policia de Wood
River e os Patrulheiros de Esqui de Sun Valley j receberam substanciais doaes
"annimas" para guardar silncio sobre o assunto. G j voltou para a Breakaway, onde
ganhou uma carteirinha de scia permanente. C est de castigo, o que significa que ele
no pode mais usar o quarto da famlia no Tribeca Star Hotel nem o carro com motorista
da me. Coitadinho. Correm boatos tambm de que uma estudante muito bonita, modelo
do Upper East Side, estava envolvida no incidente, mas ela conseguiu evitar a polcia
e escapar. Mais tarde, naquela noite, um lindo rapaz misterioso a acompanhou de volta ao
hotel. Essa  a nossa garota!

Flagra

V olhando desejosamente para as cmeras de cinema na vitrine da 49th Street Photo
como uma criana numa vitrine de uma pet shop. A coitadinha est doida para que os
pais vo para casa. B e E e um bando de caras dos Patrulheiros de Esqui de Sun Valley
tomando cerveja num bar em Ketchum, Idaho, sem - acreditem - nenhuma tenso sexual
aparente.
Ouvi dizer que isso pode acontecer com as meninas desde que elas... sabe como . Eles
perderam a necessidade de paquerar. J rastejando pelo Upper East Side de novo,
escondendo-se atrs das arvores. Qual  a dela, afinal? S e o irmo, E, descendo as
encostas sozinhos em Sun Valley.

Seu e-mail

P: Cara GG,
Conheci um certo garoto a vida toda e tenho certeza de que fui apaixonada por ele o
tempo todo, s que nunca percebi. Ele ficou com minha melhor amiga e agora est com
outra amiga minha, embora eu tenha certeza de que est quase terminando. Preciso
descobrir se ele sente a mesma coisa por mim, mas no sei bem o que fazer.
- perdida

R: Cara perdida,
Voc sabe o que eu fao quando no tenho certeza do que fazer? Agarre o cara! Beije-o e
tudo vai se encaixar no devido lugar. Se ele sente a mesma coisa, voc vai saber. E se no
sente, voc vai saber. Boa sorte, querida.
-GG

P: Cara Gossip Girl,
Eu adore seu site. Voc  uma garota cool. Queria saber o seu nome, porque acho que
voc pode ser a mesma garota que conheci quando esquiava. Posso no ver voc nunca
mais porque eu moro muito longe da Amrica, mas eu sempre vou te amar de longe.
- Jan

R: Caro Jan,
Tenho a sensao de que a gente se conheceu h muito tempo. E, mesmo que eu no seja
a garota de que voc est falando, tem minha permisso para me amar de longe. Mas
vamos parar por a, t bem?
-GG

Vejo vocs na escola na semana que vem. Na verdade, pode ser meio legal dormir na
nossa cama de novo.

Pra voc que me ama,
gossip girl

 o pensamento que importa

Quando a campainha l embaixo tocou, Gabriela e Ruby estavam fazendo barras
energticas orgnicas sem levedura, sem acar e de gro integral e cereja silvestre na
cozinha do pequeno apartamento de Ruby e Vanessa, enquanto Vanessa e Tordy
ajudavam Arlo a amarrar os narcisos que ele tinha roubado do parque na rede de pesca
que ele achou e arrastou para casa. Supostamente, os narcisos representavam a esperana,
embora Vanessa no soubesse exatamente o que a prpria rede de pesca devia
representar. A rede estava spera e cortava as mos, e Jordy a estava irritando com todo
aquele interesse repentino pelos pais dela e o trabalho deles. Ele at tinha tirado os
sapatos quando entrou, como eles faziam, e usava um colar de contas com o smbolo da
paz que provavelmente roubou de uma caixa de velharias da me dele. No preciso dizer
que o som da campainha era um sinal bem-vindo para Vanessa largar o que estava
fazendo e correr.
- Eu atendo! - gritou ela, enfiando um narciso nas mos teis de Jordy. Ela correu para o
interfone. - Al?
- Encomenda postal, senhora.
Vanessa liberou a entrada do carteiro. Ele chegou ao alto das escadas e entregou uma
caixa a ela. Estava endereada a ela e o nome e endereo de Dan escritos a mo no canto
superior esquerdo.
Ela fechou a porta e se sentou no cho, rasgando a embalagem com os dentes. Dentro
dela, embrulhada num jornal, uma nave espacial rosa de plstico com trs garotinhas cor-
de-rosa de pe no alto. As garotinhas tinham rabos-de-cavalo pretos e vestidos verdes de
plstico iguais. Ela virou o brinquedo de cabea para baixo e ligou o interruptor, depois
colocou o brinquedo no cho. Uma msica japonesa maluca comeou a tocar enquanto as
meninas da espaonave giravam e giravam, e as luzinhas de plstico piscavam aos ps
delas. Era brega e horroroso - superfantasticamente.
- O que  isso, Me Terra? - exclamou Gabriela, vindo ver. - Quem mandaria uma coisa
dessas para voc?
Aquele rapaz maravilhoso que voc achou que um dia se casaria comigo?
- Eu gostei - declarou Vanessa. -  to ruim que chega a ser bom.
Jordy apareceu com uma grinalda de narcisos no pescoo. Ele franziu a testa para a coisa
como se aquilo devesse fazer algum sentido.
- O que ?
-  s um treco - respondeu Vanessa, as idias para o prxirno filme j se amontoando na
cabea. - Ei, d pra vir aqui um minuto? - perguntou ela, pensando no nariz de Jordy. Ele
se curvou ansiosamente e ela fechou um olho, cobrindo o outro com os dedos para formar
a viso da lente da cmera daquele nariz estarrecedor, a navezinha rosa e doida girando e
piscando no cho.
J parecia uma ganhadora do Oscar.
- Fique bem aqui.
Vanessa correu para o quarto para pegar a cmera no armrio. Se fosse rpida, os pais
nem perceberiam o que ela estava fazendo.
- Agenta a - sussurrou ela, segurando a cmera no olho enquanto dava um zoom no
nariz de Jordy, certificando-se de deixar de fora do enquadramento o cordo com o
smbolo da paz e os narcisos. - Tudo bem, peguei.  Ela desligou a cmera e a atirou na
bolsa preta perto da porta. Do outro lado da sala, o pai assistia a tudo com curiosidade, as
luzes piscantes do brinquedo atingindo seus olhos brilhantes. Ela foi para o quarto pegar
mais suprimentos. A partir de agora, tinha de levar a espaonave e a cmera com ela
aonde quer que fosse, capturando qualquer coisa maluca que imaginasse, sendo a
espaonave a nica constante, sempre ao fundo.
- Posso me levantar agora? - perguntou Jordy quando ela voltou. Ele ainda estava
ajoelhado de um jeito estranho diante da espaonave, os olhos confusos de ouvir
repetidamente a musiquinha insana.
Vanessa pegou o brinquedo e o desligou, colocando-o na bolsa com as pilhas extras e a
lente.
- Pode, j pode ir - disse ela, distrada.
O que significava que no havia mais utilidade para ele.
- Ei, aonde voc vai? - gritou Ruby para ela da cozinha.
Vanessa j podia ouvir, pelo tom de voz de Ruby, que a irm sabia exatamente o que ela
estava aprontando. Ela amarrou os Doc Martens e enfiou na cabea o bon preto que
tinha comprado na loja do exrcito.
- Vou sair - gritou ela enquanto disparava pela porta, os olhos do pai ardendo de
curiosidade enquanto ela partia.

a resposta pode estar escrita na parede do banheiro

Petite mignonette, doce coquete
Provei seus biscoitos, seu po
Voc preenche meu prato

No ltimo dia de trabalho antes de recomearem as aulas, Dan estava de p diante do
sanitrio do banheiro dos homens da Red Letter lendo e relendo as palavras que tinha
escrito na folha de papel que desaparecera de sua mesa uma semana antes. Ele encontrou
o outro poema que tinha escrito usando esse mesmo ltimo verso  voc preenche meu
prato -, e pretendia reescrever o verso no novo poema. Mas foi o vislumbre de Elise
segurando uma baguete que tinha inspirado o poema, e tanto o interesse nela como o
interesse em terminar o poema tinham diminudo completamente.
No teria alguma coisa a ver com um certo e-mail que ele pode ter recebido
recentemente?
O verso redundante no era o motivo principal para ele no conseguir parar de ler as
palavras na parede do banheiro. As palavras que ele estava lendo nem eram dele. Quem
quer que tenha copiado este fragmento de poema na parede tinha escrito embaixo:
Observao: Ver acima como no escrever.
Tudo bem, ento o que ele tinha escrito era infantil, de mulherzinha, e no fazia muito
sentido. Ele era o primeiro a admitir isso. Mas insultar a escrita de algum de forma to
deliberada era simplesmente... cruel e imaturo. Era como criticar sua me: s voc podia
fazer isso.
- Cretinos - murmurou Dan enquanto puxava a descarga. Ele pegou uma Sharpie preta do
bolso e comeou a rabiscar ao lado de seu poema.

Observaes sobre como no ser um babaca:

1. No roube coisas da mesa das pessoas, especialmente quando elas no conhecem voc
suficiente para achar engraado.
2. Nunca presuma que um poema esta concludo. Na verdade, nunca presuma nada para
no parecer um completo babaca.
3. V se foder, porque ningum vai fazer isso por voc.

Ele devolveu a caneta ao bolso, lavou as mos e abriu a porta, quase esbarrando em
Siegfried Castle.
- Garroto. - O Sr. Castle se dirigiu a ele com seu sotaque alemo desagradvel. - Estou
recebendo umas jamadas zobre uns jeques que no jegarom. Mas voz mandou pelo
correio na zemana pazada. Rrusty acaba de ligarr parra dizer que Mysterry Crraze esta
presa em Helsinque porque Rrusty no mandou parra ela o dinheirro da viagem.
Dan foi at sua mesa e pegou a bolsa preta de carteiro. Ficou tentado a dizer a Sig Castle
que o cheque de Mystery estava a caminho de Helsinque pelo rio Hudson, mas no queria
ser demitido - ele queria se demitir.
O Sr. Castle o seguiu ate a mesa dele e o estava olhando de cima a baixo com seus olhos
cruis e alemes.
- Por que no procura outra pessoa para escravo?  sibilou Dan. Ele subiu na cadeira para
ler as palavras escritas na linha horizontal vermelha pintada em toda a sala. Red Letter,
Red Letter, Red Letter, era s o que dizia, repetidamente. - Muito criativo - acrescentou,
saltando da cadeira. E depois saiu.
Trinta segundos depois de sair seu celular tocou insistentemente no bolso de trs da cala.
Dan sabia, sem precisar olhar, quem estava telefonando.
- Porra, garoto. NINGUM, eu quero dizer NINGUM, larga um emprego na Red Letter!
- gritou Rusty Klein para ele. -Voc devia estar ABSORVENDO a aura de gnios da
literatura. Devia FAZER COMO EU TE DISSE. Voc  s um APRENDIZ, pelo amor
de Deus. No pode SE DEMITIR!
Dan subiu a Stima Avenida com o telefone grudado na orelha, decidido a no deixar que
Rusty estragasse a sensao de triunfo que formigava por seu corpo.
- Desculpe, mas eu realmente no vejo o que mandar correspondncia para pessoas,
comprar caviar ou fazer fotocpias tem a ver com escrever bons poemas.
Rusty ficou em silncio - pelo menos por um momento.
- Suba num txi, boneco. Vou te encontrar no Plaza em dez minutos. Acho que sei como
lidar com isso.
Dan estava parado no alto da escada do metro da rua 14. Pensou em como Rusty tinha
tentado convenc-lo a dar um tempo dos estudos para escrever um livro de memrias, o
que ele absolutamente no queria fazer. Ele queria ir para a faculdade para ter novas
experincias e aprender a escrever melhor, e no precisava de uma agente para fazer isso.
- Est tudo bem, acho que posso lidar com isso sozinho. Na verdade, acho que posso lidar
comigo sozinho. Pelo menos por algum tempo, de qualquer forma.
Rusty no respondeu de imediato. Ele podia ouvir os telefones tocando e a assistente
dela, Buckley, atendendo freneticamente. Dan esperou que ela gritasse alguma coisa
sobre como ele no sabia o que era bom para ele, mas em vez disso ela simplesmente
disse:
- Tem certeza?
- Tenho - retrucou Dan com firmeza. - Obrigado.
- Tudo bem, porra. Ento, passe bem.
- Voc tambm - disse Dan com sinceridade antes de desligar. Rusty Klein era maluca,
intimidadora e meio tirnica, mas ele ia sentir falta dela mesmo assim.
Ele entrou na loja de donuts atrs dele e pediu um caf preto extragrande e um donut de
gelia, discando o nmero de Vanessa enquanto esperava. Suas mos tremiam ao levar
o enorme copo de caf para fora. Ele o colocou no cho, acendeu um cigarro e esperou
enquanto o telefone no parava de tocar.
- Oi - disse ele quando a secretria eletrnica atendeu. - Eu te mandei uma coisa. Estava
me perguntando se voc recebeu. - Ele deu um longo trago no cigarro, tentando pensar
em mais alguma coisa para dizer. -  o Dan, a propsito. Espero que voc esteja bem.
Hmmm... Tchau  acrescentou ele e desligou.
Bem, no foi exatamente "Desculpe e vamos voltar", mas pelo menos quebrou o gelo.

s vezes a verdade machuca

Leo estava parado diante do porto de metal, esperando por ela.
- Oi - disse Jenny, o rosto corado com a idia de ter se convidado.
Leo remexeu na tranca do porto e assentiu para a bicicleta apoiada nas lixeiras de metal
na entrada.
- O papai pedala pelo parque as vezes de manha. Ele est muito bem para a idade.
Jenny nunca tinha ouvido Leo falar no pai. Ela sempre imaginou que ele no tivesse pai e
fosse solitrio no enorme apartamento rosa e branco da me na Park Avenue, vendo
TV e escovando o cachorro mimado dela com uma escova de ouro enquanto a me
gastava os milhes que tinha recebido no divrcio com casacos de grife e jantares com
homens mais novos.
- Oi, gente, cheguei - disse Leo para o apartamento quando abriu a porta. Pegou a parca
preta de Jenny e pendurou-a em cima do casaco dele. - Vem.
Jenny seguiu-o pelo corredor escuro e estreito. a apartamento cheirava a pipoca ranosa e
Pinho-Sol. A tinta branca das paredes estava rachada e descascava, e o tapete vinho
estava gasto e esfiapado. Fazia-a lembrar da prpria casa, s que pior.
- Me, pai, est  Jennifer, a garota de que eu falei com vocs.
O queixo de Jenny quase caiu nos tnis novos de camura Steve Madden vermelhos e
retr quando ela viu o Sr. e a Sra. Berensen. Usavam conjuntos de moletom cinza e
comiam pipoca de microondas, os ps em cima da mesa de centro de rattan com tampo de
vidro enquanto viam TV na minscula e escura sala de estar. A Sra. Berensen era
baixinha, com cabelo branco curto e olhos azuis brilhantes cercados de ruguinhas. O Sr.
Berensen tinha pelo menos oitenta anos, com o cabelo branco, membros longos e ossudos
e um rosto bronzeado, feito couro. Os dois eram to magros que pareciam viver de uma
dieta de pipoca e gua.
- E realmente um prazer... conhecer vocs  gaguejou Jenny. Ela deu um passo  frente
para apertar a mo deles.
- Oh, ela no  uma bonequinha? - declarou a Sra. Berensen.
- Estvamos vendo um filme antigo de James Bond - disse o Sr. Berensen. - Sente-se e
assista, se quiser - resmungou ele enquanto se mexia no sof de veludo vinho para abrir
espao para ela. Jenny no sabia como ele podia andar de bicicleta no parque. Parecia que
ia emborcar e morrer bem ali.
- Est tudo bem. - Leo tocou o cotovelo de Jenny. - Vem, vou te mostrar meu quarto .
 Jenny mordeu o lbio inferior enquanto o seguia ao cmodo ao lado. Ela se odiou por
ficar decepcionada. Por que devia ligar se Leo no era um prncipe que morava num
prdio exclusivo com porteiro na Park Avenue?
Porque um cara tem de ter algo mais do que um temperamento doce e dentes tortos
bonitinhos!
O quarto de Leo era ainda mais deprimente do que o resto do apartamento. S uma cama
de solteiro encostada numa parede, com uma espcie de colcha sinttica amarela e verde
que parecia ter pertencido a um hotel de 1979, paredes brancas nuas, um tapete marrom
esfiapado e uma mesa de madeira arranhada com um Mac gigante. O computador era
definitivamente a coisa mais nova e mais cara que os Berensen possuam.
Jenny se empoleirou na beira da cama e deu um espirro violento. Estava tendo uma
reao alrgica a toda aquela situao.
Quem no teria?
Leo se sentou na cadeira dura de madeira e mexeu o mouse at que o computador
acordasse.
-  isso que eu fao na maior parte do tempo, quando no estou na escola ou com voc.
- Oh? -Jenny se perguntou se ele ia mostrar alguma chat room esquisita que ele
freqentava para fingir que era outra pessoa.
- Vem c, eu te mostro.
Relutantemente ela se levantou e foi dar uma olhada, esperando ter de ler um monte de e-
mails irritantes. Em vez disso, era uma imagem, uma rplica exata de Aniversrio, de
Marc Chagall, com alguns floreios que eram de Leo.
- Voc fez isso? - perguntou Jenny quando conseguiu recuperar a voz. Era mesmo muito
bom.
Fiz, mas ainda no terminei. Tenho de fazer alguma coisa com a vidraa. Est meio clara
demais. - Ele comeou a abrir menus de paletas de cores e tcnicas de sombreamento. -
Eu podia contornar em ouro... -Ele olhou para Jenny.  O que voc acha?
Jenny voltou para a cama porque no havia outro lugar para se sentar. Ela se balanou
por alguns minutos numa tentativa de limpar a mente.
- Eu achei que voc morava naquele apartamento elegante na Park. Achei que Daphne era
sua cadela. - Ela parou de se balanar, olhou para o tapete e engoliu em seco.
- Acho que eu meio que queria que voc pensasse isso. Foi por isso que eu te levei l.
Jenny olhou para cima. Leo parecia muito menos arrojado e bonito sentado na cadeira de
seu quarto medonho.
- Mas Elise disse que soube que voc foi  festa beneficente do Frick. E voc tem aquele
casaco de couro bonito. - Ela enfiou as mos embaixo das coxas. - Achei que era onde
voc morava - repetiu ela.
Leo sacudiu a cabea.
- Eu passeio com Daphne para a Madame T depois da aula. Ela me convida para festas
como a do Frick e me d carteiras de scio de museus porque sabe que gosto de arte e
os filhos dela j so adultos. Na verdade,  muito legal da parte dela.
Jenny assentiu. Por que era to difcil aceitar o que ela j sabia? Leo era s um garoto
normal que passeava com ces depois da aula.
E tinha pais bem velhos e morava num apartamento realmente sombrio e deprimente.
Claro que a praia dele era a arte e a dela tambm, mas tinha de haver mais... alguma
coisa.
De repente ela desceu da cama e investiu para o telefone.
- Vamos fazer uma coisa doida e romntica! Vamos roubar uma garrafa de vinho dos
seus pais e levar para o parque e sentar debaixo das arvores e tomar um porre!
Leo ficou atordoado.
- Talvez a misteriosa seja voc - observou ele com um sorriso confuso. - Meus pais no
tm vinho nenhum, e alm disso e noite da escola. Tenho de fazer o jantar e o dever de
casa. Voc pode ficar e jantar com a gente.
Jantar com os pais emaciados de cem anos de Leo que nem mesmo bebiam vinho? No
havia nada mais doido e romntico do que isso!
Jenny no sabia o que havia de errado com ela, mas, se ela no disparasse para fora do
quartinho de Leo logo, ia explodir.
- Acho que agora eu tenho de ir - murmurou ela, praticamente correndo para a porta. O
rosto estava quente e provavelmente ela no ia conseguir parar para se despedir dos pais
dele. Ela pegou rapidamente o casaco, j prevendo o ar frio no rosto e a viagem tranqila
de nibus pela cidade.
- Espera! - Ela ouviu Leo gritar atrs dela, mas ela j havia ido.
Elise disse a ela para imaginar se o verdadeiro Leo era algum de quem Jenny podia
gostar. Agora Jenny tinha a resposta.
E no era boa.

b sente o primeiro jorro de fraternidade
-  to maravilhoso ver voc em casa! - disse a me com entusiasmo quando Balir saiu
do elevador, rodando as malas Louis Vuitton. Mookie, o cachorro de Aaron, foi at ela e
esfregou o focinho nos joelhos de Blair.
- Vai se foder - sibilou Blair, embora estivesse meio feliz de estar em casa. Ela tirou o
casaco e o atirou numa cadeira antiga no canto do vestbulo. - Oi, me. Onde est a
Kitty Minky?
Eleanor se aproximou e beijou Blair ruidosamente. Depois passou o telefone para ela.
-  o seu pai, querida. Estvamos tendo a mais maravilhosa das conversas.
Pelo que Blair sabia, os pais dela no se falavam  civilizadamente - h mais de um ano.
- Pai? - disse ela, pegando o telefone.
- Blair, minha ursinha.  A voz alegre e cheia de vinho do pai vinha do chteau dele na
Frana.  a va bien?
- Mais ou menos - respondeu Blair.
- J teve resposta de Yale?
- No. - Blair no tinha dado ao pai nenhuma dica de que suas chances em Yale, a alma
mater dele, estavam quase completamente arruinadas. Ela andou pelo corredor at seu
antigo quarto e parou na soleira da porta. - Ainda no.
- Tudo bem. Bem, seja boazinha com a sua me. Ela est absolutamente resplandecente,
no ?
- Acho que sim. - Blair entrou no quarto e se sentou no cho. - Estou com saudade, pai.
- Eu tambm, ursinha - disse o pai antes de desligar.
- O que  que voc acha? - A me entrou no quarto atrs dela, a respirao pesada. A
barriga parecia ter se expandido uns trinta centmetros enquanto Blair esteve fora, mas o
rosto estava lindamente bronzeado da viagem ao Hava e ela estava bem no vestido de
gestante verde-escuro e preto Diane von Furstenberg. At a tiara de veludo preto no
parecia to ruim.
Blair tentou um meio sorriso de onde estava sentada, as pernas cruzadas, no cho no meio
do quarto.
- Voc est bem.
- No, quero dizer o quarto.
Blair deu de ombros e recuou para estudar o quarto. As familiares paredes brancas
peroladas tinham sido repintadas de um verde-amarelado mais claro, com arremate verde-
aipo e borda de margarida em estncil. Em vez de seu tapete oriental rosa, um tapete
felpudo amarelo-cremoso cobria o cho. Um bero estava num canto, coberto com renda
branca, e dentro dele um lenol amarelo dobrado, bordado intricadamente com
margaridas brancas. Na parede mais distante havia um trocador e um armrio, os dois
pintados de amarelo-claro.  direita de Blair, uma cadeira de balano de madeira com
margaridas em estncil no encosto. Kitty Minky, a gata, deitava-se enroscada em uma
almofada no assento da cadeira, dormindo.
Sua me foi para o armrio e passou a mo nas gavetas.
- Queramos o monograma em todos os mveis, mas ainda no decidimos o nome. - Ela
deu um sorriso brilhante para Blair. - Seu pai sugeriu que voc desse o nome. Voc
sempre foi to criativa, querida. Acho que  uma idia maravilhosa!
- ? - empalideceu Blair. Esse bebe nada tinha a ver com ela. Por que diabos eles
queriam que ela desse o nome?
- No se preocupe em ser um nome judaico ou coisa assim. Cyrus no se importa. S
precisamos de um bom nome. - A me dela sorriu, estimulando-a. - E no tenha pressa.
Pense por algum tempo. - Ela foi at o bero, sacudiu o lenol amarelo e o dobrou
novamente. - Cyrus e eu vamos ao Club 21 agora para uma degustao de vinhos. Diga a
Myrtle o que quer para o jantar, e ela vai preparar para voc. - Ela se curvou para beijar a
filha no alto da cabea. - S um bom nome - repetiu ela antes de sair do quarto.
Blair ficou onde estava, contemplando o esquema de cores e seu novo papel de Irm Mais
Velha Nomeadora de Bebs. Seu quarto nem tinha o mesmo cheiro de antes. O cheiro era
novo, novo e cheio de promessas.
- Eu pensei em Margarida - disse Aaron, entrando no quarto com uma cueca samba-
cano de flanela marrom de Harvard e mais nada. As trancinhas tinham passado das
orelhas de novo e o peito nu estava bronzeado da semana que passou no Hava. Ele
ficaria melhor se no fosse to irritante.
- Como foi no Hava? - perguntou Blair, embora no ligasse nem um pouco.
Os olhos escuros de Aaron se arregalaram de empolgao.
- Melhor do que eu pensava. Conheci uma garota que , tipo assim, ainda mais
vegetariana do que eu. Os pais dela so refugiados do Haiti. De Berkeley. Ela me ensinou
a surfar. Demos umas voltas juntos.
Blair ergueu as sobrancelhas, sem se impressionar.
- Mas agora voc voltou - assinalou ela.
Ele assentiu.
- E a, o que acha de Margarida... para o nome do beb?
Ela torceu o nariz.
- No, Garoto de Harvard,  bvio demais. - Ela girou o anel de rubi vrias vezes no
dedo. - E a, qual  o nome da garota havaiana, afinal?
Aaron franziu a testa.
- Yael. Ela contou que um monte de gente diz que parece "Yai-elle"ou coisa parecida,
mas ela pronunciou exatamente como a universidade: Yale.
- Yale. - Blair parou de girar o anel, os cantos da boca se curvando num sorriso. -Yale.
 claro.

s e n fogem dos planos

Como Blair tinha sado do apartamento, no havia motivo para no convidar Nate de
novo.
- Oi - disse ele na porta. Era meio estranho ver Serena de novo no velho ambiente dela.
Mas tambm era meio legal.
- Oi. - Ela deu um beijo no rosto dele e o ajudou a tirar o casaco ensopado de chuva,
pendurando-o arrumadinho no armrio de casacos. A camiseta cinza Abercrombie
dele parecia surrada e macia, e ela estava doida para por as mos nela.
- Desculpe se as coisas ficaram estranhas na festa. - Agora que pensava no assunto,
Serena no sabia por que no tinha beijado Nate tambm em Sun Valley, depois de ele t-
la resgatado da vala e ela j estar pelada e tudo.
Bem, ela s precisava ficar pelada de novo, no ?
- Tudo bem. - Nate parecia estar esperando por alguma coisa, como uma explicao para
o motivo de ela t-lo convidado.
Serena deu um passo na direo dele, os ps descalos frios no cho de madeira. Vestia
s uma camiseta de algodo branco e uma minissaia de brim, e tremia, em parte de frio,
mas principalmente de expectativa nervosa. Nate estendeu a mo e afagou os braos nus
dela.
- Nate? - perguntou Serena, desabando em cima dele. Ela podia sentir o hlito dele em
seu rosto. Ah, Natie.  Voc sabe que sempre fomos bons amigos e nos entendemos
perfeitamente e sempre nos ajudamos, mesmo quando as coisas ficam meio esquisitas.
- Arr - fez Nate com a voz rouca, ainda passando as mos nos braos dela.
- Bem, por que a gente simplesmente no fica junto?
Nate parou de afagar. Era impossvel at pensar em dizer no a garota mais linda do
universo quando ela j era uma das melhores amigas e praticamente estava se atirando
pra cima dele. Talvez,se ele desse um beijinho nela e dissesse delicadamente que isso no
queria dizer... ele se inclinou e a beijou, muito timidamente, na boca. Um beijo doce e
inocente.
Mas Serena no estava procurando por doura e inocncia, ela queria o verdadeiro amor,
e retribuiu o beijo com fome, como algum que estava esperando por isso h muito
tempo. Ela pegou a mo dele e o levou para a cama.
- Pera - disse Nate, parando na soleira da porta. - Blair ainda est morando aqui?
- Ei. - Serena largou a mo dele. Como podia haver o verdadeiro amor se Nate ainda
estava apaixonado por outra pessoa? Ela suspirou e se deitou de costas na cama, sorrindo
com tristeza para o teto. - Blair voltou para a casa dela.
- Ah. - Nate entrou e se sentou na cama ao lado dela, tocando o ombro de Serena. - Voc
est bem?
Serena sorriu. Mesmo que no fosse seu verdadeiro amor, Nate ainda era seu docinho.
- Blair e Erik no esto mais juntos - disse Serena, porque sabia que ele queria saber.
- Como voc sabe disso? - perguntou Nate, desconfiado. No passou despercebido a ele o
fato de que Serena e Blair estavam brigadas.
Serena rolou sobre a barriga e enterrou o rosto nos braos como uma garotinha.
- Eu perguntei a ele - a voz dela estava abafada.  Ele  o meu irmo, sabe disso.
Nate no disse nada. Estava aliviado, mas no ia dizer isso a ela.
Ela se apoiou nos cotovelos.
- Sabia que eu te amo, Natie? Mas acho que nos dois sabemos quem voc realmente quer
beijar.
Nate assentiu e virou a cabea para olhar a janela respingada de chuva. Um grande
pssaro estava empoleirado no telhado do Metropolitan Museum of Art. Ele se perguntou
se era um daqueles falces-peregrinos que sempre estavam voando pelo Central Park,
surpreendendo as pessoas porque no eram pombos. Os falces eram elegantes e bonitos,
e v-los a toda hora era meio tranqilizador.
Ele se deitou ao lado de Serena e a abraou como um irmo.
- Eu te amo tambm - sussurrou ele no ouvido dela.
Serena sorriu e fechou os olhos. Ela podia se imaginar com Nate, deitados desse jeito, no
alojamento na universidade, aonde quer que ela fosse. Eles nunca formariam um casal,
mas de vez em quando podiam ficar juntos e se abraar e beijar, s isso. Sempre seria
totalmente incuo e Blair no precisava saber. E de repente eles parariam de se ver,
quando Serena finalmente encontrasse o verdadeiro amor.
Se isso acontecer um dia.
v tem mais talento do que uma comunidade cheia de hippies

Quando Vanessa chegou em casa, Ruby, Gabriela e Arlo estavam em volta da televiso,
comendo soja crua e bebendo saque morno.
- O que est pegando? Achei que vocs iam hoje. - Vanessa baixou a bolsa pesada com o
equipamento de filmagem e tirou o casaco. Ela foi pega numa tempestade repentina e
estava completamente ensopada.
- Eles vo sair logo. - Ruby desligou a TV e os trs sorriram como Vanessa jamais tinha
visto. - Como foi o seu dia, querida?
Vanessa desamarrou os Doc Martens e os tirou. Do canto da sala de estar, o periquito de
Ruby, Tofu, guinchou dentro da gaiola como se avisasse a ela: T rolando alguma coisa!
T rolando alguma coisa!
Gabriela se levantou e espanou as rugas do quimono japons elaboradamente rosa e roxo
que estava vestindo. As tranas grisalhas estavam presas no alto da cabea, no estilo
Heidi.
- O que vocs ainda esto fazendo aqui, afinal?- perguntou Vanessa. - Achei que iam para
casa hoje.
O pai bufou ruidosamente pelo nariz como resposta. Ele vestia um suter de l vermelha
que muito obviamente tinha sido feito para uma mulher, porque as mangas trs-quartos
eram franzidas nos ombros.
Vanessa foi na direo dele, olhando de esguelha. O rosto dele estava todo manchado e
os olhos vermelhos.
- Pai, voc est doente?
Arlo Abrams sacudiu a cabea e bufou pelo nariz mais uma vez. Lgrimas novas caram
em seu rosto.
- Silncio, meu amor - sussurrou Gabriela, embora no ficasse claro para quem.
- So os seus filmes - revelou por fim Ruby. Ela nunca foi capaz de guardar nada em
segredo. - Eu mostrei seus filmes a eles.
Como  que ?
Vanessa olhou para a irm mais velha, furiosa demais para dizer alguma coisa. Depois
Arlo bufou pelo nariz novamente, o peito pesando dos soluos. Vanessa ficou meio
preocupada que ele pudesse estar sofrendo de um ataque ou coisa parecida.
- Pai?
- Ns simplesmente no tnhamos idia de que voc era to... artstica - disse Gabriela, a
voz falhando.  Nenhuma idia.
No era exatamente um elogio, mas Vanessa no se deixava enganar por elogios. Seus
filmes eram to sombrios e estranhos que dificilmente algum realmente gostava deles.
Arlo pegou o controle remoto e ligou a TV de novo. Eles estavam assistindo 
reinterpretao que ela dera a uma cena de Guerra e paz, estrelada por ningum menos
do que Dan. A cmera seguiu um pedao de papel sujo soprado pelo vento pelo Madison
Square Park ao pr-do-sol e depois fixou-se em Dan, deitado desmaiado no banco do
parque. Deu um zoom no rosto dele e o corao de Vanessa caiu nos joelhos.
- D pra desligar agora? - pediu ela. Mas ningum deu ateno.
- No  s que voc consegue contar uma histria - disse Arlo, em transe. - Mas o modo
como voc faz, como uma pintora. - Ele virou os olhos injetados e lacrimosos para
Vanessa. - Voc deixa a gente pequenininho.
- Ela entrou pra NYU mais cedo tambm, porque ela  boa pra caramba - disse Ruby
orgulhosa.
O rosto de Vanessa ardeu.
- Cala a boca.
Gabriela passou um brao tmido pelo ombro dela.
- Temos tanto orgulho de voc, Berinjela  sussurrou ela, usando o apelido que Vanessa
no ouvia desde que era um beb.
Depois Arlo se aproximou e abra~ou as duas, o rosto molhado de lgrimas. Ruby
estendeu o brao para afagar as costas dele, e logo os quatro estavam presos num abrao
coletivo que at o mais hippie dos hippies no podia superar. Era totalmente anti-
Vanessa, mas ningum estava filmando nem nada.
- Jordy vai ficar com a gente por um tempo nesse vero. Tudo bem? - murmurou Gabriela
enquanto eles ainda estavam abraados.
Ruby bufou.
- No acho que ela ligue para o que vocs vo fazer com o Jordy.
- Ah, pensei que voc gostasse dele - disse a me.
- Eu gosto - disse Vanessa. E Jordy foi bom enquanto durou. - Eu s...
- Ela gosta muito mais daquele amigo dela, o Dan, do filme - interrompeu Arlo, como se
lesse sua mente.  Ele realmente tem alguma coisa.
Ruby riu e Vanessa chutou a cala de couro da irm.
, Dan definitivamente tinha alguma coisa e Vanessa sabia muito bem o que era.
Ela.

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Advertncia: todos os nomes verdadeiros de lugares, pessoas e fatos foram abreviados
para proteger os inocentes. Quer dizer, eu.

oi, gente!

No  timo voltar? No  timo voltar e ainda assim no saber para que universidade
vamos no ano que vem? No  timo voltar quando parece que a nossa vida esta na
balana e todos vamos ficar totalmente doidos? Bem, aqui esta uma coisinha para pensar:

CHAMANDO TODOS OS MENINOS

Voc sabe que quer me conhecer, e aqui est a sua chance. Amanh  nosso primeiro dia
de volta a escola e o clima deve ser incomumente quente e lindo. Assim que a escola
liberar, vocs vo me encontrar deitada numa toalha vermelha, tomando sol no gramado
do Sheep Meadow. Todos so bem-vindos para se juntar a mim, e todos tambm so
bem-vindos para me trazer lanchinhos e bebidas. Nada de pretzels e Gatorade, por favor.
Desculpe, meninas, mas este e um convite s para os rapazes. Os meninos nunca foram
muito bons em esperar, como ns, e vocs sabem o que dizem  as melhores coisas
chegam para as pessoas que sabem esperar.

Seu e-mail

P: CaraGG,
Sabe aquela garota maluca que N conheceu na reabilitao? Bem, eu moro na rua dela e a
gente foi para o Greenwich Saints juntas at que ela foi expulsa. De qualquer forma, ouvi
meus pais falando que ela ficou na priso em Sun Valley por atentado ao pudor, e  to
doido, porque a me dela estava na Amrica do Sul e no tinha idia de que ela estava ali,
ento os pais daquele cara, o C, tiveram de tirar ela da cadeia tambm, embora eles nem a
conhecessem.
- Conngurl

R: Cara Conngurl,
Acho que isso explicaria muita coisa. E vou te dizer, os pais de C merecem uma medalha
pela generosidade. Pessoalmente, acho que ela podia ter se beneficiado de umas noites
a mais na cadeia. Mas o que eu realmente quero saber  - o que deram a ela para vestir na
cela da priso?
-GG

P: cara GossipGurl,
t legal, ento eu no sou uma pervertida que fica assediando as pessoas, mas eu meio
que segui esse cara por quem eu era tarada at o prdio de S e depois sentei na escada do
met na chuva, esperando que ele sasse, o que ele s fez depois de escurecer, e agora eu
estou com uma gripe danada. me sinto to idiota.
- atchim

R: Cara atchim,
Isso  meio triste. Embora eu saiba de que cara voc est falando, e eu o tenha visto na
rua, provavelmente eu faria a mesma coisa. O que S tem que eu no tenho? No responda
- somos muito ciumentas dele desse jeito. Alm disso, eu tambm estou gripada!
- GG

P: CaraGG,
Eu soube que as cartas de admisso das universidades vo chegar tarde este ano porque
as faculdades no conseguem decidir se aumentam o tamanho das turmas ou rejeitam
as pessoas. Eles esto fazendo um frum secreto sobre isso esta semana.
- ino

R: Caro ino,
No falo com pessoas que divulgam boatos idiotas sobre as cartas de admisso das
universidades. J somos bem paranicos com isso.
-GG
Flagra

B na Wicker Garden comprando um adorvel coelhinho de cashmere amarelo -
provavelmente o primeiro objeto de cashmere que ela no a) compra para si mesma; b)
rouba. N olhando para o prdio de B na rua 72 como se o prdio tivesse todas as
respostas. No conte com isso, docinho. J e a amiga grandalhona perseguindo o coitado
do garoto a partir da Smale School de novo. O que h com essas duas? D no trem L para
Williamsburg. D no saiu do trem L em Williamsburg. V filmando grama nova
crescendo no Central Park - no estou brincando. Ela leva o trabalho dela a srio.

P.S.
No vou estragar tudo por causa de vocs, mas algum viu C ultimamente? Ele tem um
novo amigo, e estou morrendo de vontade de saber de onde .  to extico!

Vejo vocs no parque, meninos!

Pra voc que me ama,
gossip girl

por que s e b ainda so amigas

- Peguei um ch para a gente. - Serena apontou as xcaras brancas e os pires na bandeja
de plstico laranja. Ela fungou e enxugou o nariz na manga da blusa Calypso verde-clara.
- Com mel.
Blair permitiu que Serena se sentasse diante dela na mesa de madeira clara do refeitrio e
aceitou o ch. Estava com uma gripe terrvel. Ch com mel seria timo mesmo. Ela e
Serena sempre se sentavam juntas na hora do almoo, especialmente quando tinham
grupo de discusso, do qual as duas eram lderes.
Alm disso, tinha uma coisa que Blair queria perguntar a ela.
O refeitrio estava apinhado de meninas despejando ketchup nas batatas fritas e trocando
fofocas sobre as ferias de primavera.
- Eu soube que Serena e Nate Archibald foram presos por transar no telefrico -
cochichou Rain Hoffstetter para Laura Salmon.
- Eu ouvi dizer que ela vai se mudar para Amsterd depois da formatura. Ela conheceu
aquele cara da equipe olmpica de snowboarding da Holanda. Eles vo se casar  disse
Kati Farkas a elas.
- E o pai de Blair agora esta tentando colocar ela na Brown - piou Isabel Coates. - Porque
ela e Erik van der Woodsen escio totalmente apaixonados.
- No aconteceu nada, sabia, entre mim e Nate  declarou Serena depois que se sentou.
Ela tomou um gole do ch. Na verdade, alguma coisa tinha acontecido entre os dois, mas
isso foi h muito tempo. - Quer dizer, depois da festa da Georgie.
Blair mexeu o ch. Ela e Serena estavam se ignorando desde a festa em Sun Valley,
principalmente porque era mais fcil e mais excitante deixar que a outra imaginasse o que
tinha acontecido do que admitir a verdade constrangedora.
Ela empurrou o ch de lado e pousou os cotovelos na mesa, olhando intensamente para
Serena.
- Como  que foi?
Serena baixou o ch e assoou o nariz no guardanapo de papel.
- O qu?
- O sexo. Com o Nate.
Serena amassou o guardanapo e o enfiou debaixo da bandeja para que as duas no
tivessem de olhar para ele. Essa pergunta era uma armadilha? Ser que Blair estava
esperando que ela desse a resposta errada para poder cair em cima dela com as garras de
fora e rasgar a cabea de Serena com os dentes?
- Na verdade foi... - Ela se interrompeu, esperando que a expresso de Blair enfeasse, mas
Blair s ficou sentada ali olhando, genuinamente interessada. Ela quer mesmo saber,
percebeu Serena.
- Foi maravilhoso. Ns dois estvamos assustados, mas, como foi com o Nate, foi
divertido. - Ela sorriu, lembrando-se. - E a gente nem ficou sem graa depois.
Blair assentiu e olhou para a mesa. Tudo isso era muito bom, mas e ela? Como Nate e ela
iam transar se eles nem...?
Por sobre o ombro de Serena, Blair pode ver as meninas do grupo de discusso do
primeiro ano indo em direo  mesa. Era hora de mudar de assunto.
- Deixa pra l - murmurou ela, pegando a bolsa no cho e tirando o material para o grupo
de discusso.
- Oi, gente, como foram as frias? - perguntaram em unssono Mary Goldberg, Vicky
Reinerson e Cassie Inwirth as duas veteranas. As trs calouras convencidas vestiam
suteres pretos com gola em V. Elas puseram as bandejas do almoo na mesa e se
sentaram praticamente uma em cima da outra. - As nossas foram totalmente doidas.
- Que bom - disse Blair sem muito entusiasmo. Ela deu um papel a cada uma. - Se
puderem, leiam isso antes de comearmos.
As meninas olharam para o papel e riram como se dissessem: Como se a gente realmente
fosse falar disso.
- E a, Serena, trabalhou de modelo nas frias? Eu soube que voc fez umas fotos com a
equipe olmpica de snowboarding da Holanda, tipo para um creme labial ou coisa assim 
disse Mary Goldberg.
Serena lampejou um sorriso torto para elas. As pessoas imaginavam que ela era to
maluca que ela quase queria que fosse verdade.
- , foi sensacional!
As outras duas componentes do grupo, Jenny Humphrey e Elise Wells, chegaram
trazendo o almoo em sacos de papel pardo. Em vez da salada de sempre do refeitrio ou
do almoo quente de tiras de peixe com batata frita, elas iam comer rolinhos primavera
do restaurante chins da Lex, que elas pediram que fossem entregues na porta da escola.
Sempre era surpreendente descobrir como as duas meninas podiam ser habilidosas -
exceto para o peito gigante de Jenny  quando elas eram a imagem da inocncia e da
bondade.
- Jenny est deprimida - anunciou Elise enquanto se sentavam. Ela puxou um pedao de
camaro para fora do rolinho e o enfiou na boca. - Precisa de conselhos. Pssima.
Jenny cutucou a amiga com irritao.
- Eu estou bem. - Ela comeou a comer o rolinho, que estava mergulhado, intocado, num
banho profundo de molho agridoce. Depois do que ela fez com ele, era basicamente
incomvel.
- Olha s, o Leo acabou sendo totalmente normal em vez de um duque francs ou coisa
assim - explicou Elise, como se todas soubessem exatamente que Leo era esse, ou
ligassem para isso. - E o nico motivo para ele saber de coisas sobre peles e botas de
cachorro e porque ele passeia com o cachorro da Madame T, e todas ns sabemos que ela
tem toneladas de peles.
Blair bocejou rudemente e enfiou um pacote de Equal no ch s para ter alguma coisa
para fazer. Esperava que Serena cuidasse disso.
De repente Serena pegou o pacote vazio de Equal da mo de Blair e escreveu uma coisa
nele. Depois devolveu a ela.
Ele ainda est apaixonado por voc, leu Blair.
As meninas do primeiro ano olharam de uma veterana para outra.
- O que vocs esto fazendo? - reclamou Mary Goldberg e Vicky Reinerson com irritao
por serem deixadas de fora.
Blair dobrou o pacote de Equal e o colocou na bolsa.
- E ento, quem sabe fazer tric?
Jenny no tinha certeza do que diabos estava rolando.
- Eu sei. Aprendi no acampamento de artes no vero passado.
Blair bufou pelo nariz.
- Todo mundo aprende a tricotar no internato?  Ela fungou na direo de Serena.
Serena deu de ombros.
- Eu no aprendi, mas todas as modelos fazem isso.  o que elas fazem nos bastidores dos
desfiles.
- A gente sempre quis aprender! - piaram Cassie, Mary e Vicky.
- Tric? - perguntou Elise, completamente perdida.
Blair puxou o zper da bolsa Coach e se levantou.
- Vamos - disse ela. - Vamos comprar linha. E, depois da aula, vamos todas tricotar
sapatinhos na minha casa. Do outro lado do refeitrio, aquela esquisita de cabea
raspada do terceiro ano, Vanessa Abrams, estava filmando a reunio delas com uma nave
de plstico rosa que girava e piscava na mesa ao fundo.
Serena se levantou e juntou suas coisas.
- Quer dizer, meias - rebateu ela.
- No. Sapatinhos - corrigiu Blair com um sorriso.
Pelo menos era uma coisa que elas podiam fazer com as mos alm de fumar. E depois da
aula seria uma tima hora para comear, especialmente com os meninos ocupados.
As alunas do primeiro ano seguiram Serena e Blair pelas grandes portas azuis da escola,
emocionadas com a idia de estar numa excurso de campo lideradas pelas duas garotas
mais cool de toda a escola.
Depois de tantos meses frios, o calor do sol era do intenso que chegava a ser chocante. . .
- Desculpe por termos brigado - disse Serena a Blair enquanto o grupo de meninas
andava para leste, em direo a Terceira Avenida. - Nem vale a pena, se a gente sempre
faz as pazes depois.
- Est tudo bem. - Blair piscou os olhos lentamente como um gato ao sol. Talvez fosse o
clima, mas de repente ela se sentia estranhamente otimista. Todo dia nasciam bebs e
recebiam nomes legais como Yale; meninos e meninas que estavam rompidos voltam a
ficar juntos; grandes amigas brigam e fazem as pazes; e pessoas vo para a faculdade 
em particular a uma universidade chamada Yale. - Est um dia lindo. Acho que  melhor
a gente ir para o parque depois da aula, em vez de ir para a minha casa.
- Posso correr l em casa e pegar uma toalha  ofereceu Serena. - A gente pode se
encontrar na campina.
Opa.

eles no conseguem ficar de fora

- Cinqenta pratas como ela no vai aparecer  desafiou Anthony Avuldse. Os amigos
Nate, Anthony, Charlie e Jeremy tinham ido para o Sheep Meadow depois da aula s para
ver se uma certa personalidade popular da Internet realmente ia mostrar a cara.
O clima estava timo e um bando de garotos j estava jogando Frisbee. Nate reconheceu
Jason Pressman, um primeiranista do time de lacrosse do St.Jude, e foi ate l
cumpriment-lo.
- T sabendo do Holmes? - perguntou Jason, com um grande saco de maconha no colo.
Ele estava ocupado apertando baseados pequenininhos e alinhando-os ao lado de uma
lata velha de Altoids.
- Eu soube que ele estava sumido. - Nate lambeu os lbios enquanto via Jason colocar
maconha dentro de um papel elegantemente dobrado.
- Preso - disse Jason. - O cara foi pego no aeroporto de Miami com, tipo assim, um
pacote de haxixe. - Ele selou a juno e largou o baseado na lata. -Ele foi expulso. O
treinador disse que voc agora vai ser o capito.
Anthony, Charlie e Jeremy estavam apertando os prprios baseados a pouca distncia.
Nate se virou e sorriu para eles. Era uma histria ainda melhor, que ele tinha desistido de
ser capito s para conseguir no fim. Alm disso, ele ganhou o posto.
Jason cumprimentou Nate com um tapa na mo, passando um baseado a ele ao mesmo
tempo.
- Bom trabalho, cara. Meus parabns.
- Ei, obrigado. - Nate segurou o baseado no pulso.  Que dia - observou ele, atirando a
cabea para trs para pegar sol.
Ainda bem que havia mais garotos do que meninas por perto, caso contrario a grama
estaria molhada de baba.
A campina estava se enchendo de meninos de escolas particulares que fingiam que s por
acaso estavam ali no parque na mesma hora por motivo nenhum. Chuck Bass estava
sentado de pernas cruzadas numa toalha vermelha, usando um bon de beisebol com a
estampa Sun Valley Ski Patrol. Empoleirado em seu ombro, havia um macaquinho
branco.
Sim,  isso mesmo. Um macaquinho vivo.
Chuck era um babaca, mas nunca deixava de se divertir. Nate ficou intrigado demais para
no verificar. Ele acendeu o baseado que Jason lhe dera e foi at l.
- O que  isso? - perguntou ele, puxando o baseado.
- Um macaco da neve. Da Amrica do Sul.  Chuck coou embaixo do queixo do macaco
enquanto o animal olhava para Nate com os olhos dourados e confiantes. - Sweetie, esse
 Nate. Nate, Sweetie.
- Onde a conseguiu?
Chuck fungou e assoou o nariz num leno de seda rosa.
-  ele. A me da Georgie mandou para meus pais como presente de agradecimento...
sabe como , por tir-la daquele fiasco de atentado ao pudor. - Ele afagou a longa cauda
branca de Sweetie, onde ela se enrolava no ombro esquerdo dele, como se ele estivesse
usando uma estola de pele cara, s que viva. - Na verdade, tem macaco da neve no
zoolgico aqui do Central Park, mas eles raramente do bichos de estimao. A mame
acha que o Sweetie fede, mas agora eu tenho meu pr6rio apartamento no Sutton Place.
Ento posso ficar com ele.
Bem, ele no  sortudo?
- Legal. - Nate j estava de saco cheio do macaco e pronto para passar para outra coisa.
- A, Nate! - gritou Jeremy para ele. - Esse cara t saindo com sua ex-namorada. Aquela
do primeiro ano com os peites!
A seis metros de distncia, Jeremy, Charlie e Anthony conversavam com um garoto louro
platinado que Nate achou que conhecia, mas no tinha certeza. Ele foi ate l e trocou um
aperto de mo com o garoto, mantendo o baseado entre os lbios, como Humphrey
Bogart ou coisa assim.
- A gente no esta saindo - insistiu Leo nervosamente. - A gente meio que se conheceu
pela Internet e depois ficamos amigos e depois... - Ele parou e franziu a testa para Nate.
- Olha, eu no sabia que ela tinha ficado com voc.  Ele enfiou as maos nos bolsos do
jeans e chutou a grama.  E depois, agora no estamos nem nos falando.
Nesse momento Serena van der Woodsen e Blair Waldorf chegaram a campina, seguidas
por cinco garotas mais novas, inclusive Jenny Humphrey, a notria "garota do primeiro
ano com os peites". As meninas ajudaram Serena a estender uma enorme toalha
vermelha. Depois todas se sentaram de pernas cruzadas na toalha, formando um crculo
fechado. Blair passou a cada uma delas uma bola de linha amarelo-clara e um jogo de
agulhas de tric de metal rosa.
- Primeiro temos de prender a linha numa agulha instruiu Jenny. Ela deu um lao na
linha, enfiou na ponta de sua agulha e comeou a prender. As outras meninas se
curvaram, observando de perto.
A menos de 15 metros Nate continuava a fumar o baseado.
- Mas voc gosta dela. Quer dizer, admita isso.  difcil no gostar dela.
Leo corou.
- .
- E a, o que est fazendo? Por que no vai l...  Nate apontou para a roda de meninas na
toalha vermelha - e d um beijo nela?  o que eu faria. - Assim que disse isso ele
percebeu que era o que ele precisava fazer com a Blair. S ir at l e dar um beijo nela.
Ele ficou excitado o tempo todo em que no fumou bagulho, mas quando estava chapado
ele era romntico. Era uma das coisas que Blair adorava nele.
- Sei l - disse Leo baixinho. - Talvez uma outra hora.
-  - concordou Nate. Agora no era mesmo uma boa hora.
Os cinco rapazes ainda estavam vendo o grupo de meninas tricotando quando Dan
chegou, parecendo esfarrapado e supercafeinado como sempre, um Camel pendurado nos
dedos brancos e trmulos.
- Ei, voc e minha irm terminaram?  perguntou ele a Leo.
Leo olhou para ele, desamparado.
- No tenho certeza.
Dan girou a cabea desgrenhada para ver a cena. Seu colega de turma e Babaca
Extraordinrio, Chuck Bass, estava sentado no cho com um macaco branco no ombro.
Chuck tinha at levado o macaco para a escola naquela manha, mas os professores
obrigaram-no a lev-lo para casa. Depois Dan viu uma coisa que fez com que deixasse o
cigarro ainda aceso cair na grama molhada.
Vanessa estava ajoelhada numa toalha vermelha trs metros atrs de Chuck, o rosto
obscurecido pela cmera. Diante dela estava o OVNI de plstico rosa que ele mandou
para ela, girando e piscando loucamente em cima de um banquinho dobrvel. Dan podia
ouvir a musiquinha pop japonesa que saa do brinquedo, e isso o fez querer danar uma
jiga animadinha.
No que ele fosse em frente e danasse mesmo.
Nate puxou o baseado e assentiu para Vanessa.
- Acha que  ela?
- De jeito nenhum - disse Dan. Embora ele secretamente se perguntasse se Vanessa podia
ser a dona sensual do site que todos vieram ver. Seria como se ela fizesse alguma
coisa totalmente inadequada e pirasse todo mundo.  Talvez ela no tenha vindo.
Nate apontou o baseado apagado para Chuck.
- A no ser que ela j esteja aqui.
Os seis meninos olharam Chuck por um momento, rindo para si mesmos. Apesar do fato
de isso ter parecido um evento frustrante s de meninos, havia muitas garotas por perto.
Kati Farkas e Isabel Coates estavam afagando o macaco de Chuck e espionando o
grupinho de tric de Blair e Serena.
- O que elas esto fazendo? - gemeu Kati. Ela coou atrs das orelhas de Sweetie e o
macaco mostrou os dentes.
- As orelhas dele so sensveis! - alertou Chuck.
- Talvez elas estejam tricotando coisas para esconder drogas. Ouvi dizer que os
traficantes usam bebes para atravessar drogas para outros pases - sugeriu Isabel,
desejando desesperadamente poder se juntar  roda.
- Voc no adora o jeito como todo mundo olha para a gente como se a gente fosse...
bruxa, tipo assim? - cochichou Serena.
As outras meninas riram numa conspirao.
Blair enxugou o nariz e reaplicou brilho labial. No passou despercebido o fato de que
Nate estava entre os que olhavam para elas.
- Eles no sabem de nada - concordou ela, embora ela e o resto das meninas do grupo
estivessem absolutamente ansiosas por ateno.
O meio-irmo dela, Aaron Rose, chegou com o violo e se sentou no canto da toalha das
meninas.
- O que devo tocar? - perguntou ele.
- Nada. - Todas estavam s tricotando, mas a msica do brinquedinho maluco de Vanessa
as estava deixando malucas.
- "Stir ir up, little darling, stir it up..." - comeou ele, cantando sua msica de reggae
preferida. Aaron tinha acabado de aparecer para ver se Blair era a garota de que todos
falavam tanto. Pelo que ele sabia, podia ser qualquer uma delas.
- No d pra saber - observaram vrios meninos na campina.
 verdade. No d pra saber.
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Advertncia: todos os nomes verdadeiros de lugares, pessoas e fatos foram abreviados
para proteger os inocentes. Quer dizer, eu.

oi, gente!

SOBRE ONTEM  NOITE

Desculpe, meninos, mas vocs foram podres! Sei que foi totalmente cruel de minha parte
no me revelar, mas admitam, vocs gostaram, e no foi divertido? Era s o que vocs
precisavam, n? O melhor de tudo, vocs conheceram aquele macaquinho doce. E,
embora odeiem ter de admitir, vocs meio que gostaram de no saber ainda quem eu sou,
porque vocs adoram imaginar como eu sou. Sou a garota dos seus sonhos.

O QUE NO SABEMOS E ESTAMOS MORRENDO DE VONTADE DE
DESCOBRIR

Ser que N e B vo voltar?
S vai encontrar algum para amar?
V e D vo se perdoar e viver infelizes para sempre?
Ser que vamos saber mais de G? Ser que queremos?
J e L vo se entender? Ela vai querer?
C vai assumir?

E eu?

Vocs sabem que estou louca para responder a todas as perguntas acima. Mas primeiro
estou construindo um altar para o Santo da Admisso nas Universidades. Todo dia eu vou
comprar um novo presente para o santo, tipo aquele par de sandlias de contas que vi no
departamento de calados da Barney's, ou aquela bolsa rosa que todo mundo est
comentando e nenhuma loja parece ter. Assim, se eu no entrar para a universidade que
prefiro, terei montes de prmios de consolao. E,se eu entrar, terei uma desculpa para
me parabenizar com mais presentes ainda. De qualquer forma, no vou perder. Nenhum
de ns vai!

Pra voc que me ama,
gossip girl


                                        FIM


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